CPI das Câmeras da Alerj prende 2 Empresários e expõe esquema Milionário de Proteção Veicular

CPI Prende Empresários e Expõe Esquema de R$ 124 Milhões no Rio

CPI das Câmeras da Alerj prende 2 Empresários e expõe esquema Milionário de Proteção Veicular

Investigação Revela Pagamentos a Criminosos e Movimentação Suspeita de R$ 124 Milhões por Associação "Sem Fins Lucrativos"

A CPI das Câmeras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) determinou nesta segunda-feira (22) a prisão de dois empresários ligados a seguradoras de proteção veicular, em mais um capítulo da investigação que vem expondo um complexo esquema de irregularidades no setor. Como diz o ditado popular, "mentira tem perna curta" - e as mentiras contadas durante os depoimentos estão levando seus autores direto para a cadeia.

Sérgio Belo David, que se recusou a prestar depoimento, e Thiago Lima Menezes, acusado de falso testemunho, foram encaminhados para a 4ª Delegacia de Polícia no Centro do Rio. Ambos são empresários do setor investigado pela comissão parlamentar que tem revelado práticas criminosas envolvendo milhões de reais.

MC Poze no Centro das Atenções

Em uma reviravolta que mistura o mundo do crime com o universo artístico, a CPI decidiu convidar o cantor MC Poze para prestar esclarecimentos sobre o roubo e a rápida recuperação de seu carro, ocorrida em poucas horas. O caso levanta suspeitas sobre como essas empresas conseguem recuperar veículos tão rapidamente em áreas controladas pelo tráfico.

Como observa a sabedoria popular, "quando a esmola é demais, o santo desconfia" - e a velocidade dessas recuperações está chamando a atenção dos investigadores.

Família David: O Império dos R$ 124 Milhões

O caso mais emblemático envolve a família David e a Associação Rio Ben Benefícios. Sérgio David foi convocado após sua filha, Nathália David, presidente da associação, admitir em depoimento anterior que desconhecia suas próprias funções e assumiu o cargo por indicação do pai e de um tio.

A quebra de sigilo bancário revelou movimentações financeiras astronômicas: mais de R$ 124 milhões no último ano por uma associação supostamente "sem fins lucrativos". Entre os gastos questionáveis, destaca-se um pagamento de R$ 20 mil ao McDonald's - valor que faria qualquer contador franzir a testa.

O mais irônico é que Paulo David, um dos irmãos envolvidos no esquema, chegou a receber auxílio emergencial durante a pandemia de Covid-19 em 2020, mesmo com a família movimentando milhões através da associação.

O Esquema dos Resgates Criminosos

O deputado Filippe Poubel (PL), relator da CPI, revelou detalhes chocantes sobre como funciona o esquema de pagamentos a criminosos. Após oitiva realizada no Complexo Penitenciário de Gericinó com presos por roubo de veículos, os detentos confirmaram a existência de uma verdadeira "tabela de preços" para resgates.

"Existe uma tabela de preço: cerca de 10% do valor do carro na tabela FIPE. Ou seja, uma caminhonete de R$ 300 mil ou R$ 400 mil tem resgate de 30 a 40 mil reais, indo direto para o traficante", explicou Poubel.

Essa prática transformou o crime em um negócio ainda mais lucrativo, contribuindo diretamente para o aumento dos roubos no estado. Como diz o povo, "quem planta vento, colhe tempestade" - e essas empresas estão alimentando exatamente a criminalidade que dizem combater.

Policiais na Folha de Empresas Privadas

Outro ponto grave revelado pela investigação é a participação de policiais militares em empresas privadas de recuperação de veículos. O major Paulo Fernandes, marido da empresária Lidiane Ferreira (dona da Black Howk), confirmou que auxiliava a empresa com informações estratégicas de segurança e chegou a atuar diretamente em resgates durante seus dias de folga.

O deputado Luiz Paulo (PSD) foi categórico na crítica: "Essa é uma função de Estado, indelegável, que não pode ser transferida a interesses privados. Qualquer atuação fora da corporação põe em risco a imparcialidade, a segurança pública e a confiança da sociedade na instituição."

Sonegação em Tempos de Crise Fiscal

O deputado Rodrigo Amorim (União) destacou outro aspecto grave: as suspeitas de sonegação de impostos municipais, estaduais e federais. "O Estado se encontra em Regime de Recuperação Fiscal e não podemos fechar os olhos para esse cenário de sonegação", pontuou.

É como diz o ditado: "em casa de ferreiro, espeto de pau" - enquanto o estado enfrenta crise fiscal, empresários sonegam milhões em impostos que poderiam ajudar a resolver os problemas públicos.

A Seriedade da Investigação

O presidente da CPI, deputado Alexandre Knoploch (PL), enfatizou a gravidade dos trabalhos: "Estamos diante de uma investigação séria, que vem enfrentando máfias no Rio de Janeiro. O que mais nos chamou atenção é como muitos chegam dispostos a faltar com a verdade."

Knoploch lembrou que mentir em CPI constitui falso testemunho, previsto no artigo 342 do Código Penal, e que todas as informações estão sendo rigorosamente apuradas.

O Círculo Vicioso do Crime

A investigação revela um círculo vicioso perverso: empresas de proteção veicular pagam criminosos para recuperar carros roubados, o que incentiva mais roubos, gerando mais "clientes" para essas mesmas empresas. É um negócio que cresce alimentando o próprio problema que deveria resolver.

Como observa a sabedoria popular, "o pior cego é aquele que não quer ver" - mas a CPI está forçando todos a enxergarem a realidade por trás desse esquema milionário.

Próximos Passos

A CPI continuará suas investigações com o objetivo de subsidiar medidas legais e administrativas que possam coibir essas práticas ilegais. O relatório final da comissão promete ser um documento explosivo que pode mudar completamente o cenário da segurança pública e proteção veicular no Rio de Janeiro.

A presença de MC Poze na próxima oitiva promete adicionar novos elementos a essa investigação que já se tornou um dos casos mais emblemáticos da Alerj, mostrando como o crime organizado se infiltrou em setores que deveriam combatê-lo.


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Por Ultima Hora em 23/09/2025
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