Estudantes do Rio de Janeiro querem mais atividades com tecnologia e mídias digitais

Estudantes do Rio de Janeiro querem mais atividades com tecnologia e mídias digitais

 
 

Levantamento realizado com mais de 51 mil participantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental mostra que práticas com tecnologia, aulas com projetos “mão na massa” e atividades esportivas são essenciais para uma “escola do futuro”

 

Acolhimento no ambiente escolar também é amplamente relatado na pesquisa, com 67% dos estudantes do 6º e do 7º anos afirmando que se sentem bem na escola

 

Adolescentes reconhecem que disciplinas tradicionais contribuem para sua aprendizagem, assim como práticas esportivas e de bem-estar

 

No Rio de Janeiro, estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) identificam que atividades práticas, esportivas e que envolvem tecnologia são importantes. O resultado é baseado no levantamento realizado com cerca de 51 mil respostas coletadas pelo MEC (Ministério da Educação) em parceria com o Itaú Social, Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação).

 

As atividades ligadas às mídias sociais são fundamentais para uma “Escola do Futuro” para 42% dos estudantes do 6º e 7º anos e 40% dos de 8º e 9º anos. Outros itens de preferência apontados pelos adolescentes são as aulas consideradas “mão na massa”, com 40% dos mais novos e 38% dos mais velhos, e práticas esportivas, com 39% e 36%, respectivamente.

 

“As vozes dos adolescentes do Rio de Janeiro são um chamado para construirmos escolas que respondam às suas necessidades e aspirações. Esses resultados nos mostram que, ao ouvirmos, podemos criar políticas educacionais mais conectadas a essa fase do desenvolvimento humano e à realidade local”, diz Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social.

 

Disciplinas tradicionais

Ambos os grupos etários reconhecem a relevância das disciplinas tradicionais (língua portuguesa, matemática, ciências humanas e ciências da natureza) para seu desenvolvimento, porém, com preferência entre os mais novos. Enquanto 46% dos estudantes do 6º e 7º anos indicam que essas aulas contribuem para sua aprendizagem, o índice cai para 35% dos de 8º e 9º anos. 

 

Outra área que tem destaque é a das práticas esportivas e bem-estar, apontada por 40% dos mais novos e 35% dos mais velhos. Já na terceira opção surgem diferenças na percepção dos adolescentes: 30% dos estudantes do 6º e 7º anos elegendo atividades culturais como mais relevantes, e 31% dos de 8º e 9º anos preferindo educação financeira.

 

Acolhimento

O relatório também apontou o acolhimento no ambiente escolar, o que gerou respostas divididas conforme a faixa etária dos adolescentes. Segundo o levantamento, 67% dos estudantes de 6º e 7º anos dizem se sentir bem na escola, 69% reconhecem que convivem com profissionais que os respeitam, 77% relatam possuir pelo menos um adulto em quem confiam e 69% consideram o ambiente bom para todos aprenderem.

 

Nos participantes de 8º e 9º anos, o número dos que dizem se sentir bem na escola é de 52%, enquanto o percentual dos que convivem com profissionais que os respeitam soma 53%. Nos outros fatores, 68% apontam ter ao menos um adulto em quem confiam e 50% consideram o ambiente bom para aprender. O único percentual que é semelhante entre os grupos é a socialização com seus colegas, apontada por 85% dos adolescentes mais novos e 83% dos mais velhos.

 

Interações em outros ambientes

A interação fora do ambiente escolar - como passeios e visitas - é vista por 43% dos 6º e 7º anos e 48% dos de 8º e 9º anos como experiência capaz de ampliar as oportunidades de aprendizagem. Em contrapartida, ações que envolvem exposição de conteúdos têm menor adesão, como atividades de reforço (25% dos mais novos e 24% dos mais velhos), aulas teóricas (14% e 16%, respectivamente) e palestras (8% em ambos os grupos etários).

 

Fora da escola

Quando não estão na escola, as atividades de preferência dos adolescentes são os jogos on-line, apontados por 70% dos estudantes do 6º e 7º anos e 63% dos de 8º e 9º anos. Outras opções de destaque são a prática de algum esporte, respondida por 47% de ambos os grupos etários, e a realização de atividades artísticas, por 42% dos mais novos e 39% dos mais velhos.

 

Sobre o relatório

A pesquisa com dados do estado do Rio de Janeiro faz parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências, que traz as percepções dos estudantes sobre suas identidades, diversidades e obstáculos à participação, estimulando gestores, professores e comunidades a promoverem escolas mais inclusivas e transformadoras. 

 

No contexto nacional, a iniciativa ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes, marcando um passo importante na elaboração de uma política pública voltada especialmente para os Anos Finais do Ensino Fundamental. Os dados reforçam a necessidade de escolas que dialoguem com as experiências e expectativas dos alunos, promovendo uma educação mais prática, participativa e conectada à vida cotidiana.

 

Mais informações e os detalhes completos do relatório podem ser acessados em: https://semanadaescuta.org.br/resultados/estados.

Por Ultima Hora em 01/04/2026
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