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Marcelo Crivella: 'Não adianta matar 120 pessoas, outros vão ocupar o lugar'

O deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), um dos parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, concedeu entrevista exclusiva na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para defender seus principais projetos legislativos. O ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-senador abordou o Projeto de Lei da Anistia e a PEC 5, que propõe isenção fiscal para igrejas, além de criticar operações policiais no Rio.
Como autor do PL da Anistia, Crivella revelou que a proposta "estava há anos esperando entrar na pauta" até que as penas elevadas impostas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro provocaram reação da opinião pública. "Quando as penas foram se somando, penas altíssimas e editoriais de jornais no Rio, São Paulo, Nordeste, Centro-Oeste e Sul começaram a arguir a dimensão da pena", explicou.
O parlamentar destacou que a Câmara dos Deputados já aprovou a urgência do projeto com 311 votos favoráveis. "Se a gente tiver 257, 258 votos, já está aprovada. Eu espero que isso ocorra", projetou Crivella, demonstrando otimismo quanto à aprovação da medida.
Negociações fracassadas e resistências políticas
Crivella revelou detalhes das negociações internas que antecederam a tramitação do projeto. O relator Paulinho da Força havia proposto uma "dosimetria" que reduziria as penas em 11 anos, levando a condenação de Bolsonaro de 27 para 16 anos. "Isso vai fazer o Bolsonaro ir para 26, os generais também e eles vão poder ficar mais um ano ou dois na cadeia e depois começar a progredir", explicou.
Contudo, as negociações fracassaram. "O governo não aceitou a dosimetria, o PL não aceitou a dosimetria, não houve acordo", lamentou o deputado. A falta de consenso levou muitos líderes a optarem pela anistia completa como alternativa às penas consideradas excessivas.
"Muitos líderes dizem: 'Olha, Crivella, se a opção for 27 anos de cadeia, 17 anos, 14 anos para aquela senhora que passou o batom, eu voto na anistia'", relatou o parlamentar, referindo-se aos diferentes graus de envolvimento nos atos antidemocráticos.
PEC 5: isenção fiscal para instituições religiosas
Além da anistia, Crivella defendeu com veemência a PEC 5, que propõe isenção de impostos para recursos destinados a atividades sociais e de caridade das igrejas. "Quem tem que pagar imposto sou eu que sou pastor, é o padre, é o bispo, é o cardeal, é o pai de santo", argumentou.
O deputado explicou que os membros das igrejas já pagam impostos sobre patrimônio, renda e consumo. "O dinheiro que sobra e a gente está na igreja, esse não é para pagar imposto de novo. Nós já pagamos esse dinheiro que está na mão do padre, do pastor, do pai de santo é para fazer caridade, é para cuidar da igreja", justificou.
A proposta ganha força pelo papel social desempenhado pelas instituições religiosas. "A igreja tem um papel social enorme, ela chega onde o poder público não chega", destacou Crivella, enfatizando que as igrejas funcionam tranquilamente mesmo em territórios dominados por facções criminosas.
Críticas às operações policiais no Rio
O ex-prefeito carioca foi contundente ao criticar as mega operações policiais realizadas recentemente no Rio de Janeiro. "Não adianta subir o morro, matar 120 pessoas, pois outros vão ocupar o lugar deles", declarou, questionando a eficácia das ações repressivas.
Crivella propõe uma abordagem diferente, focada no controle de fronteiras. "A primeira lei que eu aprovei já faz 21 anos foi dar poder de polícia ao exército na fronteira", relembrou. O parlamentar defende que o combate deve ocorrer na origem do problema, impedindo a entrada de armas e drogas no país.
"Nós não produzimos cocaína no Brasil. Isso tudo é feito no Peru e na Bolívia e muitas delas refinadas na Colômbia. Nós temos que guardar nossas fronteiras", argumentou, propondo o uso do Exército, que possui 200 mil homens, contra os apenas 10 mil da Polícia Federal.
Propostas para segurança pública
O deputado também é autor do Estatuto da Segurança Privada, propondo parcerias entre o Exército e empresas privadas com tecnologia avançada. "O exército precisa de empresas com drones, com satélites, com helicópteros, fazer parceria, cuidar da nossa fronteira", defendeu.
A estratégia de Crivella enfatiza investimentos sociais como alternativa à repressão. "É preciso que a gente possa levar educação, saúde, habitação, cuidar das crianças para que elas tenham opções de vida e nenhuma delas chegue nesse horror que é o tráfico de drogas", propôs.
Trajetória política e influência
Marcelo Crivella, que é "campeão de votos do Rio de Janeiro", construiu uma carreira política sólida passando por diferentes cargos. Ex-senador (2003-2017), ex-ministro da Pesca e Aquicultura (2012-2014) e ex-prefeito do Rio (2017-2020), atualmente exerce seu primeiro mandato como deputado federal desde fevereiro de 2023.
Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), denominação fundada por seu tio Edir Macedo, Crivella combina influência religiosa e política em suas proposições legislativas. Sua atuação no Congresso reflete essa dupla inserção, defendendo tanto pautas conservadoras quanto questões sociais.
O parlamentar demonstra confiança na aprovação de seus projetos, apostando no apoio popular e na pressão da opinião pública para sensibilizar seus colegas congressistas. "Há 21 anos esse projeto de lei foi aprovado, virou lei. Foi talvez uma das primeiras leis que o governo Lula sancionou", relembrou sobre sua experiência legislativa anterior.
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Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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