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Vereador bolsonarista enfrenta ofensiva para cassação em reduto petista do Rio

A tensão política em Maricá, tradicional reduto petista na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, atingiu um novo patamar com o pedido de cassação do mandato do vereador Ricardinho Netuno (PL), único parlamentar de oposição na Câmara Municipal. O processo, protocolado na última quarta-feira (6), foi apresentado pelos vereadores governistas Hadesh (PT), líder do governo, Felipe Auni (PSD) e Igor Corrêa (PCdoB), evidenciando a estratégia da base aliada do prefeito Washington Quaquá para silenciar a principal voz crítica ao governo municipal.
O episódio que motivou o pedido de cassação envolveu um confronto verbal entre Netuno e Hadesh durante sessão plenária, quando o vereador do PL chamou o petista de "delinquente" após este ter invadido uma escola durante votação. O incidente ilustra o clima de hostilidade que se instalou na Casa Legislativa, onde o único representante do movimento bolsonarista enfrenta constante pressão da maioria governista. A situação reflete um padrão que vem se repetindo em diversas câmaras municipais pelo país, onde a judicialização da política tem sido utilizada como instrumento para neutralizar adversários ideológicos.
Em resposta ao ataque político, Ricardinho Netuno utilizou suas redes sociais para denunciar o que classificou como tentativa de perseguição política. "DITADOR QUAQUÁ TENTA CALAR A OPOSIÇÃO! Com total desrespeito à democracia, o prefeito QUAQUÁ articulou a entrada de diversos suplentes na Câmara com um único objetivo: ME CASSAR!", escreveu o vereador, que tem se destacado como ferrenho crítico da administração municipal e defensor das bandeiras conservadoras na cidade. O parlamentar reafirmou sua disposição de resistir às pressões: "Não vou recuar, não vou me curvar! Fui eleito pra fiscalizar, denunciar e enfrentar o poder quando ele trai o povo!"
O contexto político de Maricá torna o caso ainda mais emblemático, já que a cidade é comandada há anos pelo PT, com Washington Quaquá exercendo seu terceiro mandato como prefeito e ocupando o cargo de vice-presidente nacional do partido. A hegemonia petista na região transformou Maricá em um laboratório das políticas de esquerda, com programas sociais financiados pelos royalties do petróleo, mas também gerou críticas sobre concentração de poder e falta de pluralidade política. A presença de Netuno na Câmara representa um contraponto inédito a essa dominância, o que explica a intensidade dos ataques que o vereador tem enfrentado.
Em um movimento de retaliação, também foi protocolado pedido de cassação contra o próprio líder do governo, Hadesh, demonstrando que a guerra política em Maricá pode ter desdobramentos para ambos os lados. Os processos agora seguirão o rito legal: serão encaminhados aos acusados para apresentação de defesa, e posteriormente o plenário decidirá se aceita dar prosseguimento aos pedidos. Para que a cassação seja efetivada, será necessário o voto favorável de dois terços dos vereadores, cenário que coloca em risco a permanência da única voz de oposição na Casa Legislativa do município.
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