André Português promete transformar o Rio de Janeiro em 'grande empresa' e encerra 'milícia política'

Rio de Janeiro precisa de gestor, não de governador, diz pré-candidato André Português

O Museu Naval, no centro do Rio de Janeiro, recebeu nesta segunda-feira um debate que contou com a presença de lideranças políticas e empresariais discutindo os rumos do estado.

Entre os participantes do Fórum ANB estava André Português, pré-candidato a governador do Rio de Janeiro, que aproveitou o espaço para reafirmar sua proposta de transformação administrativa.

"O estado do Rio de Janeiro não precisa de mais um governador. "Precisa de um gestor", afirmou Português ao Jornal da República e Última Hora.

A frase sintetiza sua estratégia de campanha: romper com a lógica tradicional de política partidária e apresentar um modelo de gestão empresarial aplicado à administração pública.

A declaração ganha peso em um contexto específico. Nos últimos anos, o Rio de Janeiro enfrentou uma série de crises administrativas que resultaram no afastamento e prisão de governadores. Português usa essa realidade como ponto de partida para sua crítica ao sistema político tradicional.

A crítica à "milícia política"

Português não se limita a críticas genéricas. Ele nomeia explicitamente o que chama de "milícia política" uma referência às estruturas de poder que, segundo ele, dominam tanto as comunidades quanto as instituições estaduais.

"Essa contagem regressiva é para colocar um ponto final em toda essa milícia, não só a que está nas comunidades, mas também na política do estado do Rio de Janeiro", declarou.

A metáfora é provocativa e intencional. Ao equiparar as milícias urbanas à estrutura política tradicional, Português busca criar uma narrativa de ruptura radical. Para ele, o 4 de outubro, data das eleições, será um "divisor de águas" no estado.

A estratégia discursiva apela para eleitores desencantados com a política tradicional, um segmento que vem crescendo nas pesquisas de intenção de voto em todo o Brasil.

Segundo levantamento do Datafolha de 2024, 62% dos brasileiros desaprovam o desempenho do Congresso Nacional, e números similares aparecem em avaliações de governos estaduais.

Gestão versus política: o modelo Tarcísio

Português cita explicitamente o governador Tarcísio de Freitas, de São Paulo, como modelo de sua proposta.

"O governador Tarcísio é um exemplo para o Brasil. Um governador zero política, mas um grande gestor", afirmou.

A referência não é casual; Tarcísio é do mesmo partido de Português e representa uma abordagem administrativa que prioriza infraestrutura e resultados mensuráveis.

A comparação com São Paulo é estratégica.

O estado vizinho, sob administração de Tarcísio, registrou crescimento econômico e investimentos em infraestrutura que contrastam com a situação do Rio de Janeiro.

Português busca transferir essa credibilidade para sua candidatura.

"As grandes cidades que desenvolvem estados são verdadeiramente gestoras e empreendedoras. O que a gente vê no Brasil hoje é muita política e poucos projetos e planejamento", completou.

A crítica aponta para uma dicotomia que ele explora: política versus gestão, discurso versus ação.

26 anos de vida pública como credencial

Português destaca sua trajetória de mais de duas décadas na administração pública como comprovação de sua capacidade de gestão. "Nesses meus 26 anos de vida pública, sou conhecido como um gestor empreendedor, não um gestor político", afirmou.

A distinção é importante para sua narrativa; ele se posiciona como alguém que já provou sua competência administrativa.

A experiência anterior é relevante em um contexto em que a população busca alternativas aos políticos tradicionais.

Pesquisas de opinião pública mostram que candidatos com trajetória empresarial ou administrativa ganham pontos junto ao eleitorado que valoriza "eficiência" e "resultados".

A transformação da administração pública em "empresa"

O ponto central da proposta de Português é a transformação da administração pública em um modelo empresarial.

"A política acaba no dia da eleição. No dia seguinte, uma prefeitura, um estado e um país têm que se transformar numa grande empresa e, com isso, transformar a vida das pessoas", declarou.

A metáfora da "empresa" é recorrente em campanhas de candidatos que se posicionam como outsiders da política tradicional.

Ela sugere eficiência, lucro (ou, neste caso, bem-estar público) e meritocracia.

No entanto, críticos apontam que a administração pública não funciona como empresa privada, tem objetivos diferentes, constrangimentos legais distintos e responsabilidades sociais que vão além do lucro.

Ainda assim, a mensagem ressoa com eleitores cansados de promessas políticas não cumpridas. A ideia de que um "bom gestor" pode resolver os problemas do estado é atraente, especialmente em um contexto de crise.

O evento do Fórum ANB e o contexto político

O Fórum ANB reuniu palestrantes e debatedores para discutir temas como segurança e desenvolvimento do Rio de Janeiro. Português descreveu a manhã como "muito especial", com "grandes convidados e grandes palestrantes". Para ele, "quem ganhou foi o estado do Rio de Janeiro", uma forma de sugerir que o debate em si é benéfico para a população.

A participação em eventos como este faz parte da estratégia de campanha de Português: estar presente em espaços de debate, construir credibilidade junto a lideranças empresariais e intelectuais, e gerar cobertura de imprensa que reforce sua narrativa de candidato sério e preparado.

Perspectivas para a reta final

Com a contagem regressiva para as eleições, Português sinaliza que sua campanha está em movimento.

A escolha do 4 de outubro como "divisor de águas" é uma aposta retórica, sugerindo que a eleição será um momento de ruptura, não de continuidade.

A estratégia de Português diferencia-se de outras campanhas ao enfatizar gestão sobre ideologia, resultados sobre promessas e eficiência sobre política tradicional. Se essa abordagem ressoar com o eleitorado carioca, será testada nas urnas.

Sobre André Português

André Português é pré-candidato a governador do estado do Rio de Janeiro, com mais de 26 anos de experiência em administração pública.

Define-se como gestor empreendedor com foco em resultados e planejamento estratégico.

Sua campanha aposta em uma ruptura com a política tradicional, propondo um modelo de gestão baseado em eficiência administrativa e transformação da máquina pública em "empresa". Português é do mesmo partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e cita sua administração como modelo.

Participa ativamente de fóruns e debates sobre desenvolvimento e segurança do Rio de Janeiro.

Seus perfis nas redes sociais estão disponíveis em @andreporguesoficial no Instagram.

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Antonio Lemos @djportugues

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Por Ultima Hora em 02/06/2026
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