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Parecer da Agenersa revela que concessionária paralisou completamente a ETE da Barra há dois anos, causando danos ambientais graves ao Bosque da Barra e às praias da região
Decisão econômica causou desastre ambiental
Um parecer técnico da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) revelou que a concessionária Iguá Saneamento tem despejado esgoto sem nenhum tratamento diretamente no mar durante as obras de ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Barra da Tijuca. Segundo o documento, a decisão foi tomada por "questões basicamente econômicas" e resultou na paralisação total do tratamento de esgoto desde junho de 2022.
A Agenersa contestou o argumento da Iguá de que seria tecnicamente inviável manter o funcionamento parcial da estação durante a reforma, que já se arrasta por dois anos. O procedimento padrão em sistemas desse tipo exige a remoção de sólidos e material flutuante antes do lançamento via Emissário Submarino, que deveria levar o esgoto para 4 a 5 quilômetros da costa. Sem esse tratamento mínimo, o risco de contaminação aumenta drasticamente.
Bosque da Barra: de paraíso a "terra das moscas"
Os impactos ambientais já são visíveis no Bosque da Barra, outrora um dos parques mais frequentados da região e que hoje, segundo moradores, "literalmente está às moscas". O parecer da Agenersa indica que a Iguá rebaixou o lençol freático durante as obras, causando o secamento dos lagos do Bosque.
Um relatório da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima classificou os danos à fauna e à flora local como "profundos, difíceis de medir e, em muitos casos, irreparáveis". A situação é tão grave que foram solicitadas medidas compensatórias emergenciais, incluindo:
- Alimentação artificial de jacarés-do-papo-amarelo
Plantio de 20 mil mudas nativas
Reintrodução de peixes como acará, traíra e tetra-amarelo após a recuperação dos níveis d'água
Especialistas confirmam crime ambiental
O biólogo Marcello Mello não hesitou em classificar a conduta como crime ambiental: "Se o esgoto está sendo lançado in natura, com material sólido no mar, isso tem grande chance de causar impacto para a fauna marinha e para os frequentadores das praias".
O professor Adacto Ottoni, da UERJ, reforçou a preocupação e defendeu a necessidade de monitoramento imediato do que está sendo lançado no oceano, alertando para os riscos à saúde pública e ao ecossistema marinho.
Múltiplas infrações e multas milionárias
O parecer da Agenersa também aponta que a Iguá descumpriu 13 cláusulas contratuais, entre elas a omissão de informações sobre os impactos nas águas do entorno. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente já havia multado a concessionária em R$ 5 milhões pelos danos ao Bosque da Barra.
Esta não é a primeira vez que a ETE da Barra aparece no centro de polêmicas ambientais. Antes mesmo da concessão, a estação foi citada em multa de R$ 20 milhões aplicada pelo Ministério Público Federal na fase pré-leilão da Cedae.
Posicionamentos oficiais
O Governo do Estado declarou que aguarda apuração rigorosa por parte da Agenersa e demais órgãos competentes. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que acompanha a obra e também multou a Iguá por não prestar informações sobre os impactos no Bosque, com valor a ser definido durante o processo.

A Iguá Saneamento, por sua vez, afirmou que ainda não foi formalmente notificada sobre o teor do parecer da Agenersa e que irá se manifestar nos fóruns cabíveis.
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