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O deputado estadual delegado Carlos Augusto (PL-RJ) gerou polêmica nesta quarta-feira ao declarar que "morreu pouco" na recente Megaoperação no Alemão e na Penha contra o CV.
A declaração foi feita durante entrevista, após sua participação em seminário sobre energias limpas realizado no Golfe Olímpico, onde defendeu a conexão entre qualificação profissional e redução da criminalidade.
Questionado sobre as operações de remoção de barricadas, o deputado foi enfático: "Você falou das barricadas, aquela operação, esse pessoal de direitos humanos, aquela operação morreu pouco, tá? Morreu pouco. Tá de fuzil dando tiro nas pessoas. Morreu pouco. Bandido não pode, pelo amor de Deus. São armas de guerra sendo empregadas contra moradores, contra pessoas decentes, contra policiais. Morreu pouco. Morreram poucos. Perdão."
A fala do parlamentar, representa uma defesa radical das operações policiais em curso no estado. Carlos Augusto justificou sua posição argumentando que criminosos utilizam "armas de guerra" contra a população e forças de segurança, defendendo a continuidade das ações com "muita força".
Durante o evento sobre energias limpas, o deputado destacou o programa Empregos Azuis como ferramenta de prevenção ao crime organizado. "Esse programa tem tudo a ver com segurança pública, porque hoje ele qualifica pessoas de quaisquer idades para 11 profissões diferentes", explicou, referindo-se ao programa que capacita trabalhadores para atuar no setor marítimo e energético fluminense.
O parlamentar enfatizou que o Rio de Janeiro possui a terceira maior costa do Brasil, com 635 quilômetros, além da maior produção de petróleo e gás do país. Segundo ele, a qualificação profissional representa uma forma eficaz de combater o crime em sua origem, evitando que jovens sem perspectiva ingressem na criminalidade.
Declarações polêmicas sobre operações policiais
As declarações de Carlos Augusto sobre as baixas em operações policiais contrastam com posicionamentos de organizações de direitos humanos, que criticam o uso excessivo da força pelas forças de segurança. O deputado, no entanto, manteve sua posição de que as operações devem continuar com intensidade máxima.
"Se Deus quiser, essas operações vão continuar e tem que continuar com muita força", declarou o parlamentar, defendendo uma abordagem que combine repressão ao crime organizado com investimentos em programas sociais. Para ele, a segurança pública deve atuar em "duas pontas": combatendo diretamente o crime e prevenindo seu surgimento através de qualificação e oportunidades.
O deputado criticou o que considera "vaidade política" no combate à criminalidade. "Parar de vaidade, parar com governo federal, governo estadual, partido A, partido B. Quando o cara vai te assaltar, ele não te pergunta se é direita ou esquerda", argumentou, pedindo união de esforços independentemente de orientação política.
Carlos Augusto defendeu que a segurança pública seja vista como "a última a errar" na cadeia de proteção social. "Falhou tudo aí, a segurança pública vai resolver. Para mim, ela é a última a errar", declarou, propondo uma abordagem integrada que inclua educação, empregabilidade, esporte e orientação familiar.
Análise sobre barricadas e estado paralelo
O deputado ofereceu uma análise detalhada sobre o papel das barricadas no fortalecimento do crime organizado. Segundo ele, esses obstáculos cumprem três funções estratégicas: atrasar o trabalho policial, transformar policiais em alvos durante operações de remoção e, principalmente, criar a percepção de um estado paralelo nas comunidades.
"Quando eles colocam as barricadas, eles fazem uma confusão mental na pessoa dizendo: 'Aqui o estado não chega mesmo'", analisou Carlos Augusto. Após a instalação das barricadas, grupos criminosos passam a oferecer serviços básicos como segurança, gás, água e internet, criando dependência da população local e legitimando sua presença.
"Eles criam um estado paralelo que é protegido por essas barricadas", explicou o deputado, ressaltando que a remoção desses obstáculos representa um simbolismo importante para o retorno efetivo do estado às comunidades carentes. Para ele, essa retomada deve vir acompanhada de serviços públicos essenciais que ofereçam alternativas reais à população.
O parlamentar enfatizou que muitas dessas comunidades nunca receberam presença adequada do estado, facilitando a instalação de poderes paralelos. "O estado nunca chegou direito nessas comunidades. Lá falta tudo", observou, defendendo que as operações sejam seguidas de investimentos em infraestrutura e serviços públicos.
Programa Empregos Azuis como alternativa
Durante sua participação no seminário de energias limpas, Carlos Augusto destacou o programa Empregos Azuis como modelo de prevenção ao crime através da qualificação profissional. O programa oferece capacitação em diversas áreas, incluindo soldador, operador de empilhadeira e taifeiro, entre outras profissões voltadas para o mercado marítimo e energético.
"Se qualificar para o mercado de trabalho é segurança pública", declarou o deputado, explicando que a iniciativa segue o princípio de "ensinar a pescar, não dar o peixe". Para ele, programas como esse são fundamentais para quebrar o ciclo que leva jovens sem perspectiva ao crime organizado.
O parlamentar defendeu que investimentos em qualificação profissional representam uma forma mais eficaz e duradoura de combater a criminalidade do que apenas operações repressivas. "À medida que nós façamos um combate nas duas pontas, se Deus quiser, a gente vai ter poucos produtos para se combater lá na frente", explicou.
Trajetória e posicionamento político
Carlos Augusto Nogueira Pinto, de 50 anos, é delegado de polícia e atua na política desde 2015. Foi eleito deputado estadual em 2018 pelo PSD com 56.969 votos, atualmente filiado ao Partido Liberal (PL). Durante sua carreira como delegado, atuou na 16ª DP da Barra da Tijuca, onde investigou casos de grande repercussão.
Como deputado, presidiu a Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da ALERJ e foi o primeiro a aprovar dois projetos de lei voltados ao combate às milícias no estado. Em 2020, foi convidado pelo então governador Wilson Witzel para ocupar o cargo de secretário de Polícia Civil, convite que declinou.
Suas declarações sobre as operações policiais refletem um posicionamento político que prioriza ações repressivas contra o crime organizado, mesmo quando geram controvérsia. O deputado mantém como principal bandeira a segurança pública, defendendo uma abordagem que combine repressão qualificada com investimentos em prevenção através de programas sociais.
Sobre o Seminário das Energias Limpas no Golfe Olímpico
Realizado pela Rede Criativa, com apoio da Seenemar e de outros parceiros, o evento reunirá especialistas, representantes do setor público e privado, pesquisadores para discutir soluções e práticas que impulsionem o uso de energias renováveis, o desenvolvimento tecnológico e políticas voltadas à sustentabilidade.
Com uma programação voltada à troca de experiências e ao diálogo entre diferentes áreas, o Seminário das Energias Limpas busca fortalecer a conscientização sobre os desafios e as potencialidades do estado na liderança da economia verde.
A iniciativa reforça o compromisso do Rio de Janeiro com um futuro mais limpo, eficiente e alinhado às metas globais de redução de emissões e preservação ambiental.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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