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Governador cede à pressão parlamentar e mantém decisão de Bacellar para preservar governabilidade
O governador Cláudio Castro (PL) decidiu manter a exoneração do ex-secretário estadual de Transportes Washington Reis (MDB), encerrando uma semana de especulações e tensões políticas que ameaçavam abalar sua base de sustentação na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A decisão foi comunicada oficialmente a um grupo de deputados estaduais durante reunião no fim da tarde desta quarta-feira (9), quando o secretário estadual de Governo, André Moura, leu uma mensagem do governador para mais de 30 parlamentares da base aliada, incluindo o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil).
A crise teve início na semana passada quando Bacellar, exercendo o cargo de governador em exercício durante viagem internacional de Castro, decidiu exonerar Washington Reis da Secretaria de Transportes. O ato gerou imediata reação de diferentes grupos políticos da base governista, com pressões intensas pela reversão da demissão. O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou a defender publicamente a recondução de Reis ao cargo, intensificando as pressões sobre Castro e criando um impasse que colocou em xeque a coesão da aliança governista no estado.
Nos bastidores, a tensão se agravou pela atuação direta de Flávio Bolsonaro, que se reuniu separadamente com Bacellar e Reis, sugerindo posteriormente a Castro um gesto de reconciliação entre os dois aliados. A proposta foi mal recebida pelo presidente da Alerj, que interpretou a movimentação como uma tentativa de transferir para terceiros o ônus político da decisão. Essa percepção de Bacellar sobre a interferência externa em questões internas do Legislativo estadual contribuiu para endurecer sua posição e mobilizar ainda mais apoio entre os deputados.
O comunicado lido por André Moura revelou que Castro reconheceu que a saída de Reis já estava em discussão antes de sua viagem internacional, embora tenha considerado a ação de Bacellar "intempestiva". O governador também afirmou que a decisão atende a um pleito da base aliada e reiterou que "projetos políticos não podem ser guiados por interesses pessoais" - um recado indireto ao comportamento recente de Washington Reis, que fez aparições públicas ao lado de adversários do grupo político de Castro, gerando desconforto na aliança governista.
A crise colocou em evidência a força política de Rodrigo Bacellar dentro da base governista. Durante jantar promovido pelo presidente da Alerj na noite de quarta-feira, mais de 20 parlamentares - incluindo bolsonaristas do PL, deputados do Republicanos, do União Brasil e até da oposição, como Dani Monteiro (PSOL) - manifestaram apoio à sua posição. Na terça-feira, Castro já havia se reunido com a chamada "tropa de choque" de Bacellar - composta por Alan Lopes (PL), Alexandre Knoploch (PL), Filipe Poubel (PL) e Rodrigo Amorim (União) - sendo avisado que insistir no retorno de Reis poderia lhe custar o apoio de partidos-chave como União Brasil e PP, este último em vias de se federar com o partido de Bacellar. Essa demonstração de força parlamentar foi decisiva para que Castro optasse por não desautorizar o ato do presidente da Alerj, priorizando a governabilidade sobre eventuais compromissos pessoais ou pressões externas.
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