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Tem coisa que parece até piada pronta — e, vamos combinar, se não for humor, a gente chora. Todo ano aparece um pacote mágico de ‘redução de gastos’, mas sabe como é: eles começam pelo bolso do povo, nunca pelo contracheque de quem vive no ar-condicionado institucional.
A pergunta que não quer calar: por que eles querem reduzir o que já está reduzido? Porque o salário do trabalhador já virou dieta forçada. O povo vive de miojo, eles vivem de lagosta — mas o corte, claro, é no miojo.
Enquanto isso, lá no topo da torre de cristal, nada de cortar salários de marajás, nada de revisar o condomínio infinito da Justiça, nada de repensar a floresta amazônica de varas, MPs, MPFs, tribunais, conselhos, assessores, assessores dos assessores e secretários do secretário. Tudo isso custa caro — mas o rombo, curiosamente, sempre aparece no posto de saúde, na fila do INSS e no contracheque do cidadão que acorda às 5h da manhã.
E aí, como sempre, o script é o mesmo:
“Precisamos cortar gastos!”
Mas não são os deles.
Nunca são os deles.
Cortar emendas parlamentares? Nem pensar.
Reduzir salário ao teto do mínimo? Só se for o seu.
Passagens, viagens, hotéis, diária, mordomia? Jamais — isso é “essencial para o exercício da função”, disse um ex deputado em suas redes mais vermelho que tomate de festa.
Enquanto isso, o povo trabalhador vira o suspeito oficial da República:
Frauda a Previdência, frauda o banco, frauda tudo — até respirou errado, já suspeitam de fraude.
Mas quando o escândalo envolve estatais, bancos, ministérios, poderes, bilhões…
Aí vira “desvio”, “inconsistência”, “erro administrativo”, e o máximo que acontece é um pedido de desculpa com direito a coletiva, reclamou a aposentada Maria do Socorro.
E o teatro continua:
O sujeito poderoso é preso de manhã, solto à tarde, volta com tornozeleira que apita mais do que micro-ondas, depois vai “se tratar” em hospital particular…
E no fim, vira quase um resort penal.
Tudo cronometrado, tudo ensaiado — só falta a pipoca.
Enquanto isso, o trabalhador segue firme:
É sempre ele que paga a conta, carrega o piano, limpa o palco e ainda leva a culpa quando falta luz.
E agora vem mais um pacote de cortes “para salvar as contas públicas”.
Olha… se cortar resolvesse, o povo já estaria milionário de tanto que tiram dele.
A real é simples:
Querem cortar? Comecem por onde dói menos — neles.
Emendas, penduricalhos, salários fora da realidade, viagens turísticas travestidas de missão oficial, e essa lista de privilégios que daria para encher três ônibus de turista.
Mas coragem política, ao contrário de verba, eles não fabricam.
Até lá, seguimos nós — os “vilões” que pagam imposto, não viajam com verba pública e ainda ouvem sermão de quem nunca pegou um ônibus às 6h da manhã.
E no fim, como sempre:
O couro come é nas costas do povo.
Fonte: Redes Sociais.
Por: Arinos Monge.
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