Karla Padilha: 34 anos de axé, firmeza e ancestralidade no culto afro-brasileiro

Com 34 anos de feita de santo, Karla Padilha é uma mulher cuja trajetória espiritual se entrelaça com a história viva do candomblé e das tradições afro-diaspórica.

Karla Padilha: 34 anos de axé, firmeza e ancestralidade no culto afro-brasileiro

Iniciada originalmente na Nação Angola Tumba Junsçara, Karla construiu uma jornada marcada por fé, entrega e profundo respeito aos fundamentos dos povos de axé. Hoje, ela trilha seu caminho na Nação Ketu, onde continua sua missão de zelar, ensinar e manter vivos os valores ancestrais.

Sacerdotisa do Ilê Axé Bará Odara Ya Ogunte, terreiro localizado no bairro Ipiranga, em Nova Iguaçu (RJ), Karla é reconhecida pelo seu comprometimento com os rituais, a disciplina espiritual e o acolhimento que oferece a seus filhos e filhas de santo. O nome de sua casa carrega a força dos orixás que sustentam sua missão: Bará, senhor dos caminhos, e Ogunte, orixá guerreira ligada à transformação, ao ferro e à luta. Juntos, esses fundamentos formam a base de um terreiro que é, ao mesmo tempo, templo sagrado e espaço de resistência cultural.

Além de sua atuação no candomblé, Karla também é iniciada no culto de Ifá há 15 anos. Ela carrega com orgulho o título de Apetebi Ajafá Rama Cuba, uma posição de profundo respeito e ligação direta com os ensinamentos de Orunmilá. Como Apetebi, Karla tem papel fundamental nos rituais de Ifá, zelando pelos segredos e sustentando com sabedoria a força feminina dentro dessa tradição.

Casada com um babalaô, Karla vive uma vida em plena harmonia espiritual e conjugal, onde o respeito mútuo, o saber compartilhado e o amor aos orixás são os pilares que sustentam essa união. Sua vida é uma ponte entre o candomblé, o culto de Ifá e os caminhos de muitas mulheres que, como ela, buscam no axé o reencontro com suas raízes e a força para seguir adiante.

Ao longo dessas mais de três décadas de consagração, Karla Padilha se tornou muito mais do que uma ialorixá: é uma referência viva, uma voz ativa na luta contra o preconceito religioso e uma defensora intransigente da liberdade de culto e da valorização das tradições afro-brasileiras. Sua casa de axé é também um espaço de formação espiritual, acolhimento social e empoderamento feminino.

Karla ensina com o exemplo que o candomblé é feito de base, respeito, hierarquia e amor. E como ela mesma costuma dizer:

“Ser de axé não é só vestir branco. É saber ouvir, aprender e honrar cada passo de quem veio antes de nós.”

Por Ultima Hora em 27/05/2025
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