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DJ Iasmin Turbininha denuncia duplo padrão: "Nossa arte é crime, mas filme da mesma história ganha Oscar"
Artista da Mangueira relata perseguição ao funk e defende campanha "MC não é bandido" na ALERJ
A DJ Iasmin Turbininha da Mangueira participou da audiência pública na ALERJ sobre perseguição aos artistas do funk, denunciando a criminalização da cultura periférica. Durante sua fala, a artista destacou a contradição entre a censura ao funk e a valorização de filmes e séries que retratam a mesma realidade das comunidades.
Iasmin relatou sua trajetória pessoal, desde o início com um notebook emprestado até apresentações internacionais na França, defendendo o funk como ferramenta de transformação social e resistência da favela. A DJ enfatizou que o funk tem salvado vidas e oferecido oportunidades de trabalho para jovens das comunidades.
Contradição entre censura ao funk e valorização do cinema
DJ Iasmin Turbininha foi contundente ao denunciar o duplo padrão na sociedade brasileira em relação à arte periférica. "É complicado porque às vezes a nossa arte é um crime, mas quando tem filmes que contam a mesma versão é uma arte contemporânea e ganha muito Oscar", declarou a artista.
Segundo ela, enquanto MCs são presos por contar suas histórias de vida, produções cinematográficas e televisivas que retratam a mesma realidade das comunidades são celebradas como arte. A DJ destacou que "a gente vê séries, muitas séries hoje em dia são falando sobre a comunidade, falando sobre a nossa vivência, mas a gente falando a nossa vivência é meio que um crime, mas eles contando é uma arte".
Essa contradição revela o preconceito estrutural contra a expressão cultural autêntica das periferias.
Funk como desabafo e expressão da realidade
A artista da Mangueira explicou que o funk funciona como uma forma de desabafo e expressão da realidade vivida nas comunidades. "A gente sempre traz a nossa realidade que acontece com a gente ou com pessoas que moram do nosso lado como amigos", explicou Iasmin.
Para ela, a música serve como canal para compartilhar experiências reais, mas muitas pessoas que não compreendem o funk interpretam essa expressão "como se a gente estivesse na criminalidade ou algo do tipo". A DJ enfatizou que "primeiro tem que saber entender o que a gente fala na música e não julgar", defendendo que o preconceito surge da falta de compreensão sobre a verdadeira natureza da arte periférica.
Trajetória pessoal: do notebook emprestado ao sucesso internacional
DJ Iasmin compartilhou sua inspiradora trajetória pessoal, que começou entre 2015 e 2016 na Mangueira. "Comecei lá com notebookzinho que eu ganhei da minha tia que era para estudar, mas aí a música sempre foi muito envolvida comigo desde criança", relembrou.
A artista nunca imaginou alcançar a proporção que tem hoje, mas seguiu seu coração e paixão pela música. Recentemente, ela realizou uma viagem à França para apresentar seu trabalho, algo que "nunca pensei que ia fazer com funk". Essa experiência internacional demonstra como o funk brasileiro está conquistando espaços globais, com vários artistas fazendo turnês internacionais, provando que "o funk está vencendo mais".
Funk como salvação e transformação social
A DJ foi emocionante ao relatar como o funk transformou sua vida pessoalmente. "O funk para mim salvou minha vida, acho que foi algo que me tirou assim do caminho", declarou Iasmin. Vinda de uma realidade difícil, tendo perdido a mãe cedo e sem apoio paterno, ela encontrou no funk uma direção de vida.
"Para gente que vem da comunidade é uma parada muito dura, passar por várias coisas", explicou. Segundo a artista, o funk oferece uma alternativa para jovens que "hoje em dia não tinham muita visão de vida, hoje em dia começam a cantar, conseguem um dinheirinho ali, conseguem fazer show e até ganhar a vida internacionalmente".
Essa dimensão social do funk como ferramenta de inclusão e oportunidade é fundamental para compreender sua importância nas comunidades.
Campanha "MC não é bandido" como resistência da favela
Ao explicar os objetivos da campanha "MC não é bandido", DJ Iasmin enfatizou a necessidade de mostrar que o funk é trabalho legítimo. "A ideia é mostrar para a galera que é uma campanha onde os funqueiros vêm, mostram a sua arte e a gente quer alcançar muito mais", explicou.
Para ela, é fundamental demonstrar que "o funk é um trabalho para nós", oferecendo oportunidades reais de crescimento profissional e pessoal. A artista concluiu definindo o movimento de forma poética: "o funk é isso, é resistência da favela".
Essa definição encapsula a essência da luta dos artistas periféricos por reconhecimento, respeito e direito à expressão cultural sem criminalização.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
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