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Maricá gasta quase R$ 2 milhões em cachês de artistas enquanto enfrenta déficit bilionário
Município conhecido por arrecadação bilionária de royalties do petróleo desembolsa valores expressivos para shows de aniversário em meio a desequilíbrio fiscal de R$ 1,47 bilhão
Parabéns de luxo para os 211 anos da cidade
Em meio a um cenário fiscal preocupante, a Prefeitura de Maricá não economizou nas comemorações do aniversário de 211 anos da cidade. O município desembolsou mais de R$ 1,9 milhão apenas em cachês para artistas que se apresentaram durante as festividades, que ocorreram entre os dias 16 e 26 de maio.
Os valores pagos aos artistas chamam atenção: Simone Mendes recebeu R$ 750 mil, seguida por Elba Ramalho com R$ 290 mil, Alceu Valença com R$ 250 mil, Marcelo D2 com R$ 220 mil, Jorge Aragão com R$ 210 mil e o grupo Fundo de Quintal com R$ 180 mil. A contratação dos shows de grande porte ocorre em um momento delicado para as finanças municipais.
Déficit bilionário nas contas públicas
Enquanto investe em festividades, Maricá enfrenta um desequilíbrio fiscal significativo. Um relatório oficial de execução orçamentária revelou um déficit de R$ 1,47 bilhão entre receitas e despesas no acumulado até o segundo bimestre de 2025, conforme publicado no Jornal Oficial do Município.
Apesar de sua conhecida arrecadação bilionária, principalmente proveniente dos royalties do petróleo, o município arrecadou aproximadamente R$ 2,3 bilhões até o segundo bimestre deste ano, o que representa apenas 33% da previsão orçamentária anual de R$ 7 bilhões. Este percentual é considerado baixo para o período analisado e gera preocupações quanto à capacidade do município de cumprir suas metas fiscais para o exercício.
Dependência de royalties e vulnerabilidade fiscal
A composição da receita municipal revela uma forte dependência de transferências da União e de receitas patrimoniais, especialmente relacionadas a rendimentos de aplicações financeiras e uso do patrimônio imobiliário. Esta estrutura de arrecadação reforça a vulnerabilidade do município em relação aos royalties do petróleo e outras fontes externas.
O vereador Ricardinho Netuno (PL), membro da oposição ao governo do PT em Maricá, já havia manifestado preocupação com a dependência excessiva do município em relação aos royalties. A ausência de receitas de capital até o momento – geralmente utilizadas para financiar obras e investimentos estruturantes – pode comprometer projetos importantes previstos para este ano.
Alerta de especialistas
Especialistas em finanças públicas alertam que déficits dessa magnitude, caso se tornem recorrentes, podem comprometer não apenas os investimentos futuros, mas também afetar a credibilidade da gestão municipal perante instituições financeiras e órgãos de controle.
"Quando um município com arrecadação bilionária apresenta um déficit dessa proporção, é necessário revisar imediatamente a política de gastos e a eficiência da aplicação dos recursos", explica um especialista em gestão pública consultado pela reportagem, que preferiu não se identificar.
O principal fator apontado para o desequilíbrio seria o elevado custeio da máquina pública e a manutenção de contratos onerosos, que consomem grande parte do orçamento municipal antes mesmo que investimentos possam ser realizados.
Contraste entre imagem e realidade
A situação de Maricá contrasta com sua imagem de município próspero, frequentemente citado como exemplo de gestão de recursos provenientes do petróleo. Nos próximos meses, a administração municipal enfrentará o desafio de equilibrar suas contas sem comprometer serviços essenciais à população, enquanto questões sobre a priorização de gastos, como os elevados cachês para shows, continuam a gerar debates.





Despesas, sem licitação, saíram no Diário Oficial – Foto: Reprodução
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Com Informações Maricá Info, FÁBIO MARTINS e VÍTOR D’AVILA Tempo Real
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