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Rio de Janeiro- A Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC) viveu, ontem, um de seus momentos mais simbólicos desde sua criação.
Em cerimônia solene realizada no Dia de Reis, a instituição promoveu a entrega oficial dos Fardões ABAC e a outorga das certificações aos primeiros Imortais do Samba, marcando um novo capítulo na história do Carnaval brasileiro.

O evento, conduzido Milton Cunha e Célia Domingues, respectivamente presidente e vice-presidente da instituição, reuniu representantes das principais academias tradicionais de Letras e Artes do país, além de autoridades, artistas, pesquisadores e grandes personalidades do samba, consolidando a Academia como um espaço legítimo de preservação, reconhecimento e produção de conhecimento sobre a cultura carnavalesca.

Na cerimônia, os Acadêmicos Rubem Confeti, Tia Surica e Sidney Chopp, receberam os fardões, inteiramente confeccionados pelas costureiras e artesãs das oficinas que funcionam no espaço da Academia localizada na Travessa do Ouvidor, um dos pontos históricos mais emblemáticos do Centro da cidade.
Rosa Magalhães, Haroldo Costa e Maria Augusta (in memoriam), presidentes de honra e nomes fundamentais na construção estética, histórica e simbólica do Carnaval brasileiro, foram homenageados com as peças, que foram entregues a familiares e amigos que os acompanharam ao longo da trajetória profissional.

O evento também marcou o “batismo da Academia”, rito simbólico que oficializa a ABAC como instituição dedicada às artes carnavalescas, e pela entrega das certificações aos primeiros Imortais do Samba, reconhecendo trajetórias que ajudaram a transformar o Carnaval em patrimônio cultural e expressão maior da identidade brasileira.
Milton Cunha, presidente da ABAc, ressaltou a importância da cerimônia para a Cultura e preservação da história do Carnaval “A ABAC nasce para ser a casa das artes carnavalescas.
O fardão não é fantasia, é símbolo de pensamento, de criação e de preservação da memória desses grandes nomes que pavimentaram a estrada.

Batizar a Academia e reconhecer nossos primeiros Imortais do Samba é afirmar que o Carnaval é saber, é linguagem, é patrimônio intelectual do povo brasileiro”, diz ele. Já a vice-presidente Célia Domingues destacou o caráter humano e formativo da iniciativa: “Nada do que foi vivido ontem existiria sem as mãos que constroem o Carnaval.
Ter os fardões feitos pelas artesãs das nossas oficinas, no mesmo dia em que certificamos nossos primeiros imortais, mostra que a ABAC nasceu unindo tradição, formação, economia criativa e futuro. É sobre pertencimento, oportunidade e continuidade”, comenta a empreendedora.

A escolha do Dia de Reis para sediar o encontro foi forma de conectar a ancestralidade, renovação e pertencimento — valores que atravessam a história do samba e fundamentam a criação da Academia, que tem a função de promover a valorização dos saberes manuais, da economia criativa, da formação e da autonomia cultural.
Cada peça carrega não apenas elegância e simbologia, mas também a história viva de quem constrói o Carnaval com as próprias mãos.
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