Ignorância de Talita Galhardo: Vereadora condena moradores de rua, sem saber que seu amigo de bancada Deangeles Percy foi 11 anos morador de rua e Vereador Rick Azevedo afirma ter ‘vergonha’ de dividir plenário com ela

Três parlamentares usam estratégias diferentes para combater preconceito de Talita

Vereador Rick Azevedo confronta Talita Galhardo enquanto Deangeles Percy dá exemplo de superação através da própria trajetória. Ex-morador de rua por 11 anos, Percy usa redes sociais para mostrar que pessoas como ele merecem oportunidades, não criminalização

A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro viveu momentos de alta tensão durante a sessão desta quinta-feira (11), quando o vereador Rick Azevedo (PSOL) fez duras críticas à colega Talita Galhardo (PSDB) por declarações que associaram a distribuição de quentinhas a pessoas em situação de rua ao aumento da criminalidade.

Enquanto Azevedo confrontava diretamente a parlamentar tucana no plenário, o vereador Deangeles Percy optou por uma abordagem mais sutil, porém igualmente poderosa: usar suas redes sociais para demonstrar, através de seu próprio exemplo de vida, que pessoas em situação de rua merecem oportunidades e dignidade, não preconceitos ou criminalização.

Deangeles Percy, que viveu em situação de rua por 11 anos antes de reconstruir completamente sua vida através do trabalho ministerial na Igreja Universal, representa uma contradição viva às generalizações preconceituosas expressas por Talita Galhardo.

Sem confrontar diretamente a colega ou entrar na polêmica de forma agressiva, Percy tem utilizado sua plataforma política e suas redes sociais para educar a sociedade, mostrando através de sua própria trajetória que nem todas as pessoas em situação de rua estão ligadas ao crime, contrariando frontalmente a narrativa simplista que criminaliza a pobreza urbana.

O contraste entre as abordagens de Azevedo e Percy ilustra diferentes estratégias políticas para combater preconceitos estruturais: enquanto um opta pelo confronto direto e pela denúncia pública das discriminações, o outro escolhe o exemplo pessoal, a educação através da própria história de superação e a construção de narrativas alternativas baseadas em possibilidades de transformação.

Ambas as estratégias são complementares e fundamentais para desconstruir estereótipos arraigados sobre populações vulneráveis na sociedade brasileira.

Rick Azevedo expõe vulnerabilidade pessoal em confronto direto no plenário

Durante seu discurso inflamado na tribuna da Câmara Municipal, Rick Azevedo revelou detalhes íntimos de sua própria experiência com a fome urbana para demonstrar a profunda insensibilidade das declarações de Talita Galhardo: "Eu tenho vergonha de dividir este plenário com a senhora. Enquanto alguém que já passou fome no Rio de Janeiro, que saía do trabalho sem dinheiro para comer e dependia de quentinhas entregues na rua, receber esse vídeo foi muito triste".

A coragem de Azevedo em expor publicamente sua experiência com a insegurança alimentar representa um ato político extraordinariamente poderoso, humanizando um debate que frequentemente é conduzido através de estatísticas frias, generalizações preconceituosas e discursos distantes da realidade vivida pelas pessoas mais vulneráveis.

Ao transformar sua vulnerabilidade passada em força política presente, o vereador demonstra como experiências pessoais podem informar políticas públicas mais efetivas, humanas e baseadas em conhecimento real das necessidades da população.

Azevedo subiu à tribuna para rechaçar veementemente a posição da parlamentar tucana e anunciou publicamente que vai recusar o convite para a confraternização da Casa.

Segundo ele, não pretende "dividir mesa" com a vereadora após o episódio que considerou desumano, preconceituoso e profundamente ofensivo contra uma das populações mais vulneráveis e marginalizadas da cidade do Rio de Janeiro.

O relato pessoal de Azevedo desmonta completamente a narrativa simplista e criminalizadora que associa pessoas em situação de rua automaticamente ao crime e à violência urbana.

Sua experiência demonstra de forma inequívoca que a fome urbana pode atingir trabalhadores em situação de vulnerabilidade temporária, pessoas que mantêm vínculos empregatícios formais mas enfrentam dificuldades financeiras extremas que as colocam em situação de insegurança alimentar.

Talita revela desconhecimento total sobre seus próprios pares na Câmara, a vontade de lacrar nas redes supera a vontade de estudar

O episódio expõe uma dimensão ainda mais grave e constrangedora das declarações de Talita Galhardo: sua completa incapacidade de perceber que entre seus próprios pares na Câmara Municipal existe um ex-morador de rua que se tornou vereador através de uma trajetória extraordinária de superação.

