Meio bilhão de prejuízo: PF invade o porto e afasta fiscais corruptos

Foto Jornal Tempo Real; Conforme publicado no Diário Oficial da União, o ex- presidente da PortosRio — antiga Companhia Docas do Rio de Janeiro —, Wagner Carneiro, o Waguinho, foi autorizado a se afastar do Brasil

Meio bilhão de prejuízo: PF invade o porto e afasta fiscais corruptos

Investigação desmascara esquema de propinas e descaminho que causou rombo de meio bilhão de reais e provocou o afastamento em massa de servidores públicos.

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, a Operação Mare Liberum para desarticular um sofisticado esquema de corrupção instalado nas entranhas do Porto do Rio de Janeiro. Com o apoio do Ministério Público Federal e da Receita Federal, a ação mira a facilitação de contrabando e o descaminho, crimes que drenam recursos vitais da União. As equipes cumprem 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, em uma das maiores ofensivas contra crimes alfandegários dos últimos anos.

O balanço do golpe milionário
As investigações apontam que o prejuízo aos cofres públicos ultrapassa a marca de quinhentos milhões de reais devido à liberação irregular de contêineres. Servidores da alfândega, em conluio com importadores e despachantes, permitiam que mercadorias ingressassem no país sem a devida fiscalização tributária mediante o pagamento de propina. A Justiça Federal determinou o bloqueio de até cento e dois milhões de reais em bens dos envolvidos para garantir o ressarcimento imediato ao Erário e punir os responsáveis pela sangria financeira.

Expurgos e medidas cautelares

O impacto na estrutura da Receita Federal no estado é profundo, com o afastamento imediato de 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários de suas funções por ordem judicial. Além disso, nove despachantes aduaneiros foram proibidos de exercer qualquer atividade profissional no complexo portuário carioca por tempo indeterminado enquanto as apurações avançam. Os investigados agora enfrentam acusações graves que vão desde corrupção ativa e passiva até lavagem de dinheiro e organização criminosa estruturada para fraudar o fisco.

Sombras políticas e gestão da estatal

A operação ocorre em um momento de extrema sensibilidade sobre a gestão da PortosRio, que conforme denunciado nas redes pelo pré-candidato a Senador Canella tem ligação com seu grupo rival e desde julho de 2025 é presidida por Flávio Silveira. Ele é aliado de primeira hora de Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, ex-prefeito de Belford Roxo e figura central na articulação política que levou seu grupo ao comando da estatal. A nomeação, ocorrida sob forte influência política e apoio do governo federal, gerou resistência no setor privado, que temia o uso da máquina portuária para fins políticos após resultados financeiros positivos da gestão anterior.

Resistência e influência de Waguinho

Waguinho, um dos principais articuladores políticos na Baixada Fluminense, chegou a participar de missões oficiais da PortosRio em Dubai, evidenciando seu peso nas decisões da companhia que administra os portos de Itaguaí, Niterói, Angra dos Reis e Forno.

A tentativa inicial de nomear o próprio ex-prefeito para a presidência esbarrou na Lei das Estatais, resultando na escolha de Silveira. Agora, a deflagração da Operação Mare Liberum lança luz sobre os controles internos e a integridade dos procedimentos aduaneiros no porto sob esta nova configuração política.

A voz da autoridade portuária

Em nota oficial, a PortosRio esclareceu que a operação se concentra em áreas sob responsabilidade de órgãos federais e que a companhia não é alvo direto das investigações. A administração ressaltou que colabora integralmente com as autoridades e que a Guarda Portuária prestou apoio logístico e de segurança durante as diligências. Apesar da magnitude da ação policial, as operações de carga e descarga no porto seguem seu fluxo normal, garantindo que o comércio exterior não sofra paralisões imediatas por conta do escândalo.

As provas colhidas revelam que mercadorias liberadas frequentemente divergiam das declarações de importação oficiais, evidenciando uma supressão sistemática de impostos federais. Este cenário de impunidade alfandegária, agora sob o crivo do Gaeco e da Corregedoria, expõe a fragilidade dos sistemas de controle quando corrompidos por interesses particulares. A sociedade aguarda que o desdobramento jurídico desta operação sirva de exemplo para a moralização necessária em um dos portos mais estratégicos e movimentados do continente sul-americano.

FONTES: PF, MPF, G1, TV Globo, SRzd.

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Resumindo
A Operação Mare Liberum investiga um esquema de propinas no Porto do Rio que causou prejuízo de R$ 500 milhões.
A Justiça afastou 25 servidores da Receita Federal e bloqueou R$ 102 milhões em bens dos investigados.
O contexto político ppde envolver a influência do ex-prefeito Waguinho, que emplacou aliados no comando da PortosRio em 2025.
A PortosRio afirma que não é alvo da ação e que as irregularidades ocorreram exclusivamente na fiscalização aduaneira.

Por Ultima Hora em 28/04/2026
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