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Deputado Alceu Moreira defende licenciamento e critica decisão de Moraes
Parlamentar ruralista classifica como "desrespeito absoluto" decisão judicial que contrariou vontade do Congresso
O deputado federal Alceu Moreira (MDB), presidente da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel e reconhecido defensor do agronegócio no Congresso Nacional, concedeu entrevista exclusiva defendendo o Projeto de Lei 2159, que altera as regras de licenciamento ambiental no país.
Para o parlamentar, a proposta representa um avanço necessário para equilibrar desenvolvimento econômico e proteção ambiental, garantindo segurança jurídica aos investidores sem comprometer os preceitos legais ambientais vigentes.
Moreira argumentou que a sustentabilidade deve contemplar o equilíbrio entre aspectos sociais, econômicos e ambientais com igual densidade, criticando posturas que transformam regiões em "belos jardins botânicos" enquanto pessoas morrem de fome. O deputado citou o exemplo dramático do Amapá, onde crianças sofrem com diarreia por falta de água potável e famílias vivem em casas com madeira apodrecendo, mas são impedidas de explorar recursos naturais por restrições ambientais. "A questão ambiental não pode ser um impeditivo do desenvolvimento", enfatizou.
O parlamentar compartilhou o relato impactante dos índios parecis, cuja população cresceu de 300 para 3.000 pessoas após começarem a praticar agricultura sustentável em suas terras de 111.000 hectares.
Segundo Moreira, os indígenas relataram que antes eram rejeitados nas lojas de Cuiabá por não terem recursos financeiros, mas após iniciarem o plantio de soja, mesmo enfrentando multas do IBAMA, conseguiram dignidade e respeito. "Hoje quando caminhamos na rua de Cuiabá, as portas das lojas se abrem e nos recebem com sorriso", teria dito um líder indígena ao deputado.
Moreira fez acusações graves contra organizações não-governamentais internacionais, alegando que elas financiam "picaretas vigaristas" para impedir a produção agrícola brasileira, visando reduzir a concorrência no fornecimento mundial de alimentos. O deputado defendeu que os povos indígenas tenham direito à cidadania plena, incluindo a possibilidade de cultivar suas terras respeitando seus hábitos e costumes, mas com liberdade para gerar renda e desenvolvimento.
Sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes mantendo o aumento do IOF contra a vontade expressa do Congresso Nacional, Moreira foi categórico ao classificar a medida como "desrespeito absoluto ao Parlamento brasileiro".
O deputado alertou para uma possível "ruptura institucional" entre Legislativo e Judiciário, criticando duramente a postura de "um cidadão com toga" que se considera autorizado a decidir monocraticamente contra a vontade de 81 senadores e 513 deputados. "Estamos com certeza na porta de uma ruptura", advertiu o parlamentar, cobrando das presidências da Câmara e do Senado a defesa da independência do Poder Legislativo.

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