Essa cegueira política e social revela não apenas preconceito, mas também um desconhecimento alarmante sobre a vida e a história de seus próprios colegas parlamentares.

Quando Talita condena genericamente os moradores de rua, ela está, na verdade, condenando um par seu, um colega vereador que vota ao lado dela na mesma Câmara Municipal, que participa das mesmas sessões e que representa legitimamente uma parcela da população carioca.

Essa contradição expõe a superficialidade de seu conhecimento sobre as pessoas com quem trabalha diariamente e questiona sua capacidade de representar adequadamente a diversidade social da cidade.

A falta de conhecimento de Talita sobre a trajetória de Deangeles Percy demonstra como preconceitos podem cegar políticos para realidades que estão literalmente ao seu lado.

Se ela não consegue enxergar a história de superação de um colega de trabalho, como pode pretender compreender as complexidades sociais que afetam milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade na cidade?

Essa ignorância sobre seus próprios pares revela também uma postura elitista que a impede de reconhecer a diversidade de trajetórias e experiências que compõem o Legislativo municipal.

Percy não é apenas um ex-morador de rua que "deu certo", mas um representante eleito democraticamente que traz para o parlamento uma perspectiva única e valiosa sobre políticas sociais.

Deangeles Percy: exemplo silencioso de superação, dignidade e transformação social

Diferentemente de Rick Azevedo, que optou pelo confronto direto e pela denúncia pública, o vereador Deangeles Percy escolheu uma estratégia mais sutil, mas igualmente transformadora: usar suas redes sociais e sua plataforma política para mostrar que pessoas com histórico similar ao seu merecem oportunidades, respeito e políticas de inclusão, não criminalizações, preconceitos ou abandono social.

Sem mencionar diretamente Talita Galhardo ou entrar na polêmica de forma confrontativa, Percy tem demonstrado através de seu próprio exemplo extraordinário que nem todos que viveram nas ruas estão ligados ao crime ou representam ameaças à sociedade.

A trajetória de Deangeles Percy é verdadeiramente extraordinária e inspiradora: após 11 anos vivendo em situação de rua, conseguiu reconstruir completamente sua vida quando iniciou seu trabalho ministerial na Igreja Universal aos 19 anos de idade.

Sua atuação religiosa e social se desenvolveu principalmente na Cidade de Deus e em Senador Camará, duas comunidades com altos índices de vulnerabilidade social, onde Percy pôde aplicar seu conhecimento vivido para ajudar outras pessoas em situações similares.

Em 2022, Percy assumiu a liderança do grupo Arimateia, demonstrando sua capacidade de liderança e organização social. Atualmente, exerce seu primeiro mandato na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, representando uma das mais impressionantes e significativas histórias de superação pessoal e ascensão política da história recente da cidade.

Sua presença no Legislativo municipal não é apenas uma conquista individual, mas um símbolo poderoso de que políticas de inclusão social podem transformar vidas e beneficiar toda a comunidade.

A presença de Percy na Câmara Municipal representa uma contradição viva e inquestionável às generalizações preconceituosas sobre pessoas em situação de rua. Sua trajetória demonstra de forma categórica que pessoas nessa condição não são criminosos em potencial ou casos perdidos, mas indivíduos que enfrentam circunstâncias adversas e podem, quando recebem oportunidades adequadas e apoio social efetivo, contribuir extraordinariamente para a sociedade e até mesmo assumir posições de liderança e responsabilidade pública.

Deputado Yuri Moura repudia declarações e expõe contradições de classe

Vídeo da vereadora: https://www.instagram.com/reel/DSDsABykeCl/?igsh=NXgycGltNDVsdXNr

Vídeo do deputado: https://www.instagram.com/reel/DSGkq2vCdiQ/?igsh=MXZheHg0eGIweXAyNA%3D%3D 

O deputado estadual Yuri Moura (PSOL), presidente da Comissão de Legislação Participativa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do SUAS (Sistema Único de Assistência Social), anunciou que vai cobrar explicações da vereadora carioca pelo vídeo em que pede o fim das ações de combate à fome às pessoas em situação de rua, especialmente durante o período natalino.

