Carlos Minc denuncia ataques de radicais religiosos após criticar roda de oração de PMs

Deputado estadual do PSB afirma ser vítima de campanha coordenada por setores bolsonaristas e religiosos radicalizados

O deputado estadual Carlos Minc (PSB/RJ), ex-ministro do Meio Ambiente e autor de mais de 250 leis aprovadas, denunciou estar sendo alvo de ataques coordenados por setores radicalizados religiosos e bolsonaristas após criticar uma roda de oração realizada por policiais militares no Largo do Machado. O parlamentar, que se define como "ecolibertário", afirma que os ataques têm ocorrido tanto na Assembleia Legislativa quanto nas redes sociais.

A polêmica teve início quando Minc denunciou publicamente a realização de uma roda de oração de policiais militares no Largo do Machado, questionando a mistura entre função pública e manifestação religiosa. Desde então, o deputado relata ter se tornado alvo de uma campanha de ataques que envolvem diferentes setores da sociedade, incluindo grupos religiosos radicalizados e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O caso ganhou nova dimensão quando um setor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) emitiu nota de repúdio criticando Minc por supostamente praticar intolerância religiosa. Esta manifestação surpreendeu o deputado, que possui histórico extenso de defesa da liberdade religiosa e combate à intolerância, conforme destacou em sua resposta às críticas.

Minc enfatizou sua trajetória de seis anos presidindo a Comissão Contra a Intolerância Religiosa e o Racismo da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Durante este período, o parlamentar desenvolveu trabalho consistente na defesa dos direitos religiosos e no combate a todas as formas de discriminação baseada em crenças ou origem étnica.

O deputado também destacou ser autor da lei que estabelece punições para estabelecimentos que praticam ou consentem intolerância religiosa ou racismo. Esta legislação representa marco importante na proteção dos direitos fundamentais no estado do Rio de Janeiro, demonstrando o compromisso histórico de Minc com a defesa da diversidade religiosa e étnica.

Além disso, Minc é responsável pela autoria da lei que determina a existência de unidades especializadas da delegacia de combate à intolerância e ao racismo em cidades do interior fluminense. Esta medida ampliou significativamente o alcance da proteção legal contra discriminação, levando estes serviços especializados para além da capital.

O parlamentar fez questão de estabelecer distinção fundamental entre liberdade religiosa e o que considera movimento perigoso de transformação de dogmas religiosos em política de Estado. Segundo Minc, esta confusão representa "o caminho certo para a teocracia", alertando para os riscos de misturar poder público com manifestações religiosas específicas.

A denúncia de Minc sobre a roda de oração de policiais militares levanta questões importantes sobre os limites da expressão religiosa no exercício de funções públicas. O debate envolve a interpretação do princípio constitucional da laicidade do Estado e como este deve ser aplicado nas atividades de servidores públicos em exercício.

A reação adversa à posição de Minc ilustra a polarização existente na sociedade brasileira em torno de temas que envolvem religião e política. O deputado se encontra no centro de uma controvérsia que reflete tensões mais amplas sobre o papel da religião na esfera pública e os limites da liberdade de expressão religiosa.

A manifestação de setores da OAB contra Minc demonstra como mesmo instituições tradicionalmente defensoras dos direitos fundamentais podem ter interpretações divergentes sobre casos específicos envolvendo liberdade religiosa. Esta divisão evidencia a complexidade dos debates sobre laicidade e tolerância religiosa no Brasil contemporâneo.

Os ataques sofridos por Minc nas redes sociais refletem um padrão observado em outros casos envolvendo figuras públicas que questionam a influência religiosa na política. O uso das plataformas digitais para coordenar campanhas de intimidação tornou-se estratégia comum de grupos radicalizados para silenciar vozes dissidentes.

A experiência de Minc como ex-ministro do Meio Ambiente no governo Lula adiciona dimensão política aos ataques que vem sofrendo. Sua trajetória como ambientalista e defensor de causas progressistas o torna alvo natural de grupos bolsonaristas que se opõem sistematicamente a estas pautas.

O histórico legislativo de Minc, com mais de 250 leis aprovadas, demonstra sua capacidade de transformar bandeiras políticas em marcos legais concretos. Esta produtividade parlamentar, especialmente em temas sensíveis como direitos humanos e meio ambiente, pode explicar parte da resistência que enfrenta de setores conservadores.

