Canetas emagrecedoras – Um marco no tratamento da obesidade

Canetas emagrecedoras – Um marco no tratamento da obesidade

Há algum tempo eu publiquei aqui sobre medicamentos análogos ao GLP-1 (Peptídeo semelhante ao glucagon-1), como a semaglutida (Ozempic, Wegovy, Rybelsus) e a liraglutida (Victoza, Saxenda). Esses fármacos mimetizam a ação do hormônio GLP-1, potencializando a ação da insulina, de maneira dependente da glicose, ajudando a controlar o açúcar no sangue, diminuir o glucagon e retardar o esvaziamento gástrico.  Além do GLP-1, nosso organismo também produz outro hormônio que atua em conjunto com o GLP-1, chamado GIP (Polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose).

 

Esses hormônios GIP e GLP-1 são normalmente produzidos pelo intestino como reflexo a alguns tipos de alimentos. São chamados incretinas e colaboram para controlar o açúcar no sangue e o apetite, promovendo a saciedade.

 

Recentemente um novo queridinho que vem ocupando o sonho de consumo dos brasileiros devido ao amplo potencial para perda de peso é o Mounjaro (tirzepatida). O grande diferencial do Mounjaro é que a tirzepatida é um duplo agonista; enquanto o Ozempic e outros semelhantes agem apenas nos receptores para GLP-1, o Mounjaro também atua em receptores do GIP, o que pode resultar em maior perda de peso e saciedade. 

 

 Para a sua ação, os hormônios se ligam em seus receptores específicos. E é aí que encontramos algumas diferenças entre o GIP e o GLP-1. Embora existam receptores tanto para GIP como para GLP-1 em diferentes tecidos, no tecido adiposo não existem receptores para GLP-1, apenas para GIP e a ativação desses receptores nas células gordurosas pode promover o armazenamento saudável de triglicerídeos e ácidos graxos livres, o que potencializa a ação da tirzepatida focada no emagrecimento.

  Em busca de substâncias mais eficientes contra a diabetes e a obesidade, essa linha de medicamentos vem se destacando e já existe uma terceira geração desses medicamentos: a retratutida, que está em adiantada fase de ensaios clínicos e já é considerada a Godzilla para o tratamento de obesidade e diabetes tipo 2. A retratutida é um triplo agonista, atuando em receptores de GLP-1, GIP e também de Glucagon. Isso significa que o medicamento atua mimetizando a ação desses 3 hormônios importantes no controle do metabolismo, do apetite e da glicemia. Vários estudos clínicos, incluindo ensaios de fase 2 e fase 3, indicam que a retratutida pode conseguir levar a uma perda de peso superior a 20% do peso corporal, superando os resultados obtidos com outras medicações, o que colaborou para vir sendo considerada potencialmente o melhor remédio para emagrecer.

 

 Mas essa revolução não vai parar nas canetinhas não! O primeiro medicamento oral análogo ao GLP-1 foi lançado em 2019 pela farmacêutica Novo Nordisk (Rybelsus/semaglutida), sendo indicado para diabetes tipo 2. O principal obstáculo para medicamentos orais proteicos é que os medicamentos sejam digeridos pelo nosso trato digestivo. Para criar o Rybelsus, os pesquisadores usaram a tecnologia SNAC (Sodium N-(8-[2-hydroxybenzoyl] amino) caprylate), que protege a semaglutida, impedindo que ela seja totalmente degradada e também atua como facilitador da absorção gastrointestinal. Mas o primeiro medicamento oral que atua em receptores GLP-1 com indicação para obesidade é uma droga inovadora, desenvolvida pela farmacêutica Lilly, a orforgliprona que tem o grande diferencial de ser uma molécula sintética não peptídica, o que facilita muito quanto a absorção, fazendo com que ela seja mais potente. 

 

 Mas é importante lembrar que a utilização desses medicamentos deve ser orientada por um médico e o paciente deve seguir as recomendações para mudança comportamental, principalmente quanto à prática de exercícios físicos que auxilia no emagrecimento e na manutenção do mesmo. Também é importante que o paciente não faça jejuns prolongados, evitando o consumo da massa muscular, que nessas situações, é utilizada para fornecer glicose para o organismo. A utilização inadequada do medicamento pode resultar em perda de massa magra considerável.

Profª. Drª. Adriana Pedrenho

Departamento de Ciências Fisiológicas, UFRRJ

Idealizadora da Nave Química Fisiológica

Por Ultima Hora em 12/12/2025
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