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Por Álvaro Maciel
Talento artístico, versatilidade e Latinidade
Shakira encantou uma multidão de 2 milhões de pessoas que lotou as areias da praia de Copacabana, no sábado 02/05/2026. Sem entrar nessa questão da comparação desse show com outros realizados no mesmo local, na minha opinião o que mais importa é qualidade, não o tamanho. Acho, sim, que foi o melhor show realizado na praia de Copacabana nos últimos anos e quero aqui tentar explicar o que vi e senti.
A performance apresentada por Shakira e sua equipe de palco juntou simpatia, talento e versatilidade para criticar, direta ou indiretamente, o machismo e outras heranças do Estado Patriarcal, que continuam a causar danos à sociedade mundo afora. A apresentação, que faz parte da aclamada Las Mujeres Ya No Lloran World Tour, começou com um espetáculo de drones que desenhou a silhueta de uma loba no céu. em frente ao PPG – complexo composto pelas favelas Pavão, Pavãozinho e Cantagalo. Shakira subiu ao palco vestindo as cores da bandeira brasileira e saudou o público em um português impecável: “Brasil, te amo! É mágico ver milhões de almas juntas para lembrar ao mundo o que realmente importa”.
Um grito contra a Violência
O show dedicou um segmento visual poderoso à memória das vítimas de violência de gênero, que transformou a euforia do público em alguns minutos de reflexão e clamor por justiça, ou de pura emoção e lágrimas. Além de valorizar a cultura brasileira a artista defendeu a valorização e os direitos das mulheres, uma postura que agradou muito ao público presente, no geral composto por pessoas de diversos segmentos sociais, que em sua maioria simpatizam com as causas LGBT, de combate ao racismo, à misoginia, etc., ou seja, contra todo tipo de discriminação social.
O respeito à cultura brasileira
Ao mesmo tempo que Shakira se mostrou uma gigante no palco, ela também teve a humildade e o respeito de usar o Português o tempo todo para se comunicar e, ainda, dividir o palco com artistas brasileiros consagrados. Com esse conjunto de gestos e atitudes a “pop star” demonstrou que um show não precisa ser "o maior " e, sim, primar pela qualidade artística e cultural. Foi assim que ela conseguiu provocar uma imensa catarse como a ocorrida naquela noite que se tornou única na vida de muitas pessoas. Desde o primeiro acorde, ficou claro que não se tratava de uma turnê "enlatada" adaptada ao Brasil. Shakira demonstrou um profundo respeito ao provo brasileiro e a nossa arte, ao incorporar ritmos locais e reverenciar ícones da nossa música. Ao dividir o palco com vozes que representam a resistência e a sofisticação da MPB e do Funk, a colombiana validou a cultura brasileira como par de igualdade na construção da sonoridade global. Foi uma aula de como uma estrela internacional pode celebrar uma cultura local sem cair no caricato, mas sim na admiração sincera e genuína.
Gestão, planejamento e produção cultural
Realmente "a mina tirou onda e falou a nossa língua": cantou, dançou, tocou, bailou e encantou a todos que compareceram nessa noite histórica, em que aconteceu, com toda a certeza, um dos melhores shows já realizados na praia de Copacabana nos últimos anos. Segundo algumas fontes, Marty Hom, que acompanha Shakira há muito tempo, esteve presente o tempo, tanto nos bastidores, como na produção cultural aqui no Rio. Outro nome importante para o sucesso do espetáculo foi Luiz Oscar Niemeyer, sócio e executivo da Bônus Track. Ele atuou desde de a idealização e planejamento, até a realização do evento.
Uma Mensagem de Liberdade
Em resumo, a passagem de Shakira pelo Rio de Janeiro foi um lembrete de que a "Loba" é, acima de tudo, uma mulher política. Entre um passo de dança e outro, ela entregou um manifesto sobre liberdade, igualdade e o direito à vida. Com sua latinidade provou que entende muito bem as dores sociais das Américas, do Brasil e do mundo.
Se as mulheres "não choram mais, as mulheres faturam", o show daquela sexta-feira provou que elas também se organizam, se protegem e utilizam suas vozes para garantir que nenhuma outra mulher seja silenciada. Sem dúvida, poderá ser o show da década — não pelo som nem pelo visual, somente, mas pelo sentido.
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