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O retorno do filho do Rio
Eri Johnson pisou novamente no palco carioca com a segurança de quem volta para casa. Nascido e criado no Rio de Janeiro, o ator traz consigo a energia de quem nunca deixou de carregar a cidade no peito, mesmo após rodar o Brasil inteiro.
"Rio de Janeiro é onde eu nasci e fui criado", afirma com convicção, marcando o retorno como momento de reencontro genuíno com raízes e público.
A escolha de voltar ao Rio não é casual. É reafirmação de identidade. É reconhecimento de que algumas histórias só fazem sentido quando contadas no lugar onde nasceram.
"Das Seis às Sete" é exatamente isso, um projeto que Eri Johnson traz de volta para a Zona Sul carioca, especificamente para o Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, onde acontecem apresentações todas as segundas-feiras, às 18h.
Uma infância de rua: quando o brinquedo era a liberdade.
Para entender "Das Seis às Sete", é preciso compreender a infância que moldou Eri Johnson. Criado em São Cristóvão, o ator teve como maior brinquedo não um objeto, mas a própria rua.
"Na minha infância, eu tinha como brinquedo, o maior brinquedo que eu tive na minha infância foi a rua", revela, com nostalgia de quem viveu época em que crianças ainda brincavam livremente nos espaços públicos.
Pique-tá, pique-bandeira, pique-esconde, pique-ajuda, soltar pipa; Eri vivenciou todas as brincadeiras que caracterizaram a infância de crianças cariocas dos anos 1980 e 1990.
Essas memórias não são apenas anedotas pessoais, são matéria-prima do espetáculo. São fios que conectam público à sua própria infância, gerando identificação imediata.
Morar ao lado do Clube de Regatas Vasco da Gama foi determinante. "Lá eu aprendi a respeitar o próximo, socializar e fazer grandes amigos", afirma Eri, reconhecendo que o clube foi escola de valores que transcendem o futebol. Essa formação, baseada em respeito, socialização e amizade, permeia toda a filosofia de "Das Seis às Sete".
Do futebol à interpretação: a escolha que definiu uma carreira.
Eri Johnson foi craque. Aos 6 anos de idade, chegou ao Vasco da Gama para jogar futebol de salão. Tinha talento, tinha futuro no esporte. Mas aos 17 anos, algo mudou. "Com 17 anos, já no campo, eu resolvi que minha história era com outra arte, interpretação, era arte de teatro, arte de televisão", revela, marcando momento de decisão que redirecionou sua vida.
A escolha não foi abandono do futebol, foi reconhecimento de vocação maior. "O futebol era uma coisa, era a maior brincadeira pra gente, era uma diversão muito grande", explica, diferenciando entre paixão e propósito.
A interpretação se revelou como propósito. E essa decisão, tomada aos 17 anos, abriu caminho para carreira que o tornaria referência em comédia e teatro carioca.
"Das seis às sete": espaço de encontro além da religião.
O título do espetáculo é metáfora. Das seis às sete da noite, horário de transição entre dia e noite, entre trabalho e descanso, entre rotina e reflexão.
É nesse intervalo que Eri Johnson convida o público a entrar em espaço onde fé, humor e memória se encontram.
"É um projeto nosso, né, que a gente tem a possibilidade de, independentemente de religião, nos encontrarmos para a gente bater um papo, reflexões, falar um pouquinho mais da vida, falar um pouquinho mais sobre fé, independentemente de religião", explica Eri, deixando claro que o espetáculo não é pregação religiosa, mas celebração de espiritualidade em sentido amplo.
O diferencial está na inclusão. Sobretudo reencontrar amigos.
"Esse é o grande barato", afirma Eri, revelando que o verdadeiro propósito do projeto é criar espaço onde pessoas se encontram, se reconhecem e compartilham histórias. A fé é linguagem, não barreira.
A religião é contexto, não exclusão.
Convidados especiais: Xand de Pilares e Andrezinho do Molejão.
Na estreia, Eri recebeu Xand de Pilares, amigo e irmão que trouxe energia de quem compreende a importância de celebrar encontros genuínos.
Na segunda apresentação, foi a vez de Andrezinho do Molejão, talento que transita entre Mocidade, Salgueiro, Mangueira e outras escolas de samba do Rio.
A escolha de convidados não é aleatória. São pessoas que, como Eri, entendem que arte é encontro.
Que performance é celebração coletiva. Que comédia é ferramenta de conexão humana. Cada convidado traz sua própria história, sua própria energia, sua própria fé, transformando cada apresentação em experiência única.
Temporada em junho e julho: convite para reencontro.
"Das Seis às Sete" está em cartaz nas segundas-feiras, às 18h, no Teatro dos Quatro (Shopping da Gávea), com apresentações confirmadas para junho e julho.
O espetáculo é escrito, dirigido e atuado pelo próprio Eri Johnson, trabalho autoral que reflete sua visão de teatro como espaço de intimidade e reflexão.
Ingressos variam entre R$ 60 e R$ 120, dependendo do setor escolhido. Há promoções para assinantes do Clube O Globo e do aplicativo Vivo Valoriza. A venda acontece online por meio da plataforma Sympla ou diretamente na bilheteria do teatro.
A filosofia de Eri Johnson: gratidão como propósito.
Ao longo da entrevista, uma palavra aparece repetidamente na fala de Eri: gratidão. Grato pela infância que teve. Grato pelo Vasco da Gama. Grato pela carreira na interpretação. Grato pela oportunidade de voltar ao Rio. Grato pelos amigos que o acompanham.
Essa gratidão não é performática é estruturante. É filosofia que permeia cada aspecto de "Das Seis às Sete". O espetáculo convida o público a entrar em um espaço onde a gratidão é celebrada, onde a memória é honrada, onde o encontro é sagrado.
Sobre Eri Johnson
Eri Johnson é ator, comediante e diretor carioca, nascido e criado no Rio de Janeiro.
Com trajetória que inclui teatro, televisão e performances ao vivo, Eri é conhecido por sua capacidade de misturar humor com reflexão profunda, criando espaços onde o público se sente genuinamente conectado.
Formado pela experiência de rua literalmente, nas brincadeiras de infância em São Cristóvão e pela disciplina do Vasco da Gama, Eri desenvolveu abordagem única de performance que valoriza encontro humano acima de técnica pura.
Sua carreira é marcada por projetos autorais que refletem sua visão de arte como ferramenta de conexão social e espiritual.
"Das Seis às Sete" é síntese de sua filosofia: teatro que celebra memória, fé e amizade, independentemente de religião ou origem.
O espetáculo é convite permanente para reencontro consigo mesmo, com amigos, com a cidade que o criou.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade e Antonio Lemos @djportugues
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