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Mais de 200 servidores são exonerados em edição extra do Diário Oficial que incluiu filho e ex-esposa do ex-governador
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) promoveu uma das maiores reformulações administrativas de sua história. Em edição extra do Diário Oficial publicada na noite desta terça-feira (6), 204 funcionários foram demitidos de uma só vez, incluindo familiares do ex-governador Sérgio Cabral, atualmente preso por corrupção.
Família Cabral no centro da "faxina"
Entre os dispensados estão Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador, que atuava como assistente da assessoria da presidência, e Suzana Neves, ex-esposa de Sérgio Cabral, que ocupava o cargo de assessora na diretoria-geral da Alerj. A demissão dos familiares simboliza o fim de uma era de influência política que perdurava há décadas na Casa.
As exonerações representam um corte profundo nas estruturas de poder estabelecidas ao longo dos anos. Muitos dos cargos ocupados pelos demitidos permaneceram praticamente intocados por décadas, mesmo com as sucessivas mudanças de presidência na Assembleia.
Operação atinge figuras políticas de destaque
A lista de demissões não se limitou à família Cabral. Rafael Diniz, ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, foi exonerado da Subdiretoria de Informática, enquanto Filipe Albernaz Mothé, ex-procurador-geral da Câmara de Campos, deixou a Subdiretoria de Assuntos Legislativos.
Também foram dispensados os chefes dos departamentos de Cerimonial, Comunicação Social, Controle Interno, Engenharia e Material, demonstrando o alcance da reformulação promovida pela nova gestão.
Delaroli assume e promove "varredura administrativa"
As demissões fazem parte de uma ampla reestruturação conduzida pelo presidente em exercício Guilherme Delaroli (PL), que assumiu o comando da Alerj após a prisão de Rodrigo Bacellar (União) em dezembro de 2025. Delaroli implementou mudanças que começaram pelos escalões superiores e agora atingem os níveis intermediários da administração.
A estratégia de Delaroli busca renovar completamente os quadros da Assembleia, eliminando vínculos políticos antigos e estabelecendo uma nova estrutura administrativa. As mudanças já haviam começado mais cedo, com ajustes pontuais em cargos da Procuradoria e dos departamentos de Comunicação, Finanças e Transporte.
Sérgio Cabral nega influência atual
Em nota oficial, o ex-governador Sérgio Cabral negou ter qualquer ingerência sobre as decisões administrativas da Alerj. "Deixei a presidência da Alerj em janeiro de 2003 para assumir o mandato de senador da república. Desde então, não tenho qualquer ingerência sobre as decisões administrativas de lá", afirmou.
A declaração busca distanciar o ex-governador das nomeações de seus familiares, embora especialistas apontem que a permanência deles nos cargos por tanto tempo indica a manutenção de redes de influência política mesmo após sua saída da presidência da Casa.
Contexto político e jurídico
As demissões ocorrem em um momento de crise institucional na Alerj, com a prisão do ex-presidente Rodrigo Bacellar por suspeitas de corrupção. A situação reforça a necessidade de transparência e renovação nos quadros da Assembleia, conforme defendido pela nova gestão.
O caso também se insere no contexto mais amplo dos desdobramentos da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, que resultou na prisão de Sérgio Cabral e de diversos políticos fluminenses por esquemas de corrupção que duraram anos.
Fontes:
Acessa.com
Jornal de Brasília
ICL Notícias
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