Dez Anos de Impeachment: Temer, Governador Petista e Filha de Cunha dividem a mesma mesa em Nova York, Enquanto Brasil enfrenta mesma Crise Econômica

Em Nova York, ex-presidente revela que país ainda enfrenta a mesma estagnação de 2016

Dez Anos de Impeachment: Temer, Governador Petista e Filha de Cunha dividem a mesma mesa em Nova York, Enquanto Brasil enfrenta mesma Crise Econômica

Reencontro simbólico marca década de polarização política e aponta para economia estagnada

No exato momento em que o Brasil marca uma década do afastamento de Dilma Rousseff e da ascensão de Michel Temer à Presidência, a política brasileira continua aprisionada em suas contradições. Nesta terça-feira, 12 de maio, em Nova York, o ex-presidente dividiu palco com Elmano de Freitas, governador do Ceará e filiado ao Partido dos Trabalhadores — justamente aquele que, dez anos atrás, denunciava o impeachment como um golpe. Ao seu lado, Dani Cunha, filha de Eduardo Cunha, o presidente da Câmara que conduziu o processo que derrubou Dilma. O encontro não é casual; é a materialização viva de como a elite política brasileira segue indiferente às cicatrizes que abriu na nação.

O encontro que fala sem dizer nada

Michel Temer e Elmano de Freitas trocaram cumprimentos cordiais durante o fórum organizado pelo Lide, instituição presidida pelo ex-governador de São Paulo João Doria. A cordialidade entre dois homens que estiveram em campos opostos há dez anos revela uma verdade incômoda: enquanto a sociedade brasileira permanece polarizada, dividida entre narrativas conflitantes sobre o impeachment, a classe política segue se reencontrando em salões corporativos internacionais, como se nada tivesse acontecido.

Elmano de Freitas, que era deputado estadual cearense em 2016, havia classificado publicamente o afastamento de Dilma como um golpe de Estado. Hoje, governador de um estado relevante, senta-se ao lado do beneficiário direto daquele processo sem que isso cause constrangimento aparente. A deputada Dani Cunha, cujo pai foi peça fundamental na maquinaria que derrubou a ex-presidente, completa o triângulo de uma história que o Brasil tenta, sem sucesso, deixar para trás.

A economia que não sai do lugar

Ao discursar no evento nova-iorquino, Michel Temer fez uma afirmação que merecia ser recebida com alarme pela sociedade brasileira: o país atualmente se assemelha, em termos econômicos, àquele que ele assumiu em 12 de maio de 2016. Uma década se passou. Bilhões em recursos foram gastos. Reformas foram implementadas. E, no entanto, a economia brasileira segue estagnada, os juros permanecem altos, e o país não conseguiu avançar.

O ex-presidente citou especificamente os juros elevados como marca da semelhança entre os períodos. É uma confissão não dita: a sua gestão não resolveu o problema econômico fundamental do Brasil. A taxa Selic, que chegou a patamares críticos em 2016, foi reduzida durante o governo Temer, mas a economia não decolou. E agora, uma década depois, com juros novamente altos, a população brasileira continua pagando o preço de uma política econômica que não conseguiu se consolidar em benefícios reais para a maioria.

O silêncio de uma geração política

O que chama atenção é o silêncio de resposta. Onde estão as vozes que denunciaram o impeachment como golpe? Onde está a esquerda que se opôs ao processo em 2016? O encontro cordial entre Temer e Elmano, sem que isso gere comoção ou debate público significativo, aponta para o esgotamento da energia política brasileira em torno daquele evento traumático.

O Brasil de 2026 não é capaz de produzir respostas políticas coherentes aos seus problemas. A classe política segue circulando entre os mesmos espaços, as mesmas instituições corporativas, o mesmo circuito de poder. Enquanto isso, a sociedade brasileira permanece dividida, confusa, sem clareza sobre se o impeachment foi legítimo ou não, sem que essa resposta tenha qualquer importância prática para a vida das pessoas que enfrentam juros altos, inflação persistente e oportunidades reduzidas.

A delegação brasileira em Nova York

O fórum do Lide em Nova York concentrou uma delegação significativa de parlamentares e gestores públicos brasileiros. Além de Temer, Elmano de Freitas e Dani Cunha, compareceram deputados federais como Ricardo Barros (PP-PR), Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Renata Abreu (Podemos-SP), Carlos Sampaio (PSD-SP), Domingos Neto (PSD-CE), Pedro Paulo (PSD-RJ), Fernando Marangoni (Podemos-SP), Julio Lopes (PP-RJ), Marussa Boldrin (Republicanos-GO), Mauro Benevides Filho (União Brasil-CE), Pedro Lupion (Republicanos-PR), Mersinho Lucena (PSD-PB), Danilo Forte (PP-CE) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

Na câmara alta, estavam presentes Carlos Portinho (PL-RJ), Iraiá Silvestre (PSD-TO), Fabiano Contarato (PT-ES), Carlos Viana (Podemos-MG) e Daniella Ribeiro (PP-PB). Essa composição reflete a pluralidade fragmentada do Congresso Nacional brasileiro, onde nenhuma coligação é permanente, onde todos negociam com todos, e onde princípios ideológicos e posicionamentos históricos se dissolvem diante de oportunidades de visibilidade internacional e contatos corporativos.

A persistência de um modelo fracassado

O Brasil continua preso a um modelo político que não funciona. Dez anos após o impeachment, a promessa de estabilidade econômica que Temer carregava em seu discurso de 2016 não se materializou. Os juros continuam altos. O desemprego permanece estrutural. As desigualdades se aprofundaram. E a elite política, indiferente a esses números, segue se reencontrando em salões corporativos para discutir uma nação que deixou de pertencer aos seus interesses reais.

O encontro em Nova York entre Temer, Elmano e Dani Cunha é menos um momento de reconciliação política e mais um sintoma do colapso do sistema político brasileiro. Uma elite que é capaz de abraços cordiais enquanto a nação sofre é uma elite que perdeu a legitimidade de governar. E enquanto ela segue circulando por salões corporativos, o Brasil permanece condenado a repetir, década após década, os mesmos problemas que não consegue resolver.

A década perdida que se repete

Dez anos se passaram. A história não ofereceu lições, mas ciclos. O Brasil de 2026 enfrenta desafios econômicos similares aos de 2016, mas com menos esperança e mais cansaço político. O encontro entre Temer e Elmano de Freitas em Nova York não é um sinal de esperança; é um epitáfio da incapacidade da elite política brasileira de construir um futuro diferente. Enquanto isso, a sociedade brasileira continua esperando por líderes que, de fato, resolvam seus problemas reais — algo que esse reencontro simbólico demonstra estar muito distante de acontecer.

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Por Ultima Hora em 12/05/2026
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