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Nova Iguaçu começou a escrever uma nova página em sua história de inclusão e respeito. Na manhã desta quarta-feira (18), os vereadores Douglas Nadaes e Maurício Morais deram voz a quem convive, diariamente, com uma dor que não aparece nos exames, mas que transforma vidas: a fibromialgia. A Câmara Municipal aprovou em primeira discussão o projeto de lei que reconhece a condição como deficiência funcional, garantindo às pessoas com fibromialgia os mesmos direitos já assegurados a outras deficiências.
A fibromialgia é uma síndrome crônica que provoca dor generalizada por todo o corpo, além de fadiga intensa, distúrbios do sono, rigidez muscular e alterações cognitivas — o famoso “nevoeiro mental”. O mais difícil é que, por não haver um marcador biológico claro, o diagnóstico é demorado e o preconceito é frequente. Muitas dessas pessoas são chamadas de preguiçosas, acusadas de exagero, quando na verdade estão travando uma batalha diária dentro do próprio corpo.
E é aí que entra a importância do projeto: dar nome, rosto e direitos a quem, por muito tempo, teve a dor ignorada. O texto apresentado por Douglas e Maurício não só reconhece a fibromialgia como garante prioridade de atendimento, acesso facilitado a tratamentos, inclusão em políticas públicas de saúde, mobilidade urbana e acolhimento em todos os equipamentos públicos. Um verdadeiro divisor de águas.
Segundo estimativas baseadas nos dados do SUS e da Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 3% da população brasileira vive com fibromialgia — isso representa, aproximadamente, 4 milhões de pessoas em todo o país. No Estado do Rio, esse número gira em torno de 510 mil. Em Nova Iguaçu, com seus quase 800 mil habitantes, estima-se que mais de 23 mil pessoas sofram com a síndrome. E o mais impactante: entre 75% e 90% dos casos afetam mulheres, principalmente na faixa entre 25 e 50 anos.
Durante a sessão, Douglas Nadaes foi direto ao ponto:
“Essa é uma dor silenciosa, mas gritante para quem sente. Nosso dever como legisladores é dar visibilidade, garantir dignidade e construir caminhos para que essas pessoas tenham qualidade de vida.”
Já Maurício Morais destacou o lado humano da proposta:
“É uma vitória da empatia. Porque não basta sentir a dor do outro, é preciso fazer algo com isso. Esse projeto é um passo concreto na direção certa.”
A fibromialgia, embora invisível aos olhos, pode deixar sequelas profundas: isolamento social, depressão, ansiedade, perda da capacidade produtiva e rompimento de vínculos. No serviço público de saúde, ainda há muitas lacunas no atendimento a esses pacientes. A nova lei, se aprovada em segunda votação, deve ajudar a preencher essas falhas e direcionar recursos para onde a dor está — e não onde os números frios mostram.
A proposta também visa à formação de profissionais para lidar melhor com o diagnóstico e o tratamento da doença, que é multifatorial. Além de medicamentos como pregabalina, duloxetina ou amitriptilina, o tratamento ideal passa por fisioterapia, psicoterapia, atividade física, alimentação balanceada e, principalmente, escuta qualificada. O simples fato de ser levado a sério já alivia uma parte dessa dor.
Com esse projeto, Nova Iguaçu se junta a outras cidades do Brasil que estão compreendendo que políticas públicas precisam enxergar também o que não é visível. E mais: reforça a importância de termos representantes que escutam as ruas, os relatos silenciosos, os pedidos não ditos.
Que a dor da fibromialgia sirva, agora, como catalisadora de um debate maior sobre saúde, acolhimento e humanidade. Porque quem sente na pele — ou melhor, nos nervos, nos músculos e na alma — sabe que ser reconhecido é o primeiro passo para começar a viver com dignidade.
E em Nova Iguaçu, esse passo já foi dado. Que venha a segunda votação. Que venham os direitos. Que venha o alívio.
Por: Arinos Monge.
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