Governo do Rio desapropria área para criação do Parque Natural Municipal das Águas de Guapimirim

Decreto viabiliza preservação de 2.459 hectares de Mata Atlântica na Região Metropolitana

Governo do Rio desapropria área para criação do Parque Natural Municipal das Águas de Guapimirim

O governador Cláudio Castro assinou decreto declarando de utilidade pública uma área de 2.459,44 hectares para a criação do Parque Natural Municipal das Águas de Guapimirim, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A medida, publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (15), representa um marco na preservação ambiental do estado e resulta de um acordo firmado entre o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o Governo do Estado e o Município de Guapimirim. A iniciativa visa proteger remanescentes da Mata Atlântica e compensar impactos ambientais causados por empreendimentos industriais na região.

O processo de criação do parque tem origem em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em agosto de 2024 e homologado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). O acordo estabelece responsabilidades claras, prazos definidos e mecanismos de financiamento para viabilizar a implantação da unidade de conservação. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) fornecerão suporte técnico e financeiro para o projeto, garantindo expertise especializada na gestão ambiental.

Os objetivos do Parque Natural das Águas de Guapimirim são abrangentes e estratégicos para a conservação regional. A unidade visa preservar remanescentes da Mata Atlântica, manguezais e restingas, ecossistemas fundamentais para a manutenção da biodiversidade local. Além da proteção da fauna e flora nativas, o parque terá como missão recuperar áreas degradadas e promover educação ambiental, lazer e turismo ecológico. Essas ações contribuirão para a conscientização da população sobre a importância da preservação ambiental.

A criação do parque também serve como medida compensatória pelos impactos ambientais causados pelas obras do antigo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), retomadas em 2024 sob o nome Polo GasLub. Esta conexão demonstra como o poder público busca equilibrar desenvolvimento industrial com responsabilidade ambiental, estabelecendo mecanismos de compensação que beneficiam a sociedade. A iniciativa representa um modelo de como grandes empreendimentos podem contribuir para a preservação ambiental.

O financiamento das ações será proveniente do Fundo da Mata Atlântica (FMA), que disponibiliza cerca de R$ 7,6 milhões para o projeto. Parte deste recurso já foi aplicada no Plano de Manejo, estimado em R$ 1 milhão, documento fundamental para orientar a gestão da unidade de conservação. O município de Guapimirim assumirá a responsabilidade pela gestão, fiscalização e administração do parque, com a obrigação de enviar relatórios semestrais ao Ministério Público para acompanhamento das atividades.

A importância ambiental e turística de Guapimirim justifica plenamente a criação da unidade de conservação. Localizada a aproximadamente 75 quilômetros do Rio de Janeiro, a região está entre os principais destinos de ecoturismo do estado. O município mantém a biodiversidade da Baía de Guanabara e das bacias dos rios Macacu, Guapiaçu e Caceribu, além de fazer limite com o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, onde está localizado o famoso pico Dedo de Deus. A criação do parque fortalecerá este corredor ecológico, ampliando as áreas protegidas e promovendo o turismo sustentável na região.

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Por Ultima Hora em 16/10/2025
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