Em ano de eleição, Brasília escolhe o caminho mais seguro: freia a PEC e corta onde dói menos

Em ano de eleição, Brasília escolhe o caminho mais seguro: freia a PEC e corta onde dói menos

Em clima pré-eleitoral, a Câmara dos Deputados resolveu seguir aquele velho ditado que todo mundo conhece: em farinha pouca, meu pirão primeiro. A PEC da Segurança Pública, que mexe em vespeiro e cutuca a autonomia dos estados, foi oficialmente empurrada para 2026. Faltou consenso, sobrou cálculo político. Ninguém quis segurar essa bomba em pleno ano de eleição.

A conversa nos bastidores é simples e nada inocente. Segurança pública rende discurso, palanque e promessa, mas votação de verdade pode gerar inimigos. Governadores pressionaram, líderes pisaram no freio e a decisão foi adiar. Assim, todo mundo segue falando bonito sobre o tema, sem precisar assumir custo agora.

Já quando o assunto é dinheiro, o Congresso mostrou que coragem aparece — desde que o prejuízo não caia direto no colo do eleitor. A Câmara aprovou a redução de benefícios fiscais, vendida como remédio amargo para ajustar as contas públicas. O texto passou e foi despachado para o Senado, que agora herda a dor de cabeça.

Setores beneficiados reclamam, como sempre. Do outro lado, o discurso oficial diz que não dá mais para manter tanta renúncia fiscal enquanto falta recurso para o básico. Na prática, cada um protege o seu pedaço e empurra a conta para a próxima etapa.

No resumo da semana: segurança pública fica para depois das urnas, benefícios fiscais entram na tesoura agora, e a política segue no modo sobrevivência. Em Brasília, eleição é assim — prioridade não é resolver, é não perder.

Por: Arinos Monge.

Por Ultima Hora em 17/12/2025
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