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A classe dos medicamentos análogos do GLP-1 (Peptídeo Semelhante ao Glucagon tipo 1) imita um hormônio que o corpo produz naturalmente no intestino após as refeições, atuando em diferentes órgãos para regular o metabolismo e o peso. Como resultado, diminui o nível de glicose e aumenta a sensação de saciedade.
Originalmente aprovada para o tratamento do diabetes tipo 2, a semaglutida tornou-se mundialmente conhecida por sua eficácia no tratamento da obesidade e do sobrepeso. A Novo Nordisk comercializa o medicamento sob duas marcas, uma com bula focada no diabetes (Ozempic) e outra direcionada para o sobrepeso (Wegovy).
A patente da semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy) expirou no Brasil em 20 de março de 2026, encerrando duas décadas de exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk. Isso abre caminho para versões genéricas e similares mais baratas, com previsão de redução de custos e aumento de acesso a médio prazo, mas a chegada dessas alternativas às farmácias não será imediata e ainda depende da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). A Anvisa mantém critérios rigorosos para aprovar as versões genéricas, garantindo que tenham a mesma eficácia e segurança do original.

Os primeiros registros dessas canetas genéricas devem acontecer até o final de maio, iniciando uma disputa por um mercado estimado em mais de 8 bilhões já em 2027, segundo relatório publicado em 7 de janeiro pelo Itaú BBA. A expectativa é que as primeiras canetinhas genéricas de semaglutida cheguem ao mercado entre junho e o segundo semestre de 2026. Farmacêuticas brasileiras como a EMS e o consórcio Bionovis já demonstraram interesse na produção nacional do fármaco.
Historicamente, a entrada de genéricos pode reduzir o preço de um medicamento em 35% a 65%. Atualmente, o Ozempic tem um custo médio elevado, e a concorrência é vista como a principal via para democratizar o acesso. A queda da patente também facilita futuras negociações para a incorporação da semaglutida no sistema público de saúde, o que antes era dificultado pelo alto custo de importação e exclusividade. Mesmo com a chegada de versões mais baratas, o medicamento continua exigindo receita médica e acompanhamento para evitar riscos e uso indevido.
A Novo Nordisk fez diversas tentativas jurídicas de reverter o fim da patente da semaglutida. A empresa alegava que foi prejudicada pela demora de quase 13 anos da Anvisa para liberar o uso do medicamento. Em dezembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, que o prazo de 20 anos para vencimento da patente conta a partir do momento da submissão para análise do órgão regulatório, mantendo assim a expiração.
Com o barateamento dos medicamentos, abre-se a possibilidade de uma eventual inclusão da semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde afirmou que solicitou à Anvisa prioridade no registro de medicamentos compostos pelos princípios ativos semaglutida e liraglutida. “A entrada de novos medicamentos genéricos no mercado e aumento da concorrência deve reduzir os preços de forma significativa”, afirma o órgão. Mas precisamos nos lembrar que o medicamento enfrentaria outro entrave no SUS: a alta demanda. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, cerca de 31% da população adulta brasileira vive com obesidade. É provável que o SUS estabeleça um protocolo para escalonar quais pacientes serão candidatos à ingressarem num programa que forneça a semaglutida.
Profª. Drª. Adriana Pedrenho
Departamento de Ciências Fisiológicas, UFRRJ
Idealizadora da Nave Química Fisiológica
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