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A leitura dos dados sugere que o tema "tarifaço" perdeu força como elemento central da disputa, ao menos neste momento. O principal indício é que não houve ganho político para nenhum dos dois polos. Pelo contrário: na disputa de 2º turno, Lula recuou dois pontos percentuais e Flávio Bolsonaro perdeu um ponto percentual em relação à rodada anterior. Esses votos não migraram de um candidato para o outro, mas sim para a opção "nenhum deles", indicando que o eleitorado parece ter absorvido o debate e voltado sua atenção para outras preocupações.
A 17ª rodada da pesquisa nacional GERP para a eleição presidencial de 2026 mostra que a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro permanece altamente competitiva. No primeiro turno, os dois aparecem em empate técnico: Flávio Bolsonaro registra 35% das intenções de voto, enquanto Lula alcança 34%.
No entanto, o cenário muda quando a disputa é projetada para o segundo turno. Na simulação direta entre os dois candidatos, Flávio Bolsonaro aparece com 45% das intenções de voto, contra 39% de Lula, abrindo uma vantagem de seis pontos percentuais.
A pesquisa indica ainda que o tema do tarifaço, amplamente debatido nas últimas semanas, parece ter perdido capacidade de alterar significativamente o quadro eleitoral. O eleitorado continua atento ao tema, mas os dados sugerem que outras preocupações passaram a ocupar posição mais relevante na agenda pública.
Segundo o levantamento, a segurança pública voltou a ocupar posição central entre os temas considerados mais importantes pela população. A violência e o combate ao crime aparecem como o principal problema do país para 56% dos entrevistados, superando temas econômicos e outras questões de grande repercussão nacional.
Esse movimento favorece especialmente Flávio Bolsonaro. Quando os eleitores são questionados sobre qual candidato está mais preparado para combater a violência, Flávio lidera com 35%, contra 30% de Lula. O senador também aparece à frente quando o tema é combate à corrupção.
A pesquisa foi realizada poucos dias após a decisão dos Estados Unidos de classificar organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Os dados mostram que o tema alcançou elevada repercussão nacional. Nada menos que 82% dos entrevistados afirmam ter tomado conhecimento da medida.
Entre aqueles que conhecem o assunto, 67% aprovam a classificação das facções como organizações terroristas, enquanto 25% desaprovam. O resultado revela amplo apoio popular ao endurecimento do combate ao crime organizado e reforça a importância da pauta de segurança pública no debate nacional.
O levantamento mostra ainda que a proposta é fortemente associada a Flávio Bolsonaro. Entre os entrevistados que conhecem o tema, 80% afirmam que essa posição é mais defendida por Flávio Bolsonaro, contra apenas 7% que a associam ao presidente Lula.
Os dados sugerem que o debate sobre terrorismo, facções criminosas, narcotráfico e combate ao crime organizado passou a integrar o eixo central da discussão sobre segurança pública. Esse movimento tende a favorecer candidatos mais identificados com discursos de endurecimento no combate às organizações criminosas.
Os dados também mostram que Lula continua enfrentando desafios relacionados à avaliação do governo federal. A aprovação da gestão está em 40%, enquanto a desaprovação alcança 52%. Na avaliação pessoal do presidente, 45% classificam seu governo como ruim ou péssimo.
Outro dado relevante é a rejeição eleitoral. Lula aparece como o candidato mais rejeitado da disputa, com 48%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 42%.
Para os analistas da GERP, os números sugerem que a disputa entra em uma nova fase. O debate econômico continua relevante, mas perde espaço para temas ligados à segurança pública, combate ao crime organizado, terrorismo, corrupção e capacidade de gestão.
Principais resultados
1º Turno
• Flávio Bolsonaro: 35%
• Lula: 34%
• Renan Santos: 4%
• Romeu Zema: 2%
• Ronaldo Caiado: 2%
2º Turno
• Flávio Bolsonaro: 45%
• Lula: 39%
Avaliação do Governo Federal
• Aprova: 40%
• Desaprova: 52%
Principal problema do Brasil
• Violência e segurança pública: 56%
Organizações Terroristas
• 82% souberam da classificação do PCC e CV como organizações terroristas
• 67% aprovam a medida
• 80% associam a proposta a Flávio Bolsonaro
• 31% consideram a medida uma ação de segurança pública
Rejeição
• Lula: 48%
• Flávio Bolsonaro: 42%
Metodologia
Pesquisa nacional realizada entre os dias 2 e 5 de junho de 2026.
• Amostra: 2.000 entrevistas
• Abrangência: 27 unidades da Federação
• Seleção por cotas: sexo, faixa etária e renda do chefe do domicílio
• Método: GerpCATI Remoto
• Margem de erro: ±2,24 pontos percentuais
• Nível de confiança: 95,55%
• Registro: BR-01792/2026
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