Ex-banqueiro cita Presidente do Senado Alcolumbre, Presidente do União Rueda e ex-governadores Jacques Wagner, Rui Costa, Cláudio Castro e Ibaneis em propina que chega a R$ 155 milhões no exterior

Ex-banqueiro cita Presidente do Senado Alcolumbre, Presidente do União Rueda e ex-governadores Jacques Wagner, Rui Costa, Cláudio Castro e Ibaneis em propina que chega a R$ 155 milhões no exterior

O Ex-banqueiro que Abalou os Três Poderes

Daniel Vorcaro, fundador do extinto Banco Master, tornou-se o centro do maior escândalo financeiro-político do Brasil desde a Lava Jato. Preso no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, o ex-banqueiro apresentou duas propostas de delação premiada. Ambas foram rejeitadas pela PF.

A primeira proposta foi recusada por falta de elementos novos. A segunda, apresentada em junho de 2026, também foi negada. A Polícia Federal não divulgou oficialmente os motivos, mas bastidores indicam que Vorcaro ainda retém informações que considera estratégicas demais para revelar.

A grande questão que ecoa nos corredores do poder é: o que Vorcaro ainda está escondendo? Que tipo de informação é tão bombástica que precisa ficar na escuridão?

Os R$ 155 Milhões de Alcolumbre

O nome mais expressivo citado por Vorcaro é o do presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo trechos da delação divulgados com exclusividade pela revista Veja, o ex-banqueiro teria pago US$ 30 milhões ao senador, o equivalente a R$ 155 milhões, depositados em contas no exterior.

O dinheiro, de acordo com Vorcaro, seria um pagamento pelo apoio de Alcolumbre a uma demanda de interesse do Banco Master no Congresso. A revelação gerou onda de pressão política pela instalação de uma CPI ou CPMI para investigar o escândalo.

Alcolumbre distribuiu nota à imprensa negando qualquer relação escusa com o ex-banqueiro e afirmou que vai acioná-lo na Justiça. O senador disse jamais ter recebido dinheiro de Vorcaro.

O Fundo de Pensão do Amapá e os Títulos Podres

A delação não autorizada traz ainda um capítulo que envolve diretamente a base eleitoral de Alcolumbre. O fundo de pensão dos funcionários públicos do Amapá comprou R$ 400 milhões em títulos podres do Banco Master — papéis que se tornaram impagáveis após a liquidação da instituição.

O fundo era comandado por um aliado próximo de Alcolumbre, de acordo com a publicação da Veja. O caso levanta suspeitas de tráfico de influência e uso de recursos públicos para beneficiar o banco em troca de vantagens políticas.

Antônio de Rueda e o União Brasil

O presidente nacional do União Brasil, Antônio de Rueda, também foi citado por Vorcaro. Segundo as investigações, Rueda teria recebido repasses milionários do Banco Master por meio de um escritório de advocacia ligado a ele.

Rueda teria sido o responsável pela indicação da antiga diretoria da Rioprevidência, entidade que mais aportou recursos públicos ao Master. A previdência do Rio de Janeiro injetou R$ 3 bilhões no conglomerado de Vorcaro, dinheiro dos servidores fluminenses que agora corre sério risco de não ser recuperado.

Crítico ferrenho de Rueda, o deputado federal Luciano Bivar (MDB-PE), ex-presidente do antigo partido, questionou publicamente: "Vai restar alguém no União Brasil?", em referência aos sucessivos escândalos envolvendo a legenda.

O PT da Bahia na Mira

O ex-banqueiro também citou figuras de peso do PT baiano. O senador Jacques Wagner, ex-governador da Bahia e ex-ministro de Lula, e Rui Costa, ex-governador e ex-ministro da Casa Civil, foram mencionados em trechos da delação.

Os dois petistas teriam envolvimento em negócios do Banco Master com o estado da Bahia, embora os detalhes ainda não tenham sido totalmente revelados. A inclusão dos nomes ampliou o alcance político do escândalo, que já atingia governadores, senadores e presidentes de partido.

Cláudio Castro, Ibaneis Rocha e os Demais Citados

Desde a deflagração da Operação Compliance Zero, muitos nomes do meio empresarial, político e até do Judiciário vieram à tona. Entre os citados estão o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL); o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB); e os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Dirigentes estaduais que facilitaram contratos milionários e suspeitos entre as previdências dos estados e o Banco Master também são alvo das investigações. A PF apura aportes de R$ 3 bilhões de recursos públicos do Rio de Janeiro para o conglomerado de Vorcaro.

O Filme Dark Horse e a Conexão Ciro Nogueira

Em sua segunda proposta de delação, Vorcaro incluiu informações sobre o filme Dark Horse e o senador Ciro Nogueira. No entanto, investigadores avaliam que ele não apresentou elementos novos, e a tendência é que o acordo seja negado novamente.

A menção ao filme gerou curiosidade nos bastidores. Vorcaro não tratou os pagamentos como propina, mas a simples citação de Ciro Nogueira em conexão com a produção cinematográfica levantou suspeitas sobre a origem dos recursos e os reais interesses por trás do investimento.

O Rombo Bilionário e a Faxina Ético-Moral Necessária

Os números do escândalo são estarrecedores. Entre recursos de previdências estaduais, títulos podres comprados por fundos de pensão e contratos suspeitos, o rombo nos cofres públicos pode ultrapassar R$ 5 bilhões.

A sensação nos bastidores do poder é de que o Brasil precisa de uma faxina ético-moral urgente. Enquanto uma delação robusta e com fatos novos não seja aceita pela PF e homologada pela Justiça, a sociedade acompanha os bastidores nada republicanos das negociatas do Banco Master e se escandaliza com a naturalização da corrupção por quem deveria zelar pela ética e a moral.

O governo Lula, o Congresso Nacional e o Judiciário observam atentos os próximos passos de Vorcaro dentro da prisão. A pergunta que não quer calar é: ele vai falar tudo o que sabe ou vai levar seus segredos para a cela comum?

Perfil de Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro é um empresário brasileiro que fundou e controlou o Banco Master, instituição financeira que cresceu rapidamente no mercado brasileiro até ser liquidada pelo Banco Central no final de 2025. Sua trajetória empresarial foi marcada por agressiva captação de recursos públicos por meio de operações com previdências estaduais e fundos de pensão.

Vorcaro tornou-se figura central no maior escândalo financeiro-político do Brasil desde a Lava Jato. Sua prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro, espionagem ilegal e corrupção envolvendo políticos dos Três Poderes. Apresentou duas propostas de delação premiada, ambas rejeitadas pela PF, gerando especulações sobre o que ainda pode revelar sobre suas conexões com autoridades brasileiras.

Fontes:

Revista Veja — "Alcolumbre e PT da Bahia aparecem em novo capítulo das revelações de Vorcaro" (12/06/2026) | G1 — "Operação Compliance Zero: entenda as oito fases da investigação" (08/06/2026) | G1 — "Vorcaro cita Dark Horse e Ciro Nogueira em nova proposta de delação" (09/06/2026) | Folha de S.Paulo — "PF volta a negociar delação premiada com Daniel Vorcaro" (29/05/2026) | CNN Brasil — "Quem são os alvos da PF em nova fase da Compliance Zero" (26/05/2026) | Valor Econômico — "Alcolumbre afirma jamais ter recebido dinheiro de Vorcaro" (12/06/2026) | Wikipedia — Escândalo do Banco Master | Gazeta do Povo — "Quem é Daniel Vorcaro e por que sua delação gera tensão em Brasília"

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Por Ultima Hora em 12/06/2026
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