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No Brasil, até o remédio virou moeda de troca no jogo sujo da corrupção. O que era pra ser um programa social — o Farmácia Popular — virou uma verdadeira máquina de fazer dinheiro pra bandido. Enquanto o povo tenta pegar dipirona no posto de saúde, uma quadrilha bem organizada tava desviando mais de 40 milhões de reais com farmácias que nem existem. Isso mesmo: farmácia de fachada, construída no papel, com endereço falso, CPF de gente que nem sabe que tá “doente” e até CNPJ registrado em terreno baldio.
A Polícia Federal bateu o martelo: o dinheiro que deveria bancar tratamento de gente simples tava indo parar nas mãos do tráfico internacional, abastecendo organizações criminosas na Bolívia e no Peru. Uma farra de insulina e medicamentos fantasmas que virou exportação de golpe: o Brasil mandava grana, e o crime devolvia em droga. Parece piada, mas é desgraça mesmo.
No centro da trama, um sujeito apelidado de Fernando Piolho, que usava até o nome da filha pra abrir empresas de mentira. Um gênio do crime com faro pra verba pública. E não faltavam laranjas: mais de 160 mil CPFs foram usados no golpe, gente que nunca viu um frasco de insulina na vida. Teve até dentista que “retirava” 20 caixas por mês, sem nem ser diabético. Isso tudo enquanto o povo real, doente de verdade, mal consegue atendimento.
Foram 148 farmácias reais ou falsas envolvidas, espalhadas em vários estados, todas com uma única função: sugar o dinheiro público e sumir sem deixar rastro. E sabe o que é mais triste? O sistema do Ministério da Saúde detecta 140 mil tentativas de fraude por dia no Farmácia Popular. Todo santo dia tem alguém tentando dar o golpe. Virou profissão.
Enquanto isso, a dona Maria continua sem remédio pra pressão, o seu João espera vaga pra consulta, e a fila do SUS só aumenta. Mas a quadrilha? Essa tava voando. O Estado vira sócio do crime quando não fiscaliza, quando finge que não vê, quando deixa o sistema ser invadido como se fosse terreno abandonado.
No fim, quem precisa de remédio toma é um tapa na cara. E quem faz o golpe, continua rindo, com CPF limpo e conta cheia. O Brasil virou especialista em deixar quem precisa na fila e quem rouba no lucro.
Por: Arinos Monge
Fonte: MSN/G1
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