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Enquanto faltam médicos e remédios nos postos, parlamentares aprovam a conta-gotas do “me ajuda aí” com o nosso dinheiro. A saúde? Vira cabide de emprego.
E mais uma vez o Congresso Nacional resolveu brincar de Robin Hood... só que ao contrário: tiram do SUS para enfiar dinheiro nos bolsos dos aliados. Com uma votação simbólica (porque quando é pra fazer coisa errada, ninguém quer botar o nome na lista), deputados e senadores aprovaram nesta segunda (17) o uso de verbas da saúde para pagar salário de pessoal nas prefeituras.
Quer dizer: a verba que deveria ser usada para comprar remédio, melhorar hospital, pagar exame de quem tá há meses na fila... vai agora pra cobrir folha de pagamento. Mas não qualquer folha. Adivinha de quem? Dos “parças”, dos cabos eleitorais, dos sobrinhos, cunhados e agregados”.
O projeto teve apoio de peso: Davi Alcolumbre, Hugo Motta e outros figurões do clube da política. Tudo assinado, carimbado e promulgado rapidinho. Quase como um saque autorizado no caixa eletrônico da viúva: saúde virou pretexto, o contracheque virou destino.
Só dois partidos – PSOL e Novo – tiveram coragem de dizer “peraí, isso tá estranho!”. O resto? Silêncio cúmplice ou aquele famoso “tô nem aí”. O Tribunal de Contas da União até avisou que isso pode dar ruim: emenda de comissão não é verba fixa, não dá pra bancar salário com dinheiro que pode ou não vir. Mas quem se importa, né?
É a velha política de sempre: a saúde pública sangrando, e o Congresso com a seringa cheia — não de vacina, mas de privilégio. É como se tivessem escrito na testa: “se sobrar um band-aid pro povo, é lucro”.
Enquanto isso, o brasileiro segue sendo atendido em corredor de hospital, esperando vaga em UPA, pedindo socorro nas redes sociais. O Congresso? Bem, lá o plano de saúde é premium, o cafezinho é gourmet e o salário está garantido — agora com verba que era pra curar e virou “toma lá, dá cá”.
É como diz o ditado: “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Só que agora a farinha é pública. E a vergonha, essa aí, parece que ninguém mais vende.
Por: Arinos Monge
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