ANVISA emite alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso de canetinhas emagrecedoras

ANVISA emite alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso de canetinhas emagrecedoras

Após o registro de seis mortes possivelmente associadas ao uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, chamados popularmente como canetinhas emagrecedoras, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) emitiu um alerta de farmacovigilância para ressaltar os riscos do uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, classe que inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida. Apesar do risco de pancreatite já estar descrito na bula dos medicamentos aprovados no Brasil, o aumento de casos nacionais e internacionais exige reforço das orientações de segurança.

 

Recentemente, a agência reguladora do Reino Unido (MHRA - Medicines and Healthcare products Regulatory Agency) informou que registrou entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite associadas ao uso dos análogos do GLP-1, com 19 óbitos. No Brasil, houve o registro de 145 notificações de suspeitas de efeitos adversos e seis suspeitas de casos com desfecho de óbito. 

 

A ANVISA já vem monitorando o uso desses medicamentos exatamente por estas questões, quando a preocupação da agência brasileira fez com que fosse determinado que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desses medicamentos conforme a RDC nº 973/2025 e a IN nº 360/2025. Desde então a prescrição médica passou a ser feita em duas vias, e a venda só pode ocorrer com a retenção da receita pela farmácia ou drogaria, assim como já acontece com os antibióticos. A validade da receita é de até 90 dias, a partir da data de emissão.

Em todas as ocasiões que eu escrevi sobre estes medicamentos, sempre deixo claro e evidente que há a necessidade de acompanhamento médico, pois cada indivíduo tem suas particularidades, inclusive de necessidades especiais. E também é importante considerar cada caso em especial, por questões de interação farmacológica com outros medicamentos que o paciente possa estar utilizando. 

 

A obesidade é realmente uma patologia dos tempos modernos, principalmente devido à facilidade de obtenção de alimentos através do comportamento cooperativo que reduziu o gasto energético necessário para conquistar alimentos, refletindo no aumento da inteligência da espécie (E agora? Como queimar aquelas rabanadas? - Ultima Hora Online). 

 

Os medicamentos análogos de GLP-1 vieram como uma verdadeira revolução contra a obesidade, o que impulsionou muitos pacientes obesos a pular etapas do tratamento e usar o medicamento de qualquer forma, sem acompanhamento médico ou nutricional. Ainda existem aqueles que comprem o medicamento de qualquer procedência, inclusive relatos de medicamentos não autorizados pela ANVISA já estejam circulando como fruto de contrabando.

 

Além das questões farmacológicas, existem as questões nutricionais. O paciente que faz uso desses medicamentos não pode se submeter a longos períodos de jejum, que é exatamente o que fazem, pois o medicamento tira o ruído alimentar e facilita fazer o jejum. Mas durante estes períodos de jejum prolongado, para manter a glicemia, o organismo se utiliza das reservas de aminoácidos que estão nos músculos. Para saber mais sobre jejum, visite a série Jejum de Cabo a Rabo no YouTube (https://www.youtube.com/playlist?list=PLv3BDI3EXb0KDN2UWhcXwNkytgf3B4_ZZ). Jejum prolongado repetitivo, sem reposição dos aminoácidos utilizados, acaba desencadeando sarcopenia que é a perda da massa muscular, com concomitante perda da força e função muscular. Em idosos (60 anos ou mais) e sedentários, a sarcopenia pode resultar em fragilidade, maior risco de quedas e dificuldades funcionais. 

 

A ANVISA recomenta que os usuários desses medicamentos procurem atendimento médico imediato em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos que são os sintomas sugestivos de pancreatite.

 

Apesar do alerta atual e anteriores em relação ao uso de medicamentos análogos de GLP1, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula.

 

A ANVISA alerta que o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva significativamente o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce e complicações graves.

Profª. Drª. Adriana Pedrenho

Departamento de Ciências Fisiológicas, UFRRJ

Idealizadora da Nave Química Fisiológica

[email protected]

 

Por Ultima Hora em 13/02/2026
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