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A história de Márcia Galvão, 49 anos, costureira e artesã, é daquelas que nascem do cotidiano, mas são movidas por algo maior que técnica ou tendência. É uma história de fé, reinvenção e amor pelo feito à mão. É também sobre dar destino novo ao que parecia ponto final.
Márcia trabalhou por 15 anos em uma empresa, onde passou pela recepção, vendas e coordenação de equipe. Foi desligada em 2019, já mãe do Guilherme, que à época tinha 11 anos. O momento que poderia ser de incerteza se tornou o ponto de virada.
A costura entrou em sua vida quase como um chamado. Durante o último mês do seguro-desemprego, em meio à pandemia, ela se viu diante de uma pergunta urgente: e agora? Foi quando pediu direção a Deus. "Eu lembro que eu orei, levantei e pedi a Deus um caminho. Foi quando eu vi uma amiga fazendo máscaras. Ali eu senti que era o que eu deveria fazer."
Com uma modelagem encontrada na internet e uma máquina que já tinha em casa, Márcia começou a costurar. As máscaras abriram espaço para porta-máscaras, carteiras, estojos, necessaires e, por fim, bolsas autorais. Nascia o Ateliê Márcia Galvão, marca que traduz o que ela acredita: peças feitas com amor, para servir de verdade.
"Eu descobri que Deus tinha me dado um dom que eu nem sabia que tinha. É muito forte quando você pega um pedaço de tecido e transforma em algo que alguém vai usar, carregar com ela, levar para a vida."
O trabalho do ateliê se divide entre tecidos estampados, sintéticos, peças em crochê produzidas pela irmã de Márcia e materiais de projetos como o Psyche e o Farm, que direcionam tecidos para artesãs de todo o país. Cada peça é única, e isso não é discurso: não existe repetição exata. Há sempre um detalhe, um recorte, uma combinação que traduz o momento, o olhar, a mão que faz.
"Quando eu costuro, eu estou comigo e com Deus. É o meu momento de cura. Muitas vezes passo o dia ouvindo louvor e conversando com Deus em silêncio. É onde eu me reencontro. O artesanato cura."
Mas os sonhos de Márcia não ficam só na mesa de corte. Ela carrega um plano maior: transformar seu trabalho em lugar físico e em transformação de vidas.
"Eu quero ter minha loja-ateliê, um espaço onde as pessoas possam ver o meu trabalho acontecendo. E quero ensinar outras mulheres. Muitas acham que não podem trabalhar porque têm filhos, rotina apertada ou um filho especial que exige cuidado. Mas dá para aprender a fazer uma peça e vender. Dá para ter o próprio dinheiro."
Ela fala desse projeto com brilho na voz. Uma turma gratuita. Mulheres aprendendo juntas. Artesanato como fonte de renda, autonomia e dignidade.
"Se uma mulher fizer um pano de prato e vender, ela já pode comprar algo para a casa. Se fizer um brinco, ela já consegue pagar um salão, cuidar dela. Isso muda tudo. É autoestima, é cuidado, é vida voltando para a mão dela."
Márcia mora há 13 anos em Irajá, bairro que diz ser parte da sua identidade. “Aqui eu aprendi a valorizar o que é feito com carinho. Minhas peças carregam essa energia do bairro: simples, forte e cheio de vida.”
Hoje, seu filho tem 16 anos e é ele quem também move seus passos. "Meu trabalho me permitiu estar perto dele na fase mais importante. Isso não tem preço."
Márcia segue costurando sonhos, enquanto organiza cada ponto do seu futuro. E quem vê suas bolsas não vê só tecido. Vê história, coragem, perseverança, fé e a certeza de que aquilo que é feito com as mãos também é feito com o coração.
"Eu sei que vou realizar tudo. Meu ateliê, minhas estampas, minha sala cheia de mulheres aprendendo. Eu tenho fé. Eu acredito. Eu costuro e eu caminho."
Veja o instagram @atelie_marciagalvao
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