General revela bastidores do Exército no Congresso e setor só para atender pedidos de políticos: para sobrar e para servir

General Tomás em discurso no Congresso Nacional

General revela bastidores do Exército no Congresso e setor só para atender pedidos de políticos: para sobrar e para servir

Uma declaração feita por um general do Exército Brasileiro sobre o funcionamento interno da assessoria parlamentar da Força no Congresso Nacional acendeu um alerta sensível: existe um setor estruturado especificamente para atender demandas de políticos, incluindo pedidos relacionados ao serviço militar inicial.

Ao mencionar solicitações como “pedidos para sobrar e pedidos para servir”, o oficial trouxe à tona questionamentos sobre possíveis favorecimentos envolvendo alistamento, dispensa e acesso a oportunidades dentro das Forças Armadas. Em um ambiente onde bilhões em emendas também estão em jogo os votos a favor Exército são conquistados em troca de favores pessoais?

Durante a palestra o General de Divisão Emílio, chefe da Assessoria Parlamentar do Exército (Aspar), subordinada ao Comandante do Exército, General Tomás Miguel Miné, não poupou elogios à atual gestão e à engrenagem que montou para navegar nas águas turbulentas da política brasiliense.

Com um aumento significativo de efetivo e um monitoramento que beira a onipresença, a assessoria deixou de ser um gabinete de relações públicas para se tornar um verdadeiro “pelotão de elite” legislativo.

Um pelotão estratégico no coração do poder

O General Emílio destacou, com orgulho, o crescimento de sua estrutura. O que antes era uma equipe reduzida, sob seu comando, transformou-se em um corpo de 42 militares altamente especializados, um aumento expressivo em relação aos 23 que compunham o setor há poucos anos. Esse contingente atua de forma coordenada entre o “Recuado” (no QG do Exército) e o “Avançado” (dentro do Congresso), garantindo que a Força Terrestre tenha olhos e ouvidos em cada comissão.

A meta é clara: não se pode “perder” nenhum parlamentar. Emílio explicou que, independentemente da ideologia, o que interessa é “ganhar” o parlamentar, por uma questão de sobrevivência institucional. Ou seja, o Exército não sobreviveria se optasse por um dos lados do espectro ideológico.

“Se algum parlamentar percebe que a gente tende mais à direita ou à esquerda, a gente acaba perdendo o parlamentar”, afirmou.

O oficial ressaltou que o “coração” da assessoria é o setor que atende os pedidos dos políticos: “Uma assessoria especial que é só para atender as demandas dos parlamentares. Então, hoje a gente ainda tem um serviço militar obrigatório, muitas vezes porque as demandas dos parlamentares são atendidas por intermédio dessa dessa assessoria especial, pedidos para sobrar, pedidos para servir, coisas que as três forças vivenciam bem, um apoio administrativo e aqui na frente, que é o é o coração da assessoria“.

 

No Brasil o serviço militar é ainda obrigatório, como mencionado pelo oficial. Muitos que se alistam são selecionados contra a vontade, outros não e alguns que gostariam de ir para os centros de formação de oficiais da reserva não conseguem. Com essa declaração surgem questionamentos importantes, se um deputado tiver um filho ou um parente que vai se alistar ele pode ser favorecido, dispensado do serviço militar ou – quem sabe – encaixado no curso de oficiais da reserva?

A “chave do cofre” e a vitória de R$ 50 bilhões

A eficiência desse “pelotão parlamentar” foi medida em números astronômicos. O General celebrou o sucesso na captação de recursos via emendas, que hoje somam cerca de R$ 50 bilhões distribuídos entre deputados e senadores. Ele destacou, como um troféu de sua gestão, o fato de o Exército ter conseguido sair da Comissão Mista de Orçamento com uma Lei Orçamentária Anual (LOA) maior do que o projeto enviado pelo Executivo — um feito que não ocorria há 12 anos.

  • Poder de convencimento: Cada senador detém R$ 74 milhões em emendas, e cada deputado, R$ 40 milhões. A Aspar atua para direcionar esses recursos a projetos estratégicos e reformas de quartéis.
  • Blindagem salarial: O General enfatizou que o trabalho silencioso garantiu a preservação da paridade e integralidade, itens que ele classificou como “cláusulas pétreas” da família militar, impedindo que o governo mexesse no bolso da tropa.

O oficial general em questão protagonizou recentemente uma discussão bastante quente com o Deputado Marcel Van Hattem, que declarou que prestou queixa contra o general e que se sente ameaçado.

Escrito por Robson Augusto

Por Ultima Hora em 05/05/2026
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