ASSISTA: Lindbergh Farias denuncia relatório como 'nova PEC da Blindagem' e alerta para riscos à segurança nacional

Relatório antifacção gera polêmica por condicionar operações policiais

Líder do PT critica proposta que condiciona atuação da Polícia Federal à autorização de governadores e vê tentativa de proteção política

O líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), classificou como "nova PEC da Blindagem" o relatório apresentado pelo deputado Guilherme Derrite sobre o Projeto Antifacção. A crítica do parlamentar petista se concentra nas limitações impostas à atuação da Polícia Federal, que passaria a depender de autorização prévia dos governadores estaduais para realizar operações.

Segundo Lindbergh Farias, o parecer de Derrite representa um retrocesso significativo no combate ao crime organizado no Brasil. O deputado alertou que a proposta enfraquece a autonomia investigativa da Polícia Federal, criando barreiras que podem beneficiar tanto políticos quanto organizações criminosas. "Os mesmos setores da política que defenderam a PEC da Blindagem estão enxertando esse tipo de articulação dentro do tema da segurança pública", declarou o líder petista.

A comparação com a PEC da Blindagem não é casual. Aquela proposta de emenda constitucional, derrotada no Senado, buscava restringir a abertura de investigações contra parlamentares. Para Lindbergh, o relatório de Derrite assume postura similar, porém disfarçada sob o pretexto de reorganizar o combate às facções criminosas. O parlamentar vê na proposta uma tentativa de criar proteção para agentes políticos envolvidos em investigações sensíveis.

O deputado citou como exemplo a Operação Carbono Oculto, que investigou esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo sua análise, se a Polícia Federal dependesse da autorização dos governadores, operações desta magnitude não ocorreriam. Lindbergh mencionou especificamente as dificuldades que poderiam surgir no Rio de Janeiro, onde o governador Cláudio Castro teria interferido para impedir investigações contra aliados políticos.

O aspecto constitucional também preocupa o líder do PT. Lindbergh ressaltou que a Polícia Federal deve atuar sem limitações políticas, preservando a autonomia necessária para investigar e combater crimes com independência. Ele criticou a criação de um "controle político perigoso" que abriria brechas para manipulações em investigações sensíveis envolvendo grandes empresas e figuras influentes do cenário nacional.

Além das questões operacionais, o relatório de Derrite promove alterações legislativas controversas. A proposta equipara práticas típicas de facções criminosas - como domínio territorial, ataques a forças de segurança e sabotagem de serviços públicos - a atos de terrorismo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão. Para especialistas jurídicos, essas condutas deveriam constar na Lei das Organizações Criminosas, não na Lei Antiterrorismo, gerando críticas por possíveis confusões jurídicas e insegurança no ordenamento legal.

No plano político, a indicação de Guilherme Derrite como relator pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, gerou desconforto no Ministério da Justiça e no governo federal. A percepção é de que as limitações propostas à Polícia Federal enfraquecem significativamente o enfrentamento ao crime organizado, comprometendo a eficácia das investigações em curso e futuras operações estratégicas.

A tensão em torno do relatório reflete disputas mais amplas sobre o papel das instituições de segurança no Brasil. Enquanto defensores da proposta argumentam pela necessidade de maior coordenação federativa, críticos como Lindbergh Farias veem riscos de politização excessiva das investigações criminais. O debate ganha relevância especial em um momento em que o país enfrenta desafios crescentes no combate ao crime organizado e à corrupção.

Para o líder petista, é fundamental que mudanças na legislação fortaleçam os órgãos responsáveis pelo combate ao crime - como Polícia Federal, Ministérios Públicos e forças estaduais - em vez de impor condicionantes que facilitem a proteção a políticos e redes criminosas. Ele defende que qualquer reforma deve evitar retrocessos em investigações cruciais para a segurança nacional e a preservação do Estado de Direito.

A discussão sobre o relatório de Derrite promete se intensificar nas próximas semanas, com diferentes setores políticos posicionando-se sobre as mudanças propostas. O desfecho do debate terá impactos diretos na autonomia das instituições de segurança e na capacidade do Estado brasileiro de enfrentar organizações criminosas cada vez mais sofisticadas e articuladas.

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Por Ultima Hora em 11/11/2025
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