Direita e esquerda se preparam para embate histórico: Giselle Monteiro versus Renata Souza na disputa pela maior votação feminina de 2026

PL e PSOL se preparam para guerra eleitoral com suas principais estrelas femininas

Direita e esquerda se preparam para embate histórico: Giselle Monteiro versus Renata Souza na disputa pela maior votação feminina de 2026

Direita evangélica versus esquerda militante: Duas visões de mundo, uma só disputa: quem conquistará o coração do eleitorado?

A eleição de 2026 promete um dos confrontos mais emblemáticos da política fluminense: o duelo entre Giselle Monteiro (PL) e Renata Souza (PSOL) pela posição de deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro.

Representando polos ideológicos opostos, as duas parlamentares consolidaram-se como principais vozes femininas de seus respectivos campos políticos, cada uma carregando bandeiras distintas e bases eleitorais bem definidas.

De um lado

Giselle Monteiro, que estreou na política em 2022 com quase 100 mil votos, conquistou a a maior votação feminina de direta do estado e se tornou a mulher mais votada do Partido Liberal no Rio. Sua trajetória política está intrinsecamente ligada aos valores cristãos e conservadores, herança familiar que inclui o pai, deputado federal Roberto Monteiro, e o irmão, o polêmico ex-vereador Gabriel Monteiro. Formada em Psicologia e mãe solo, Giselle construiu sua imagem política baseada na defesa da família tradicional, saúde mental e fiscalização dos serviços públicos.

Do outro lado do espectro político

Renata Souza representa a resistência da esquerda fluminense. Eleita em 2018 como a deputada mais votada da esquerda no estado, a jornalista e doutora em Comunicação carrega a bandeira dos direitos humanos, feminismo e luta antirracista. Nascida e criada no Complexo da Maré, Renata construiu sua carreira política na militância social, tendo sido chefe de gabinete de Marielle Franco e assumindo seu legado após o assassinato da vereadora em 2018.

A análise dos perfis eleitorais revela estratégias distintas de mobilização.

Giselle Monteiro aposta na capilaridade do eleitorado conservador e evangélico, segmento que cresceu significativamente no Rio de Janeiro. Sua atuação parlamentar focada em pautas como saúde mental, direitos da mulher sob perspectiva conservadora e fiscalização de políticas públicas ressoa com eleitores que buscam renovação política sem romper com valores tradicionais. A deputada também se beneficia da estrutura partidária do PL, que se fortaleceu nacionalmente nos últimos anos.

Renata Souza, por sua vez, mantém forte conexão com movimentos sociais, organizações de direitos humanos e eleitorado progressista. Sua experiência acadêmica, combinada com a vivência na favela e militância histórica, confere credibilidade junto a setores que valorizam representatividade e luta por justiça social. O legado de Marielle Franco permanece como elemento mobilizador importante, especialmente entre jovens, mulheres negras e moradores de periferias.

O contexto político de 2026 será determinante para o resultado. Se o cenário nacional favorecer pautas conservadoras e o fortalecimento da direita, Giselle Monteiro pode se beneficiar com a liberdade de seu irmão Gabriel que agora poderá fazer campanha e aproveitar uma onda favorável ao seu campo político. Sua capacidade de dialogar com diferentes segmentos sociais, demonstrada pela votação pulverizada em todos os municípios fluminenses em 2022, representa vantagem estratégica significativa.

Entretanto, Renata Souza possui experiência eleitoral consolidada e base militante organizada. Sua reeleição em 2022, mesmo em cenário adverso para a esquerda, demonstra capacidade de resistência e mobilização. A deputada também se beneficia da polarização política, que tende a consolidar votos em candidaturas com posicionamento ideológico claro e histórico de coerência.

Fatores externos podem influenciar decisivamente a disputa. A performance dos governos federal e estadual, questões de segurança pública, economia e grandes escândalos políticos moldaram tradicionalmente o humor do eleitorado fluminense. Giselle Monteiro, como representante da situação conservadora, pode ser beneficiada ou prejudicada dependendo da avaliação desses governos.

A capacidade de renovação de discurso também será crucial. Enquanto Giselle precisa consolidar sua imagem além da herança familiar e demonstrar resultados concretos de seu mandato, Renata deve equilibrar a manutenção de sua base histórica com a ampliação do diálogo para novos segmentos eleitorais, especialmente classe média progressista.

O perfil das campanhas promete ser radicalmente diferente. Giselle Monteiro deve apostar em comunicação digital massiva, eventos em igrejas e associações, além de parcerias com lideranças conservadoras nacionais. Sua estratégia provavelmente enfatizará realizações práticas, proximidade com o eleitor e defesa de valores familiares.

Renata Souza, tradicionalmente, privilegia campanha de base, com forte presença em favelas, universidades e movimentos sociais. Sua comunicação tende a ser mais engajada politicamente, focando em denúncias de violações de direitos humanos e propostas de transformação social estrutural.

Prognóstico para 2026:

Considerando os fatores analisados, a disputa promete ser extremamente acirrada.

Giselle Monteiro possui momentum favorável, estrutura partidária robusta e capacidade demonstrada de mobilização em todo o estado. Sua juventude política pode representar vantagem em eleitorado que busca renovação.

Renata Souza, contudo, conta com experiência consolidada, base militante fiel e capacidade comprovada de resistência em cenários adversos. Sua representatividade simbólica e conexão com pautas emergentes podem garantir mobilização significativa.

A vitória dependerá fundamentalmente da capacidade de cada candidata em expandir suas bases tradicionais sem perder a identidade política que as consolidou. Em um cenário de alta polarização, ambas possuem potencial para alcançar votações históricas, tornando 2026 um marco na representação política feminina fluminense.

Por Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

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Por Ultima Hora em 11/11/2025
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