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Daniel Soranz denuncia negligência na saúde federal e aponta indicações políticas que comprometeram assistência

O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, não poupou críticas à gestão da saúde durante o governo de Jair Bolsonaro. Durante a cerimônia de inauguração do novo setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí, na última sexta-feira (13 de março), Soranz afirmou que profissionais de saúde foram "humilhados" e que cargos de direção em hospitais da capital fluminense foram ocupados por pessoas sem experiência técnica, indicadas politicamente pelo senador Flávio Bolsonaro. O evento reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o prefeito do Rio Eduardo Paes e o ministro da Saúde Alexandre Padilha, todos alinhados nas críticas ao legado da gestão anterior.
O colapso estrutural dos hospitais federais
As denúncias vão além das questões de pessoal. Soranz evidenciou o abandono sistemático de unidades hospitalares fundamentais. O Hospital Geral de Bonsucesso, por exemplo, sofreu fechamento de leitos e foi submetido a uma política de negligência que deixou danos profundos à saúde pública municipal. Durante a pandemia de COVID-19, a situação se agravou consideravelmente, com a suspensão de serviços essenciais e a falta de estrutura para atender aos pacientes. Esses relatos não são isolados: eles refletem um padrão de deterioração que marcou a administração dos hospitais federais no Rio durante os últimos anos.
Indicações políticas prejudicam gestão hospitalar
O prefeito Eduardo Paes reforçou as críticas ao apontar como as indicações políticas prejudicaram diretamente a gestão das unidades federais. Segundo Paes, em vez de realizar investimentos estruturais nas instituições, gestores ligados ao círculo político preferiam optar por contratos lucrativos de menor impacto. O exemplo mais emblemático diz respeito à cozinha do Hospital do Andaraí, que permaneceu fechada por 12 anos. "Era muito mais negócio, em vez de gastar R$ 8 milhões para fazer uma obra, ficar gastando R$ 1 milhão por mês para trazer quentinhas que vinham para cá. Devia dar muito mais comissão para quem tinha esses contratos", declarou o prefeito, denunciando o desvio de recursos públicos disfarçado de gestão administrativa.
Ministério da Saúde denuncia projeto de sucateamento
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi mais direto em suas acusações, classificando o que ocorreu como um projeto deliberado de sucateamento dos hospitais federais do Rio de Janeiro. Sem mencionar diretamente o nome do senador Flávio Bolsonaro, Padilha associou a responsabilidade a uma "família de políticos tradicionais" que dominava completamente as operações hospitalares. "Dominavam os hospitais federais do Rio de Janeiro do contrato, da indicação do diretor até a indicação de quem internava e quem não internava. Tem uma família que é responsável por esse projeto", afirmou o ministro, deixando implícita a conexão com a família Bolsonaro e seu domínio sobre as estruturas hospitalares estaduais.
Pandemia agravou cenário de abandono
Os problemas estruturais se intensificaram drasticamente durante a pandemia de COVID-19. Enquanto o país enfrentava uma crise sanitária sem precedentes, os hospitais federais do Rio sofreram com fechamento de leitos, falta de materiais essenciais e abandono administrativo. O Hospital Geral de Bonsucesso exemplifica esse cenário: pacientes graves ficaram sem atendimento adequado, enfermarias foram desativadas e a unidade se tornou sinônimo de caos sanitário. Esses dados já haviam sido denunciados durante as investigações da CPI da Pandemia, em 2021, quando gestores e políticos revelaram o comprometimento da saúde pública em função de interesses políticos e financeiros.
Histórico de deterioração e suspeitas de influência política
A história do Hospital do Andaraí ilustra perfeitamente o padrão de negligência denunciado. Inaugurado em 1945, a instituição tornou-se referência nacional no tratamento oncológico e de queimados, sendo o único hospital do país com um centro de queimaduras de tamanha relevância. Ao longo dos últimos anos, porém, enfrentou suspensão temporária do atendimento de emergência e pediatria (2017-2020), fechamento recorrente de enfermarias e dificuldades operacionais crônicas. Segundo Wilson Witzel, ex-governador do Rio que depoeu na CPI da Covid em 2021, "hospitais federais do Rio têm dono" — uma declaração que, nos bastidores, apontava para a influência de Flávio Bolsonaro sobre a administração dessas unidades.
Municipalização como resposta ao caos administrativo
Reconhecendo a gravidade da situação, o governo federal decidiu, em 2024, municipalizar a gestão de dois hospitais federais na capital fluminense: o Hospital Federal de Bonsucesso e o Hospital Federal do Andaraí. A medida representa uma tentativa de romper com o modelo anterior, buscando restaurar a eficiência operacional e eliminar as influências políticas que historicamente comprometeram essas instituições. A inauguração do novo setor de trauma do Hospital do Andaraí, nesta sexta-feira, é um símbolo dessa mudança de gestão e da retomada de investimentos em infraestrutura que havia sido negligenciada.
Consequências para a saúde pública fluminense
As implicações das críticas levantadas vão muito além das estruturas hospitalares. Elas revelam uma crise de confiança no modelo de gestão anterior e questionam a capacidade de políticos ligados à família Bolsonaro de gerenciarem serviços públicos essenciais. Durante anos, pacientes do Rio de Janeiro foram prejudicados por uma política que priorizava interesses políticos e contratuais em detrimento da assistência médica de qualidade. Profissionais de saúde, constantemente desvalorizados e humilhados, sofreram com a falta de recursos e infraestrutura adequada para exercer suas funções.
Perspectivas futuras e esperança de recuperação
Com a mudança de gestão e os investimentos anunciados pela atual administração, há esperança de que os hospitais federais do Rio retomem seu papel de instituições de referência na saúde pública. A inauguração do setor de trauma do Hospital do Andaraí representa, portanto, não apenas um marco infraestrutural, mas um ponto de inflexão na história da saúde fluminense. Os compromissos assumidos pelo governo federal, sob liderança do presidente Lula, e pela prefeitura, sob gestão de Eduardo Paes, devem ser acompanhados com rigor para que promessas de recuperação se transformem em resultados concretos que beneficiem a população.
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Fontes:
Folha de S.Paulo
Discursos de inauguração do Hospital Federal do Andaraí (13 de março de 2026)
Relatórios da CPI da Pandemia (2021)
Depoimentos de ex-governador Wilson Witzel
Arquivos de gestão hospitalar federal
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