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Brasília tornou-se palco de articulação política para um município que, apesar de sua reduzida população de 4 mil habitantes, enfrenta desafios típicos de cidades que precisam responder a pautas elaboradas distante de suas realidades.
Geleade Gadiél Wollert, prefeito de Dr. Pedrinho eleito em 2024, chegou à XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios reconhecendo uma verdade incômoda: muitas das decisões tomadas na capital federal prejudicam diretamente gestões municipais que carecem de poder de veto ou negociação.
Dr. Pedrinho integra o Vale Europeu Catarinense, região reconhecida por sua beleza natural e potencial turístico significativo. Localizado a 507 metros de altitude, o município estende-se por 375,8 quilômetros quadrados com densidade demográfica de apenas 10,8 habitantes por quilômetro quadrado.
Próximo a Timbó e vizinho de Benedito Novo, José Boiteux e Corupá, Dr. Pedrinho nasceu como distrito em dezembro de 1948 e conquistou status de município em 1989, desmembrando-se de Benedito Novo.
Apesar de sua juventude institucional, enfrenta desafios de financiamento e influência política que cidades maiores não experimentam com mesma intensidade.
A economia diversificada como força e vulnerabilidade
Dr. Pedrinho sustenta-se em economia que diversifica entre três setores principais: turismo, agropecuária e indústria têxtil.
O turismo cresceu significativamente nos últimos anos, atraído pelas cachoeiras, corredeiras, morros e paisagens que caracterizam a região do Vale Europeu.
A agropecuária permanece como atividade que mais gera renda ao município, com foco em arroz, milho e criação de gado.
O setor têxtil oferece diversificação econômica que diferencia Dr. Pedrinho de municípios inteiramente dependentes de agricultura ou turismo sazonalizado.
Porém, esta diversificação não oferece blindagem contra decisões federais que impactam todos os sesimultaneamente ente.
Políticas de crédito para agricultura, regulamentações ambientais que afetam turismo, ou impostos sobre a indústria têxtil emanam de Brasília sem consulta a gestores municipais que vivem as consequências em primeira mão.
Esta é a lacuna que Geleade Wollert busca preencher através da participação ativa em eventos como a Marcha dos Prefeitos.
O poder da soma de esforços municipalistas
A participação de Geleade em Brasília reflete compreensão de que municípios isolados possuem peso político negligenciável. Porém, quando congregados em estruturas como a Confederação Nacional de Municípios (CNM) que reúne mais de 5 mil municípios conseguem voz que ecoa em corredores do Congresso Nacional, Senado e Ministérios.
Conforme declarado pelo prefeito, "a importância de a gente somar forças com outros prefeitos e vários municípios no mesmo intuito daquilo que impacta diretamente lá na nossa cidade".
Este reconhecimento reflete pragmatismo político. Geleade identificou que "muito do que é aprovado aqui em Brasília reflete muitas vezes nos municípios.
Quando é positivamente legal, todo mundo ganha, mas muitas das ações que acontecem aqui em Brasília prejudicam os municípios". Sua presença em Brasília não é meramente simbó ica é estratégica.
Permite identificar "pautas-bombas", projetos que trazem "encargo maior para o município", e preparar-se contra impactos que poderiam desestabilizar finanças municipais ou operações administrativas.
As cachoeiras como patrimônio a preservar.
Dr. Pedrinho oferece atrativos naturais de relevância turística internacional. As cachoeiras da região atraem visitantes de toda a América do Sul e além, gerando receita que sustenta pequenos empreendimentos locais O Circuito Vale Europeu, que integra Dr. Pedrinho tornou-se destino consolidado para turismo ecológico e cultural.
Porém, regulamentações ambientais federais frequentemente desenhadas sem consulta a municípios que dependem destas paisagens podem comprometer infraestrutura turística ou restringir atividades econômicas que historicamente sustentaram comunidade.
A participação na Marcha oferece oportunidade de dialogar com formuladores de política ambiental sobre realidades concretas de municípios que precisam preservar patrimônio natural enquanto geram renda para população que depende diretamente do turismo.
Educação e infraestrutura: investimento contínuo
Administração municipal investe em estrutura tecnológica. Conforme comunicados oficiais, a Secretaria de Educação reforçou estrutura de escolas e centros de educação infantil com novos notebooks e projetores, evidenciando compromisso com educação de qualidade mesmo em município de população reduzida.
Porém, recursos federais frequentemente são insuficientes para manter estas iniciativas, forçando prefeituras a sacrificar outras áreas.
A infraestrutura viária, particularmente a SC-477 que liga Vale ao Planalto Norte é essencial para conectar o município a mercados consumidores.
Investimentos em estradas são frequentemente financiados através de emendas parlamentares ou transferências federais, tornando a articulação política em Brasília fundamental para a viabilidade de projetos estruturantes.
O primeiro mandato como oportunidade de aprendizagem
Geleade Wollert chega a seu primeiro mandato em contexto de município que buscava consolidação institucional.
Sua eleição com votação expressiva em primeiro turno reflete confiança eleitoral. Porém, primeiro mandato exige aprendizagem acelerada sobre como influenciar decisões federais que impactam gestão local.
A Marcha oferece espaço para esta aprendizagem, permitindo que Geleade se conecte com prefeitos mais experientes e com estruturas que concentram poder de negociação.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber @robsontalber
Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial
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