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Dois suspeitos estão foragidos e uma mulher foi presa por transportar fuzil usado no crime.
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O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou nesta que “não resta dúvida” do envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) no assassinato de Ruy Ferraz Fonte.
O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo foi morto em uma emboscada na Praia Grande, no litoral paulista, na noite de segunda-feira (15).
Na coletiva desta quinta-feira (18), Derrite disse que a participação do crime organizado está confirmada. Segundo ele, a prova principal é a presença de Felipe Avelino da Silva, de 33 anos, o Mascherano, integrante do PCC.
“Sabemos que ele pertence à facção devido ao histórico de relatórios de inteligência. Ele exerce a função de disciplina na região do ABC. É uma função relevante”, disse.
Suspeitos foragidos
A polícia divulgou a identidade de dois suspeitos que tiveram prisão decretada:
Eles estão foragidos. Ambos foram identificados por impressões digitais e material genético coletados em veículos abandonados após o crime.
Mascherano possui antecedentes por tráfico de drogas, roubo qualificado e corrupção de menores. Ele ficou mais de seis anos preso, de 2017 a 2023, quando passou para o regime aberto.
Primeira prisão ligada ao caso
Na madrugada desta quinta, uma mulher foi presa sob suspeita de transportar um dos fuzis usados na execução.
Dahesly Oliveira Pires, de 25 anos, relatou à polícia que levou o armamento de Praia Grande até Diadema, na Grande São Paulo. Ela já respondia por tráfico de drogas e era procurada desde o ano de 2023.
Segundo o delegado-geral de Polícia, Artur Dian, sua participação foi logística.
“Extraoficialmente ela disse que sabia que carregava o fuzil.” A prisão é temporária, válida por 30 dias.
Derrite confirmou a ação em suas redes sociais.
“Temos a primeira prisão relacionada ao assassinato do Dr. Ruy. Trata-se de uma mulher de 25 anos, presa temporariamente, responsável por levar da Praia Grande para a região do ABC um dos fuzis usados no crime.”
Mais tarde, o secretário informou que outro envolvido, Luiz Antônio Rodrigues de Miranda, teria sido o responsável por pedir a Dahesly que buscasse a arma.
As autoridades ainda investigam a motivação. Segundo Derrite, restam duas hipóteses:
O secretário também não descartou a possível participação de agentes de segurança, devido à postura dos atiradores com fuzis em mãos.
“Não está sendo descartada a possibilidade, mas não temos nenhum indício até agora”, afirmou.
Os investigadores apuram ainda a ligação de um líder do PCC solto recentemente. Fernando Gonçalves dos Santos, conhecido como Azul ou Colorido, deixou a Penitenciária Federal de Mossoró há cerca de um mês.
Ele já esteve preso em Presidente Venceslau e é apontado como responsável por coordenar o tráfico na Baixada Santista.
“O Azul ou Colorido é um membro considerado importante na organização criminosa. Foi para o sistema penitenciário federal e saiu recentemente. Não descartamos sua ligação com o caso”, disse Derrite.
Relembre o caso
Na noite de 15 de setembro de 2025, Ruy Ferraz Fontes deixou um compromisso em Praia Grande quando foi emboscado.
Câmeras de segurança registraram a execução. Fontes dirigia seu carro quando colidiu com um ônibus e capotou. Na sequência, homens encapuzados e com coletes à prova de balas desceram de outro veículo e dispararam diversas vezes contra ele.
Fontes tinha 64 anos e foi um dos principais nomes da Polícia Civil no combate ao PCC.
Delegado há cerca de 40 anos, comandou a instituição entre 2019 e 2020 e participou da prisão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, principal líder da facção.
Após deixar a corporação, assumiu a Secretaria de Administração de Praia Grande. O histórico de enfrentamento ao PCC e sua atuação política são as principais linhas investigadas como motivação para o crime.
O ex-delegado já havia sido jurado de morte pela cúpula do PCC depois de investigar a facção no início dos anos 2000. Sua morte expõe, mais uma vez, o alcance do crime organizado no Brasil.
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