Em declaração contundente que misturou repúdio e ironia, Yuri criticou duramente as posições de Talita, fazendo uma observação provocativa sobre questões de classe: "Uma pessoa que diz ter bom coração não falaria um absurdo desse.

Muitas pessoas ricas quando estão na política mostram que não têm consciência social. Ela está vinculando pessoas em situação de rua à criminalidade. São pessoas que estão nessa situação por diversos problemas sociais, como desemprego, alcoolismo e questões de saúde mental".

O deputado foi além e fez uma declaração ainda mais polêmica, sugerindo que "pessoas RICAS não devem estar na política, seja Mauricinho ou Patricinha, não tem condição nenhuma de ter conciência Social" classificando Talita como rica e questionando sua capacidade de representar adequadamente as necessidades da população vulnerável.

Essa declaração, embora controversa, expõe as tensões de classe que permeiam o debate sobre políticas sociais no Brasil.

Yuri continuou sua crítica apontando o isolamento social de Talita: "A vereadora pelo visto não conhece isso e só deve enxergar as coisas do lugar abastado onde vive". Essa observação ganha ainda mais força quando consideramos que ela desconhece completamente a trajetória de superação de seu próprio colega Deangeles Percy, demonstrando como o privilégio socioeconômico pode criar bolhas que impedem a compreensão de realidades sociais diferentes.

Yuri garante proteção às ações de solidariedade durante o Natal

O parlamentar estadual foi categórico ao afirmar que vai usar seu mandato, a comissão que preside e a frente parlamentar que coordena como ferramentas para garantir que os movimentos sociais e religiosos possam fazer suas doações de Natal no Estado do Rio.

"Nenhuma doação será impedida ou coagida. A declaração e o pedido da vereadora são ações de quem não tem espírito público, é abjeto. Estou costurando também uma nota conjunta de movimentos sociais sobre o tema".

A posição de Yuri representa uma resposta institucional importante às declarações de Talita, demonstrando como parlamentares podem usar suas prerrogativas para proteger ações de solidariedade social contra tentativas de criminalização ou desestímulo.

Sua atuação contrasta com a passividade de outros políticos que frequentemente se omitem diante de declarações polêmicas.

O deputado tem histórico consistente na defesa de políticas para população vulnerável, sendo autor da "Lei POP Rua" em Petrópolis, que cria direitos para a população em situação de rua, garantindo um conjunto de políticas e ações que incluem programas de acolhimento, assistência social e saúde, visando dignidade, acesso a direitos e reinserção social.

Yuri também é autor da lei das "Cozinhas Comunitárias", que permite o uso das cozinhas escolares quando ociosas para a preparação e distribuição de refeições às pessoas em situação de vulnerabilidade.

Esse histórico legislativo demonstra seu comprometimento prático com políticas de combate à fome e inclusão social.

Estratégia educativa através das redes sociais e exemplo pessoal

O vereador Deangeles Percy tem utilizado consistentemente sua plataforma política e suas redes sociais para educar a população sobre as realidades complexas da vida nas ruas, sempre enfatizando que cada pessoa tem potencial para transformar sua vida quando recebe apoio adequado, oportunidades reais e políticas públicas efetivas.

Sua postura educativa, propositiva e construtiva contrasta radicalmente com abordagens punitivas, criminalizadoras e excludentes que apenas perpetuam ciclos de marginalização e exclusão social.

A experiência ministerial de Percy na Cidade de Deus e Senador Camará lhe conferiu conhecimento prático e profundo sobre as realidades socioeconômicas que levam pessoas às ruas, as dificuldades enfrentadas por essa população e as estratégias mais efetivas para promover reinserção social.

Esse conhecimento empírico, combinado com sua experiência pessoal de 11 anos em situação de rua, faz dele uma voz única e autorizada no debate sobre políticas públicas para população vulnerável.

Sem confrontar diretamente Talita Galhardo ou entrar em polêmicas partidárias, Percy tem construído uma narrativa alternativa baseada em superação, possibilidades e transformação social.

Sua mensagem consistente e poderosa é que cada pessoa merece oportunidades, dignidade e respeito, independentemente de sua situação atual ou de seu passado. Essa abordagem educativa tem potencial para mudar percepções sociais de forma mais duradoura que confrontos políticos diretos.

O vereador também utiliza sua história para demonstrar que políticas de assistência social, como a distribuição de quentinhas criticada por Talita, não incentivam a permanência nas ruas, mas podem ser fundamentais para a sobrevivência imediata e eventual reinserção social de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade.

