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No bairro Autódromo, em Nova Iguaçu, cada nome de rua conta um pedaço de uma história que quase foi realidade. Fuscão, Chevette, Ferrari, Opala, Brasília... Não é coincidência. Essas vias foram traçadas para receber um dos maiores projetos do automobilismo brasileiro fora das capitais: o Autódromo de Adrianópolis.

A ideia nasceu nos anos 1950, em plena euforia das corridas de automóvel no país. O Automóvel Clube do Brasil, em parceria com empresários e visionários locais, decidiu criar um circuito moderno na Baixada Fluminense. Para financiar a construção, nasceu o loteamento Vila Automóvel Clube: cada lote vendido significava um metro a mais de pista asfaltada no projeto.
O renomado arquiteto Sérgio Bernardes foi chamado para assinar o traçado. Segundo ele, seria “o autódromo mais bonito do mundo”, com pistas de velocidade, kartódromo, hotel, restaurante e arquibancadas para até 200 mil pessoas. A pedra fundamental foi lançada em 1954 com ampla cobertura da imprensa.
Mas o sonho não cruzou a linha de chegada. As obras não foram adiante, a pavimentação nunca aconteceu, e o que sobrou foi um traçado de terra batida. Ainda assim, nos anos 60 e 70, pilotos amadores organizavam suas corridas por conta própria. A mais famosa delas aconteceu em 1973, quando a recém-formada Associação Fluminense de Volantes de Competição realizou uma prova com carros Volkswagen. William Jorge venceu pilotando um Bugre M-150 em meio à poeira.
A pista improvisada virou mito. Com o passar do tempo, o bairro cresceu sobre o sonho inacabado. Mas o nome ficou. Hoje, o “bairro Autódromo” guarda essa herança silenciosa: um traçado que nunca foi asfaltado, mas que segue vivo na memória de quem sonhou com motores rugindo e bandeiras quadriculadas.
Agora, com o fim do Autódromo de Jacarepaguá e o fracasso do projeto em Deodoro, a chama do automobilismo reacende na Baixada. Por que não retomar Nova Iguaçu como polo do esporte? A localização é estratégica, próxima à Via Dutra. O terreno existe, a história também. E o mais importante: a vontade popular está voltando a crescer.
Há quem defenda a criação de um novo complexo esportivo no local, com kartódromo, pista para motocross e espaço para eventos. Além de preservar a memória da cidade, um projeto assim traria emprego, turismo e cultura para a região.
O bairro que nasceu de um sonho tem tudo para virar palco de um novo capítulo. Com vontade política, mobilização comunitária e investimento certo, Nova Iguaçu pode sim reacender seus motores.
Porque aqui, entre poeira e paixão, a velocidade nunca saiu do coração da cidade.
Por: Arinos Monge.
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