Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
Ninguém quer ver preto rico': Coordenador de Direitos Humanos da ALERJ expõe expõe racismo por trás da perseguição
João Luis Silva, coordenador da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ e ativista social, apresentou uma análise contundente sobre a perseguição aos artistas do funk durante audiência pública na assembleia. O bacharel em Direito e cofundador do movimento "Eu sou Eu" defendeu que a criminalização dos MCs está diretamente relacionada à sua ascensão social e financeira.
O Coordenador, que assumiu a coordenação em 2023 seguindo o legado de Marielle Franco, propôs uma tese polêmica: o sistema persegue artistas periféricos porque não aceita vê-los dividindo espaços com a elite. A audiência busca aprovar projeto de lei para proteger artistas que expressam a cultura das favelas.
Legado de Marielle Franco na luta pelos direitos humanos
João Luis Silva assumiu a coordenação da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ em 2023, carregando a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho de Marielle Franco. "A coordenação da Comissão de Direitos Humanos foi um lugar ocupado por Marielle Franco, que deixa um legado para nós e que a gente procura seguir", declarou emocionado.
O ativista expressou certeza de que, se Marielle estivesse viva, ela estaria se somando ao movimento para defender que "artista popular, artista favelado, periférico, não é bandido". Essa referência ao legado da vereadora assassinada reforça a continuidade da luta pelos direitos das populações marginalizadas e pela proteção da cultura periférica no Rio de Janeiro.
Tese sobre perseguição por ascensão social
O coordenador apresentou uma análise provocativa sobre os verdadeiros motivos da criminalização dos MCs nos últimos anos. "Ninguém quer ver um favelado, um preto, ascendendo socialmente, dividindo o espaço com a classe rica, com a classe burguesa", afirmou Silva.
Ele citou exemplos concretos: "O Oruan não é mais do Complexo do Alemão, o MC Poze não é mais do Rodo. Eles moram na Barra". Para o ativista, um sistema que historicamente priva essas pessoas da riqueza e do luxo não aceita vê-las dividindo o mesmo espaço em condomínios de elite. Por isso, seria necessário persegui-las para reafirmar "o lugar de onde vieram e para onde irão", impedindo que a cidade seja um lugar de pertencimento para esses artistas.
Criminalização da arte como perseguição estatal
Silva foi categórico ao denunciar a perseguição sistemática contra artistas periféricos como uma ação estatal organizada. "Temos muito claro e evidenciado uma perseguição que tem havido contra as pessoas que promovem a cultura, que potencializam essa cultura periférica", declarou.
Segundo ele, essa perseguição tem levado artistas ao sistema prisional, configurando uma criminalização injusta da arte favelada. O coordenador enfatizou que "MC não é bandido, MC é artista" e que suas músicas apenas retratam "a realidade da qual eles vêm, a realidade e a perspectiva de vida que tiveram". Para Silva, não há crime em expressar essa realidade, pois a Constituição prevê a liberdade de expressão.
Narrativa alternativa versus grande mídia
O ativista explicou o sucesso dos MCs nas plataformas digitais como resultado de uma comunicação autêntica com seu público. "Eles falam o linguajar da favela, eles falam o linguajar do moleque da periferia, eles falam o mesmo dialeto que os moleques estão habituados", analisou Silva.
Segundo ele, esses artistas trazem "uma narrativa totalmente oposta ao que os meios de comunicação trazem", mostrando que existe "uma potência, uma inteligência muito grande dentro desse espaço tão marginalizado". Para o coordenador, a grande mídia prefere mostrar "o helicóptero sobrevoando, dizendo que tem alguém de tornozeleira com fuzil atravessado" ao invés de reconhecer a realidade cultural das comunidades.
Projeto de lei para proteção dos artistas
Para finalizar, João Luis Silva explicou os próximos passos da campanha "MC não é bandido". A iniciativa está coletando assinaturas do público geral, principalmente de MCs e artistas de diferentes níveis de expressão, para aprovar um projeto de lei. O objetivo é "garantir que essas pessoas, obviamente aquelas que estão expressando suas vidas, expressando sua cultura, elas não sejam perseguidas e que seja garantido o direito delas de prestar esse serviço".
O coordenador enfatizou que se trata do "direito e o serviço da cultura", buscando proteção legal para artistas que apenas exercem sua profissão de forma legítima. Essa iniciativa representa um marco na luta pela institucionalização da proteção aos direitos culturais das populações periféricas.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Notícias exclusivas e ilimitadas
O Última Hora Online reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.
Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!
Entre para os nossos grupos de WhatsApp CLIQUE AQUI PARA ENTRAR
#JoaoLuisSilva #DireitosHumanos #MCNaoEBandido #MarielleVive #AscensaoSocial #CulturaFavelada #PeriferiaPotente #LiberdadeArtistica #ALERJ #JusticaSocial
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!