Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
Cada vez mais comum, o diagnóstico de esteatose hepática é uma realidade para 1/3 dos pacientes que procuram a especialidade de hepatologia. A doença é caracterizada pela presença de gordura no fígado, que pode ser decorrente de alterações metabólicas ou uma resposta do fígado a uma agressão ao seu funcionamento. Ou seja, pode ser um sinal de doença própria do fígado como hepatite C ou doença alcoólica, dentre outras. Ou ainda o acúmulo de gordura pode ser decorrente de doenças metabólicas envolvendo diabetes, obesidade e a síndrome metabólica, levando à doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA).
Existem três estágios da doença que estão associados à quantidade de gordura presente: o grau 1 é considerado acúmulo leve, já o grau 2 é moderado, enquanto no grau 3 existe um acentuado acúmulo de gordura no tecido hepático. A maior parte das pessoas tem uma alteração estável com possibilidade de reversão, seguindo o tratamento adequado. Mas, infelizmente, a doença pode progredir para estágios mais graves, como relata a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), onde 30% dos pacientes evoluem para um processo inflamatório de esteatoepatite, que pode progredir lentamente, por anos, até uma cirrose hepática ou ainda, mais raro, câncer de fígado.
A principal causa da esteatose (70%, segundo a SBH),está diretamente associada à obesidade, dislipidemia (alteração das gorduras no sangue - trigicerídeos e colesterol) e diabetes, sendo assim uma doença decorrente de alterações metabólicas. É frequente entre esses pacientes o diagnóstico de síndrome metabólica, com a presença de 3 ou mais das seguintes condições: circunferência de cintura elevada (obesidade visceral), alteração da glicemia em jejum (acima de 99mg/dl), HDL baixo (<45mg/dl), elevação dos níveis de triglicerídeos (>150 mg/dl) e pressão alta. Todos os pacientes com esteatose hepática apresentam risco maior de desenvolver diabetes e doenças cardiovasculares (doenças coronárias, infarto, derrame e AVC) no futuro.

O diagnóstico costuma ser feito através de ultrassonografia que revela um fígado mais brilhante e granulado, ou através de um exame que mede o grau de rigidez do fígado, chamado elastometria, que assim como a ultrassonografia, é não invasivo. Eventualmente, uma biópsia do fígado pode ser solicitada, especialmente em casos que haja dúvida importante sobre a causa do problema. Outros exames complementares podem ser solicitados, como a dosagem das enzimas marcadoras da saúde hepática.
Na maioria dos casos, o tratamento consiste em modificar os hábitos de vida, buscando dietas mais saudáveis e aumento da atividade física. Medicamentos sensibilizadores de insulina, antioxidantes e protetores celulares podem ser utilizados pelo médico, dependendo do caso.
Para se prevenir ou mesmo reverter a esteatose hepática podem ser tomadas algumas medidas, sendo emagrecer, uma das medidas mais eficazes para tratar a esteatose. Incluir alimentos contendo colina e betaína podem ajudar, pois colaboram para formar a estrutura (VLDL) que transporta essa gordura do fígado para os tecidos extra-hepáticos, evitando a esteatose. O acompanhamento médico é muito importante em todos os casos.
Profª. Drª. Adriana Pedrenho
Departamento de Ciências Fisiológicas, UFRRJ
Idealizadora da Nave Química Fisiológica
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!