Entre a Emergência e a Negligência: Motorista morre com dor de garganta em hospital do Rio após ser descartado três vezes

Entre a Emergência e a Negligência: Motorista morre com dor de garganta em hospital do Rio após ser descartado três vezes

O descaso atingiu o nível trágico no Rio de Janeiro: o motorista de 45 anos, Carlos Eduardo Silva, morador de Campo Grande, passou por quatro hospitais com dor de garganta, foi liberado a cada parada com diagnósticos rasos e terminou morto dentro do quarto hospital, vítima de negligência em sequência de encontros que deveriam ter salvo sua vida — e não ceifado.

Ele entrou com dor, saiu com prescrição de analgésico. Voltou pior — voltou três vezes. Na última, no Hospital Municipal Dr. Rocha Faria, foi finalmente internado... tarde demais. Morreu na madrugada, no mesmo lugar onde deveria ter sido cuidado.

A esposa dele, Maria Fernanda Silva, registrou boletim de ocorrência na 37ª DP (Campo Grande). Segundo ela, a família exigiu investigação completa e responsabilização dos profissionais e da Secretaria de Saúde, mas recebeu apenas promessas. “Fizeram como se fosse frescura. Disseram que era drama”, disse ela em entrevista. Agora, Maria quer saber: quem "dispensou" o marido quatro vezes?

O sistema de saúde estadual encolhe a memória dos pacientes: os números oficiais dizem que, em 2023, o Rio registrou mais de 44.400 óbitos em hospitais do SUS, ou cerca de 120 mortes por dia  . Muitos desses casos envolvem falta de exames, alta sem diagnóstico claro e atendimento superficial.

Instâncias independentes apontam que, entre 2023 e 2024, houve cerca de 3.400 denúncias de negligência médica no estado — dezenas delas evoluindo para morte após atendimento deficiente. Em 2023, foram registradas 2.716 mortes classificadas como evitáveis, relatório da Fiocruz revela: casos que, se tratados com o mínimo de atenção, não terminariam em óbito.

E não é por falta de dinheiro. A Prefeitura do Rio aprovou orçamento de mais de R$ 8 bilhões para saúde pública em 2024–2025. Mesmo assim, o atendimento segue raso, o acolhimento vazio e a escuta, ausente. A pressa em despachar paciente virou protocolo. Exames básicos, então? Quase um luxo.

A saúde no Rio não apenas falha: ela humilha. Uma doença banal virou sentença; o sistema virou tribunal onde ninguém escuta, ninguém investiga e ninguém assume a culpa — até que o paciente não resiste.

O caso de Carlos Eduardo é só mais um. É um alerta: emergências não deveriam ser incômodos para a rede pública. O silêncio dos hospitais não é silêncio — é testemunha de um sistema que mata pela omissão.

Até quando a morte vai ser resposta padrão da emergência?

Foto: Redes Sociais.

Fonte: G1.

Por: Arinos Monge.

Por Coluna Arinos Monge em 22/07/2025
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