Capoeira que cura: projeto no Rio ajuda quem tem Parkinson a voltar a se mexer com alegria e confiança

Capoeira que cura: projeto no Rio ajuda quem tem Parkinson a voltar a se mexer com alegria e confiança

Lá no centro do Rio de Janeiro, tem um grupo que se encontra duas vezes por semana com um objetivo muito especial: jogar capoeira. Mas não é qualquer roda, não. Essa é diferente, feita pra quem convive com o Parkinson, uma doença que afeta os movimentos e, muitas vezes, a autoestima também.

O projeto se chama “Parkinson na Ginga” e foi criado pela fisioterapeuta e capoeirista Rosimeire Peixoto. Ela teve uma sacada genial: por que não usar a capoeira — com sua música, seu balanço, seus gestos ritmados — pra ajudar quem tem Parkinson a se mexer melhor e se sentir mais vivo? E não é que funcionou?

A ginga da capoeira, aquele vai-e-volta com as pernas e o corpo todo, exige equilíbrio, atenção e coordenação. Tudo o que o Parkinson atrapalha. Mas ali, na batida do berimbau, os alunos vão ganhando confiança, mexendo o corpo e abrindo o sorriso.

Dona Nilma Teles, de 80 anos, é um exemplo desses que emocionam. Ela contou que antes das aulas vivia caindo. Agora, com a capoeira, ela não só parou de cair como se sente mais segura, mais leve. “A capoeira me dá liberdade. Voltei a viver”, disse ela, toda orgulhosa. Já seu colega Antônio, que antes precisava de ajuda até pra levantar, agora anda sozinho e fala com o peito cheio: “É a melhor coisa que já me aconteceu”.

Mas não é só o corpo que melhora. A alma também agradece. No final das aulas, tem samba, tem bolo, tem papo. É um momento de carinho, de escuta, de roda de afeto. Porque quem enfrenta uma doença como essa precisa de muito mais do que remédio. Precisa de gente, de afeto, de pertencimento.

Rosimeire explica que tudo isso tem base científica. Quando a gente se mexe no ritmo da música, o cérebro encontra outros caminhos pra mandar os comandos pro corpo. “É como trocar o celular de uma mão pra outra. Você ativa outro lado do cérebro. A capoeira faz isso o tempo todo, só que com o corpo inteiro em movimento”, diz ela.

E quem acompanha de perto também confirma. O neurologista Eduardo Nascimento, que participa do projeto, diz que o ritmo ajuda o cérebro a se reorganizar. A pessoa vai aprendendo a driblar as limitações da doença. E o melhor: tudo isso com música, com alegria, com gente junto.

O “Parkinson na Ginga” é mais do que uma aula. É uma roda de esperança. E Rosimeire sonha em levar isso pra mais lugares. Por enquanto, o projeto segue firme no Rio, mostrando que, com ginga e carinho, dá sim pra viver melhor — mesmo com Parkinson.

Por: Arinos Monge.

Por Ultima Hora em 16/07/2025
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