Santa dos ciganos é depredada no Parque Garota de Ipanema em ato de intolerância religiosa

Imagem de Santa Sara Kali foi vandalizada junto com escultura de Iemanjá, configurando crime contra tradições religiosas e culturais

A Comissão do Cumpra-se! da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) denunciou com veemência a depredação da imagem de Santa Sara Kali, padroeira dos ciganos, localizada no Parque Garota de Ipanema. O ato criminoso representa não apenas vandalismo comum, mas configura crime de intolerância religiosa e ataque direto à cultura e tradição do povo cigano, historicamente perseguido ao longo dos séculos.

O episódio ganhou contornos ainda mais graves com a descoberta de que, no mesmo local, foi deixada uma imagem de Iemanjá com os braços deliberadamente mutilados. Esta evidência comprova que o ataque não se restringiu a uma única manifestação religiosa, mas expressa ódio sistemático contra diferentes expressões de fé e identidade cultural presentes na sociedade brasileira.

A depredação de Santa Sara Kali representa um golpe direto contra a comunidade cigana, que já enfrenta séculos de perseguição, preconceito e marginalização social. A santa, venerada pelos ciganos como protetora e guia espiritual, simboliza a resistência e a identidade cultural de um povo que mantém suas tradições vivas apesar das adversidades históricas enfrentadas.

O Parque Garota de Ipanema, local onde ocorreu o crime, é tradicionalmente utilizado para manifestações religiosas e culturais diversas, representando um espaço de tolerância e convivência pacífica entre diferentes grupos sociais. A violação deste ambiente de harmonia religiosa constitui ataque direto aos princípios de liberdade de culto e diversidade cultural que fundamentam a sociedade democrática brasileira.

A mutilação da imagem de Iemanjá, orixá cultuada nas religiões de matriz africana, evidencia que os perpetradores do crime agiram com conhecimento específico sobre as tradições religiosas atacadas. A escolha deliberada de danificar os braços da divindade demonstra intenção clara de profanar símbolos sagrados e causar máximo impacto psicológico nas comunidades atingidas.

A Comissão do Cumpra-se! da Alerj classificou corretamente o episódio como crime de intolerância religiosa, enquadramento legal que reconhece a gravidade específica de ataques motivados por preconceito religioso. Esta tipificação é fundamental para garantir que o caso receba tratamento adequado pelas autoridades policiais e judiciais competentes.

O comunicado da comissão enfatiza que a intolerância religiosa "nasce do preconceito e da desinformação", identificando as raízes sociais e culturais que alimentam este tipo de crime. Esta análise aponta para a necessidade de ações educativas e de conscientização como estratégias fundamentais para prevenir novos episódios de violência religiosa.

A proposta de combater a intolerância "com educação, respeito e solidariedade" representa abordagem abrangente que vai além da simples punição criminal. Esta perspectiva reconhece que a solução duradoura para o problema exige transformação cultural profunda, baseada no conhecimento mútuo e no reconhecimento da dignidade de todas as tradições religiosas.

A Comissão do Cumpra-se! reafirmou seu compromisso de acompanhar de perto o caso junto à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), órgão especializado da Polícia Civil responsável pela investigação deste tipo de crime. Este acompanhamento institucional é fundamental para garantir que o caso não seja negligenciado ou arquivado sem investigação adequada.

A atuação da Decradi será crucial para identificar os responsáveis pelo crime e esclarecer as motivações específicas do ataque. A especialização desta delegacia em crimes de intolerância permite investigação mais qualificada, considerando as particularidades legais e sociais envolvidas neste tipo de delito.

O caso da depredação no Parque Garota de Ipanema insere-se em contexto mais amplo de crescimento da intolerância religiosa no Brasil, fenômeno que tem atingido especialmente religiões de matriz africana e grupos minoritários como os ciganos. Esta tendência preocupante exige resposta coordenada das instituições públicas e da sociedade civil.

A comunidade cigana brasileira, estimada em centenas de milhares de pessoas, mantém tradições culturais e religiosas milenares que enriquecem a diversidade nacional. Os ataques contra seus símbolos sagrados representam tentativa de apagamento cultural que deve ser firmemente rejeitada por toda a sociedade democrática.

A localização do crime em área nobre da cidade do Rio de Janeiro, frequentada por turistas e moradores de diferentes classes sociais, demonstra que a intolerância religiosa não se restringe a áreas periféricas, mas pode manifestar-se em qualquer espaço urbano. Esta constatação exige vigilância constante e ações preventivas em todos os territórios da cidade.

Por Ultima Hora em 02/09/2025
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