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Durante as comemorações dos 75 anos da Federação das Câmaras de Comércio Exterior (FCCE), Abraham Kulajian, presidente e embaixador da diáspora da comunidade armênia no Estado do Rio de Janeiro, ofereceu uma perspectiva única sobre as relações bilaterais entre Brasil e Armênia.
Em entrevista exclusiva, Kulajian destacou a importância estratégica do Brasil como fornecedor de segurança alimentar global e o papel fundamental das câmaras de comércio na facilitação dessas relações.
Abraham Kulajian, apresentou uma visão inovadora sobre a relevância do Rio de Janeiro no cenário internacional, comparando o estado a um país independente. "O Rio de Janeiro tem 21 milhões de pessoas. Tem outros países com 5, 4, 10 milhões de pessoas.
Então, o Rio de Janeiro é considerado, na minha opinião, um próprio país", declarou Kulajian, enfatizando a dimensão populacional e econômica do estado fluminense.
Esta perspectiva ganha ainda mais relevância quando considerada a relação de cidades-irmãs estabelecida entre Rio de Janeiro e Yerevan, capital da Armênia.
O vínculo simbólico representa não apenas uma conexão diplomática, mas também um reconhecimento mútuo da importância cultural e econômica entre as duas cidades, criando uma base sólida para o desenvolvimento de parcerias comerciais e culturais.
Brasil como pilar da segurança alimentar global.
Kulajian foi enfático ao destacar o papel crucial do Brasil como um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, utilizando a expressão popular "Brasil alimenta o mundo" para ilustrar a relevância estratégica do país.
Para a Armênia, essa capacidade brasileira representa uma oportunidade fundamental de diversificação das fontes de segurança alimentar, especialmente em um contexto de mudanças geopolíticas globais.
"Para a Armênia tem essa importância de food security, segurança alimentar, diversificação das relações", explicou o embaixador, contextualizando essa necessidade dentro do "reshuffling mundial das relações" que o mundo atravessa atualmente.
A busca por diversificação nas parcerias comerciais reflete uma estratégia de redução de riscos e fortalecimento da resiliência econômica armênia.
Abraham Kulajian, enfatizou que as mudanças no cenário internacional tornam ainda mais relevante a parceria com o Brasil, país que oferece estabilidade e confiabilidade no fornecimento de produtos alimentícios essenciais. Esta relação comercial não se limita apenas ao aspecto econômico, mas representa uma questão de segurança nacional para a Armênia.
Papel facilitador das câmaras de comércio.
Questionado sobre a importância das câmaras de comércio nas relações Brasil-Armênia, Kulajian destacou o papel fundamental dessas instituições como intermediárias entre diferentes esferas.
"As câmaras facilitam o relacionamento da embaixada com o próprio país, com as empresas exportadoras e também com as entidades locais", explicou, evidenciando a função articuladora dessas organizações.
Abraham Kulajian, fala do exemplo da câmara brasileiro-libanesa para ilustrar como essas instituições conseguem superar desafios relacionados às diferenças entre legislações locais e internacionais. "A câmara junta essas pessoas e resolve um grande problema de facilitar, intermediar esse encontro entre as duas entidades", destacou Kulajian, demonstrando o valor prático dessas organizações.
No contexto específico das relações Brasil-Armênia, as câmaras de comércio representam uma ponte essencial entre o trabalho diplomático formal, conduzido pelo embaixador Armênia Ganian em Brasília, e as necessidades práticas do setor privado.
Esta articulação é fundamental para transformar potencialidades em negócios concretos.
Rica herança cultural armênia no Brasil.
Kulajian fez questão de destacar a significativa contribuição da comunidade armênia à cultura brasileira, estimada em cerca de 40 mil pessoas em todo o país.
Abraham Kulajian, mencionou personalidades de destaque como a atriz Aracy Balabanian, conhecida por seus papéis em novelas e que representa culturalmente a comunidade armênia no Brasil.
A presença armênia na política brasileira também foi ressaltada, com a menção ao ator e político Stepan Nercessian, além de vários embaixadores e cônsules de ascendência armênia que representaram o Brasil no exterior. "Os armênios geralmente falam várias línguas.
A gente fala inglês, armênio, árabe, russo, depende da pessoa", explicou Kulajian, destacando como essa capacidade multilíngue foi aproveitada pela diplomacia brasileira.
Abraham Kulajian, enfatizou que, apesar da origem armênia, a comunidade se considera plenamente brasileira, integrando-se à "grande cultura, com grande história, com vários povos: sírios, libaneses, judeus, chineses, japoneses, italianos, descendentes africanos".
Esta integração multicultural representa um dos pontos fortes da sociedade brasileira e facilita as relações internacionais.
Construção de relações comerciais.
Kulajian revelou que as relações comerciais entre Brasil e Armênia estão em fase de construção, especialmente no Estado do Rio de Janeiro, onde ele representa a comunidade armênia.
O trabalho conjunto entre a representação da diáspora e a embaixada oficial em Brasília cria uma estrutura dual que pode potencializar as oportunidades de negócios.
A estratégia de diversificação das relações internacionais da Armênia encontra no Brasil um parceiro ideal, não apenas pela capacidade produtiva brasileira, mas também pela estabilidade política e econômica do país. As mudanças geopolíticas globais tornam essa parceria ainda mais relevante para ambos os países.
Perspectivas futuras:
A entrevista de Kulajian durante as comemorações dos 75 anos da FCCE simboliza o potencial de crescimento das relações Brasil-Armênia.
A combinação entre a capacidade brasileira de fornecimento de alimentos, a necessidade armênia de diversificação de parcerias e a presença de uma comunidade armênia estabelecida no Brasil cria condições favoráveis para o desenvolvimento de uma parceria comercial sólida.
O reconhecimento do Rio de Janeiro como um "país" em termos de relevância econômica e populacional, aliado à relação de cidades-irmãs com Yerevan, estabelece uma base simbólica importante para o aprofundamento dessas relações.
A atuação das câmaras de comércio como facilitadoras desse processo representa um elemento crucial para transformar potencialidades em resultados concretos.

Por Robson Talber. Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
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