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Com o avanço das discussões sobre políticas migratórias mais rígidas nos Estados Unidos, a comunidade brasileira enfrenta os obstáculos legais e econômicos alinhados ao agravamento da saúde mental.
O medo da deportação, a dificuldade de adaptação e a distância da família têm desencadeado crises de ansiedade, depressão e até a chamada Síndrome de Ulisses, distúrbio associado ao estresse migratório extremo.
A psicanalista clínica e terapeuta comportamental Vânia Euzébio, que acompanha imigrantes em processo terapêutico, relata o aumento do crescimento na procura por atendimento psicológico nos últimos meses.
“A vida do imigrante nunca foi fácil, mas o que vejo hoje é um aumento das crises de pânico e ansiedade. Mesmo pessoas já regularizadas, com green card, vivem em constante tensão. Muitos não conseguem mais ter uma vida social, evitam sair de casa e se afastam até de ambientes como igrejas, por medo de serem identificados ou presos”, explica.
Segundo Vânia, alguns pacientes vivem em estado de alerta contínuo. Um dos casos que ela acompanha é o de uma mulher que entra em crise de pânico toda vez que o marido, sem documentação, sai para trabalhar. “Ela tem medo que ele não volte. Isso é mais comum do que se imagina”, afirma.
Além do medo da deportação, há também obstáculos cotidianos que geram frustração e desequilíbrio emocional. “Tem gente que não consegue mais receber medicação enviada do Brasil. Há pacientes que chegaram aqui com quadros leves de depressão e ansiedade, mas que se agravaram diante do isolamento, da saudade, da insegurança e da quebra brusca na rotina de vida”, diz a psicanalista.
A Síndrome de Ulisses, termo usado para descrever o sofrimento emocional intenso vivido por pessoas em situação migratória, é cada vez mais frequente entre brasileiros que vivem no exterior, segundo Vânia.
“Esses indivíduos deixam para trás tudo o que construíram em busca de um sonho. Mas muitos não têm ideia da realidade da migração. Cada um vive a sua dor de forma individual, e o primeiro passo é identificar a raiz desse sofrimento”, defende.
Na abordagem psicanalítica, o foco está justamente nesse mapeamento. “A partir do momento em que entendemos de onde vem a dor, podemos trabalhar o equilíbrio emocional e reduzir o nível de estresse. O imigrante precisa se sentir seguro internamente para conseguir enfrentar os desafios externos”, completa.
Vânia Euzébio atende imigrantes em diferentes regiões dos EUA e oferece acompanhamento psicológico à distância. Para ela, reconhecer o impacto emocional da migração e buscar suporte profissional é uma forma essencial de preservar a saúde mental.
“É possível atravessar esse processo de forma menos dolorosa", conclui.
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