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Por Carlos Arouck
Na tarde de terça-feira, 26 de maio de 2026, o senador Flávio Bolsonaro foi à Casa Branca para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro rolou no Salão Oval e pegou todo mundo de surpresa, porque não constava na agenda oficial que a Casa Branca divulgou no início do dia.
A confirmação só veio depois, com fotos publicadas pela comitiva brasileira e com as declarações do próprio Flávio após a reunião. Ao lado dele estavam o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo, que ajudou a costurar tudo nos bastidores.
Mesmo sem ser chefe de Estado, Flávio conseguiu uma reunião direta com Trump bem dentro da Casa Branca. Para os aliados, foi um movimento político relevante, especialmente pelo peso simbólico de uma foto no Salão Oval em pleno ano eleitoral no Brasil.
A imagem divulgada mostra Trump sentado na Resolute Desk, ao lado de Flávio. Segundo fontes próximas da comitiva, a conversa foi organizada nos últimos dias com apoio de aliados republicanos ligados ao secretário de Estado Marco Rubio.
Flávio chegou a Washington na segunda, dia 25. A reunião ficou em sigilo até poucas horas antes e aconteceu sem imprensa por perto.
O encontro acontece num momento delicado para a pré-campanha do senador. Nas últimas semanas, o nome de Flávio voltou ao centro das notícias depois de revelações sobre conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está sendo investigado na Operação Compliance Zero por suspeitas ligadas ao Banco Master. Dentro do PL, os aliados enxergam essa agenda com Trump como uma chance de mudar o foco do debate e recuperar fôlego na corrida presidencial.
Não houve assinatura de acordos formais, mas Flávio disse que apresentou algumas propostas diretamente ao presidente americano.
O principal tema foi o pedido para que facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, sejam classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas. Segundo ele, Trump demonstrou abertura para discutir o assunto, o que poderia abrir portas para uma cooperação maior contra narcotráfico, lavagem de dinheiro e crime organizado transnacional.
Outro ponto foi o chamado “Escudo das Américas”, iniciativa defendida por Trump de integração regional no combate ao narcoterrorismo. Flávio afirmou que, se for eleito presidente em outubro, pretende aproximar o Brasil desse projeto, incluindo cooperação militar, compartilhamento de inteligência e parcerias na área de segurança.
Eles também conversaram sobre liberdade de expressão nas redes sociais, críticas ao que os bolsonaristas chamam de censura no Brasil e pautas econômicas como minerais estratégicos e tarifas comerciais. Até agora, porém, nenhum compromisso concreto foi anunciado oficialmente.
Pelo que a comitiva contou, a reunião durou entre 45 minutos e uma hora. A Casa Branca ainda não divulgou nenhum comunicado conjunto sobre o encontro.
A reação foi imediata e extremamente polarizada.
Entre aliados de Flávio e setores da direita, o encontro foi comemorado como uma demonstração de força internacional do bolsonarismo. Parlamentares e influenciadores do PL começaram a compartilhar as imagens como prova da proximidade entre Trump e a família Bolsonaro. Nos grupos bolsonaristas, a narrativa que pegou foi a de que o encontro representa um reconhecimento internacional da candidatura de Flávio.
Do lado do governo Lula, a resposta foi de crítica pesada. Integrantes do PT e aliados classificaram a agenda como “subserviente” e levantaram preocupações com possível interferência estrangeira na eleição brasileira. Nas redes sociais, memes e críticas se concentraram principalmente na foto da reunião.
O Itamaraty e o Palácio do Planalto acompanharam a repercussão com cautela ao longo do dia e, até o momento, evitaram uma reação institucional mais dura.
Na imprensa, a cobertura se dividiu: uns viram o encontro como uma jogada estratégica de recuperação política, outros como um risco por reforçar a ligação de Flávio com o núcleo mais ideológico do bolsonarismo.
Nos Estados Unidos, a imprensa internacional destacou o caráter incomum da reunião. Parte dos veículos americanos interpretou o gesto como um sinal claro de alinhamento entre Trump e o bolsonarismo em meio à disputa presidencial brasileira.
A cobertura também lembrou que Trump recebeu Lula recentemente, o que tornou o encontro com Flávio ainda mais simbólico dentro da briga política aqui.
Até agora, nenhum governo estrangeiro se manifestou oficialmente. Mesmo assim, o episódio ganhou tração nas redes conservadoras internacionais e já é tratado por analistas como um dos movimentos mais importantes da pré-campanha de 2026.
No fim das contas, mais do que acordos concretos, o encontro teve um forte valor simbólico.
Para os aliados de Flávio, a imagem ao lado de Trump reforça a tentativa dele de se consolidar como o principal herdeiro político do bolsonarismo com projeção internacional. Para os críticos, a aproximação aumenta as dúvidas sobre influência externa na eleição brasileira e aprofunda ainda mais a polarização.
O impacto real dessa reunião vai depender dos próximos passos: uma eventual declaração pública de Trump, avanços na pauta de tratar as facções como terrorismo ou uma reação mais forte do governo brasileiro podem mudar o tamanho político do episódio.
Por enquanto, o que fica é um gesto claro de alinhamento entre trumpismo e bolsonarismo num momento decisivo da corrida eleitoral de 2026.
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