Garotinho lança pré-candidatura ao Governo do Rio prometento 'fechar a torneira da corrupção' e aponta envolvimento de rivais (Paes, Ruas e Canella) com milícias, comando vermelho e enriquecimento ilícito

Ex-governador denuncia enriquecimento ilícito de rivais e aponta Eduardo Paes e Douglas Ruas como vinculados ao crime organizado 'Vou prender os dois e acabar com essa farra'

A política fluminense ganha novo capítulo de tensão. Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro e figura histórica da esquerda brasileira, oficializa sua pré-candidatura ao governo estadual e coloca na mesa acusações bombásticas contra seus possíveis concorrentes. Em entrevista exclusiva, o radialista e político afirma ser "o único candidato sem ligação com as facções que dominam o Rio" — uma crítica velada aos principais nomes que circulam na disputa pela sucessão estadual.

A denúncia contra Canella Ex-prefeito de Belford Roxo

O foco imediato de Garotinho recai sobre acusações contra Canella Pré-candidato a Senador, alvo de uma representação e notícia crime protocoladas pelo próprio Garotinho. As alegações envolvem enriquecimento ilícito estruturado através de uma rede sofisticada de laranjas — pessoas utilizadas como intermediárias para dissimular a real titularidade de bens.

Segundo Garotinho, o ex-prefeito movimenta aproximadamente cem postos de combustível, redes de restaurantes, veículos blindados e três pátios de reboque em nome de terceiros.

O quadro amplia-se com a questão das milícias. Garotinho apresentou ao Ministério Público um mapa detalhado de Belford Roxo indicando as respectivas milícias atuantes em cada área. Recentemente, uma dessas organizações criminosas foi alvo de operação federal: onze policiais ligados a uma milícia foram presos no batalhão de Belford Roxo, e Fabio Varandão, identificado como chefe da milícia do Lote 15, foi capturado na semana anterior.

A audiência de Garotinho marcada para está sexta com o Ministério Público busca colher informações adicionais sobre a teia de atos ilegais e criminosos denunciados.

Quando confrontado sobre supostas críticas pessoais de Canella — como a alegação de que estaria utilizando Rivotril, medicamento psiquiátrico — Garotinho responde com ironia: "Quando o sujeito não tem resposta, ele parte pra brincadeira." Em seguida, apresenta dados concretos: CNPJs de empresas laranja, CPF de laranjas, endereços de propriedades. Menciona uma casa no condomínio Del Lago, na Barra , avaliada em milhões de reais, administrada pelo policial Pablo Juquiá em Camboinhas (R$ 16 milhões) e propriedade em Angra do Reis em condomínio luxuoso (R$ 10 milhões adicionais).

A bomba de Bacellar e a iminência de novas revelações

Garotinho sustenta que as investigações sobre Bacellar, figura central em esquemas de corrupção estadual, ainda não atingiram sua completude. Estima que "o que revelaram até agora é 10% do que vai acontecer." O ponto crítico situa-se na homologação da delação do presidente do Rio Previdência — ato processual que promete entregar os nomes de Antônio Rueda, Nicola Miccione, Cláudio Castro e o próprio Canela como coautores de atos criminosos.

Além disso, Garotinho antecipa operações iminentes contra deputados da Baixada Fluminense, sugerindo que a onda de investigações federais se intensificará nos próximos dias. O quadro, descrito por ele, é o de um estado assolado por estruturas criminosas enraizadas no aparelho estatal.

O posicionamento contra milícias e tráfico

A narrativa de campanha de Garotinho repousa numa dicotomia que ele coloca de forma direta aos eleitores: "Entre votar no candidato da milícia ou no candidato do comando vermelho, vou votar no Garotinho que prende os dois e acaba com essa farra no Rio." A crítica aponta para Eduardo Paes, apontado como apoiado pela "Lucinha" (deputada presa pela Polícia Federal), e Douglas Ruas, que teria declarado no plenário ser "fã do Bacellar" e membro da "tropa do Bacellar" — antes de ser preso pela PF como principal político vinculado ao Comando Vermelho.

A agenda de governo: fechar a "torneira da corrupção"

Quando questionado sobre suas propostas para segurança pública, saúde e dívida fiscal do estado, Garotinho recorre a uma metáfora de impacto: "Se você tem um saco e vai botando água nesse saco, mas tem um furo embaixo, não enche o saco, vai saindo a água toda. É o dinheiro do estado." O "furo" seria a corrupção sistêmica. Sua prioridade, portanto, é "fechar a torneira da corrupção" — condição que permitiria restaurar programas importantes em saúde, educação e segurança.

Garotinho apoia sua candidatura na experiência anterior, quando instituiu programas sociais de grande alcance: Restaurante Popular, Cheque Cidadão e Delegacia Legal — este último reconhecido pela ONU como modelo de boas práticas.

O tabuleiro eleitoral se reorganiza

A entrada de Garotinho na disputa adiciona volatilidade ao cenário. Historicamente vinculado à esquerda trabalhista — herdeiro político do legado de Leonel Brizola —, Garotinho migrou por diversas agremiações (PT, PDT, PSB, PMDB, PR e atualmente Republicanos). Sua última candidatura presidencial, em 2002, rendeu-lhe terceiro lugar com quinze milhões de votos, apoiado principalmente por eleitores evangélicos.

Na Câmara Federal, obteve a maior votação registrada para deputado federal no Rio (694.862 votos em 2010), perdendo apenas para o humorista Tiririca. Sua base permanece forte entre camadas de baixa renda, sustentada pela imagem de político populista — ora elogiado por seus programas sociais, ora criticado por assistencialismo estatal.

Os debates já esquentam

Quando perguntado se está preparado para os debates da campanha, Garotinho responde com sarcasmo: "Eu acho que quem vai ter que tomar rivotril são os outros." A frase encerra a entrevista com o tom que o caracteriza: combativo, provocador e confiante de seu apelo eleitoral. Nos próximos meses, a campanha fluminense promete ser marcada por acusações cruzadas e, potencialmente, por revelações que a Justiça Federal já mantém em andamento.

A pré-candidatura de Anthony Garotinho ao governo fluminense recoloca no tabuleiro político um nome associado tanto a inovações sociais quanto a controvérsias institucionais. Sua estratégia de campanha baseia-se na denúncia de corrupção sistêmica e na promessa de "fechar a torneira" — uma aposta de que o eleitor fluminense, cansado de esquemas criminosos envolvendo milícias e tráfico, legitime sua volta ao poder.

As audiências no Ministério Público, as delações homologadas e as operações federais que ele antecipa desenham um pano de fundo de investigações que podem reescrever a política estadual nos próximos meses. Resta saber se Garotinho conseguirá transpor o ceticismo e conquistar a confiança do eleitorado fluminense em 2026.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Por Ultima Hora em 13/05/2026
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