Deputado ruralista Alceu Moreira: 'Ministro desrespeitou 594 parlamentares com decisão autoritária sobre IOF'

Presidente da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel (FPBio) denuncia 'ruptura institucional' após decisão de Moraes sobre IOF

Deputado Alceu Moreira defende licenciamento e critica decisão de Moraes

Parlamentar ruralista classifica como "desrespeito absoluto" decisão judicial que contrariou vontade do Congresso

O deputado federal Alceu Moreira (MDB), presidente da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel e reconhecido defensor do agronegócio no Congresso Nacional, concedeu entrevista exclusiva defendendo o Projeto de Lei 2159, que altera as regras de licenciamento ambiental no país.

Para o parlamentar, a proposta representa um avanço necessário para equilibrar desenvolvimento econômico e proteção ambiental, garantindo segurança jurídica aos investidores sem comprometer os preceitos legais ambientais vigentes.

Moreira argumentou que a sustentabilidade deve contemplar o equilíbrio entre aspectos sociais, econômicos e ambientais com igual densidade, criticando posturas que transformam regiões em "belos jardins botânicos" enquanto pessoas morrem de fome. O deputado citou o exemplo dramático do Amapá, onde crianças sofrem com diarreia por falta de água potável e famílias vivem em casas com madeira apodrecendo, mas são impedidas de explorar recursos naturais por restrições ambientais. "A questão ambiental não pode ser um impeditivo do desenvolvimento", enfatizou.

O parlamentar compartilhou o relato impactante dos índios parecis, cuja população cresceu de 300 para 3.000 pessoas após começarem a praticar agricultura sustentável em suas terras de 111.000 hectares.

Segundo Moreira, os indígenas relataram que antes eram rejeitados nas lojas de Cuiabá por não terem recursos financeiros, mas após iniciarem o plantio de soja, mesmo enfrentando multas do IBAMA, conseguiram dignidade e respeito. "Hoje quando caminhamos na rua de Cuiabá, as portas das lojas se abrem e nos recebem com sorriso", teria dito um líder indígena ao deputado.

Moreira fez acusações graves contra organizações não-governamentais internacionais, alegando que elas financiam "picaretas vigaristas" para impedir a produção agrícola brasileira, visando reduzir a concorrência no fornecimento mundial de alimentos. O deputado defendeu que os povos indígenas tenham direito à cidadania plena, incluindo a possibilidade de cultivar suas terras respeitando seus hábitos e costumes, mas com liberdade para gerar renda e desenvolvimento.

Sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes mantendo o aumento do IOF contra a vontade expressa do Congresso Nacional, Moreira foi categórico ao classificar a medida como "desrespeito absoluto ao Parlamento brasileiro".

O deputado alertou para uma possível "ruptura institucional" entre Legislativo e Judiciário, criticando duramente a postura de "um cidadão com toga" que se considera autorizado a decidir monocraticamente contra a vontade de 81 senadores e 513 deputados. "Estamos com certeza na porta de uma ruptura", advertiu o parlamentar, cobrando das presidências da Câmara e do Senado a defesa da independência do Poder Legislativo.

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Por Ultima Hora em 17/07/2025
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