Três estratégias complementares contra o preconceito estrutural

O contraste entre as abordagens de Rick Azevedo, Deangeles Percy e Yuri Moura ilustra como diferentes estratégias políticas podem ser utilizadas de forma complementar para combater preconceitos estruturais e promover mudanças sociais significativas. Azevedo optou pelo confronto direto e pessoal, Percy escolheu o exemplo educativo, e Yuri adotou a resposta institucional combinada com crítica de classe.

A estratégia de confronto direto adotada por Azevedo é fundamental porque nomeia explicitamente o preconceito, denuncia publicamente posições discriminatórias e força um debate público sobre questões que frequentemente são varridas para debaixo do tapete.

Seu confronto com Talita obriga outros parlamentares a se posicionar e traz visibilidade para uma questão que afeta milhares de pessoas vulneráveis.

A abordagem educativa de Percy demonstra através de fatos concretos que as generalizações preconceituosas são falsas e prejudiciais. Sua existência como vereador eleito contradiz narrativas que apresentam pessoas em situação de rua como ameaças sociais ou casos perdidos.

A resposta institucional de Yuri oferece proteção concreta às ações de solidariedade e questiona as bases classistas dos preconceitos expressos por Talita. Sua crítica sobre "pessoas ricas na política" expõe como privilégios socioeconômicos podem gerar distanciamento das realidades sociais que os políticos deveriam conhecer e representar.

Talita ignora evidências e revela que para ela vale tudo por ibope nas redes sociais, até a desumanidade

Mesmo diante das críticas fundamentadas de Rick Azevedo, do exemplo vivo de Deangeles Percy e da resposta institucional de Yuri Moura, Talita Galhardo manteve sua posição discriminatória, demonstrando uma rigidez ideológica preocupante. Durante o plenário, respondeu de forma provocativa: "Se é uma vergonha fazer parte do mesmo parlamento, da mesma Câmara que eu, tem uma saída ali", apontando para a porta numa demonstração de desrespeito ao debate democrático.

Após a sessão, voltou às redes sociais reafirmando sua posição: "Quem não concorda não tem conhecimento de causa e não sabe o que é a RUA, eu sei e posso sim falar sobre. A entrega em locais e horários específicos estabelece rotina e eles não procuram assim nem os abrigos (e têm vagas). Os números da violência são alarmantes e esses números de moradores em situação de rua só crescem também!".

A insistência de Talita em manter sua posição, mesmo diante de evidências contrárias apresentadas por colegas com experiência vivida, revela não apenas preconceito, mas um isolamento social completo que a impede de reconhecer realidades diferentes da sua. Sua alegação de que "sabe o que é a rua" soa particularmente inadequada quando confrontada com as experiências reais de seus próprios colegas parlamentares.

O fato de ela desconhecer completamente a trajetória de Percy, que trabalha ao seu lado na Câmara Municipal, expõe como seu "conhecimento sobre a rua" é superficial e baseado em preconceitos, não em experiências reais ou relacionamentos genuínos com pessoas que viveram essas situações.

Impactos transformadores na dinâmica política e social da cidade

A combinação das respostas de Azevedo, Percy e Yuri cria um ambiente político mais favorável para discussões maduras sobre políticas sociais. Essa articulação entre diferentes níveis de governo (municipal e estadual) e diferentes estratégias de confronto ao preconceito pode resultar em mudanças concretas na forma como a cidade lida com questões de vulnerabilidade social.

A presença de Percy na Câmara Municipal, combinada com o trabalho de Yuri na Assembleia Legislativa, demonstra a importância da representatividade baseada em experiência vivida nos espaços de poder. Quando pessoas que viveram determinadas realidades participam da formulação de políticas públicas, aumentam as chances de que essas

políticas sejam adequadas às necessidades reais da população.

O caso também evidencia como preconceitos de classe podem afetar a capacidade de representação política. A observação de Yuri sobre "pessoas ricas na política" que "não têm consciência social" ganha relevância especial quando consideramos o desconhecimento de Talita sobre a trajetória de seus próprios colegas.

A articulação entre movimentos sociais, parlamentares comprometidos e pessoas com experiência vivida representa uma estratégia poderosa para garantir que políticas de assistência social sejam protegidas contra tentativas de criminalização ou desestímulo, especialmente durante períodos como o Natal, quando a solidariedade social tradicionalmente se intensifica.

Por Ralph Lichotti

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Por Ultima Hora em 13/12/2025
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