Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
No mundo do futebol, recentemente ressurgiu um personagem, o "Neymar hipotético", que para alguns é um dos maiores jogadores do mundo e que, fora de forma e sem ritmo de jogo, pode desequilibrar na Copa do Mundo. O Neymar hipotético também ganhou 3 Bolas de Ouro, pois se ele se cuidasse, aparentemente seria melhor que o Cristiano Ronaldo e Messi.
Na política nacional temos um fenômeno interessante, que são os Bolsonaros hipotéticos. No caso dos Kardashians brasileiros, desde 2014 foram criadas algumas lendas em relação ao clã, que são mantidas até hoje.
O primeiro mito é que os Bolsonaros são, além de defensores, especialistas em segurança pública. A verdade não poderia estar mais longe disso. Primeiro, em 40 anos de família Bolsonaro na política, eles não apresentaram nenhum projeto a respeito do tema, algo que é muito fácil em nosso Brasil: basta apenas recheá-lo de populismo penal, falando que vai colocar alguém na cadeia 40 anos por furto. Pronto, gênio.
O mais grave, porém, não é isso, mas a ligação da família com a milícia e grupos de extermínio no Rio de Janeiro. Flávio, enquanto deputado estadual, dividiu seu gabinete, algo tão pessoal, com Adriano da Nóbrega, líder do "Escritório do Crime", empregando toda a família do ex-capitão, além de condecorá-lo na cadeia, após ele assassinar um flanelinha que o havia denunciado por extorquir um grupo de guardadores na Zona Sudoeste do Rio. O 01 também foi investigado por lavagem de dinheiro para a milícia, processo que foi engavetado quando se elegeu senador, após um acordo com Dias Toffoli e Gilmar Mendes, deixando o MPRJ, como o juiz Flávio Itabaiana, chupando o dedo.
Uma segunda lenda: que os Bolsonaros são probos e liberais. Não creio que uma família sem nenhum membro que tenha trabalhado no setor privado possa ser liberal. Para ser justo, o Flávio "Wonka" foi supostamente empresário de chocolates e advogado "de sucesso" sem nunca ter exercido a profissão. Nem os agregados trabalharam: Michelle era "assessora" na Câmara, grudada em Valdemar da Costa Neto. Carlos está pendurado na Prefeitura do Rio desde os 17. Eduardo, antes de deputado, era da PF e funcionário fantasma do PTB na faculdade. Jair Renan foi assessor de Jorge Seif e hoje é vereador. Até as filhas de Michelle e o irmão dela têm cargos públicos. Ninguém escapa.
A probidade é suscitada pelos defensores, mas todos os membros da família, sob liderança de Jair, praticavam peculato e lavagem de capital no gabinete. Funcionários devolviam até 90% dos rendimentos à família. Teve caso de nem aparecer no gabinete, tipo a Val do Açaí. Policiais pagavam escola das filhas de Flávio, compravam 16 mil em panetones em dinheiro, até imóveis para o 01. Aliás, o clã comprou mais de 151 imóveis com dinheiro vivo, alguns supervalorizados. Haja talento. O governo Jair também foi corrupto, com recorde em emendas Pix e orçamento secreto, mas, como todo honesto, sempre que um membro da PF começava a investigá-lo, ele removia, exonerava, trocava. O caso mais conhecido: Alexandre Saraiva, 20 anos de superintendente no Amazonas, assim que investigou Ricardo Salles por contrabando de madeira, foi dispensado. Afinal, parafraseando Jair: se investigar meu governo, amigos e família, vou trocar; se não der, troca o chefe; se não der, muda o ministro. Moro quem o diga.
A última, dessa vez de Flávio, foi a solicitação de 135 milhões de reais do Banco Master para o filme de Jair, o Dark Donkey. Não, pera: Horse. Donkey que é o Jair. Desse valor, pelo menos 61 milhões teriam ido parar nos EUA, num fundo gerido por "aliados" de Eduardo Bolsonaro. A produtora do filme disse que não recebeu nada. Estranho, no mínimo.
O filme não saiu, mas pelo teaser não gastaram nem 10 milhões. Parece produção B, estilo Velocipastor. Filmado no Brasil, com equipe reduzida, 135 pessoas, que não é nada para um filme desses. O ator escolhido pra viver o ex-presidente é Jim Caviezel, ator B de filme evangélico, tipo um Theo Becker americano. Até nisso o viralatismo é frenético. Aqui teríamos atores melhores, como Petrônio Gontijo, que viveu Edir Macedo em Nada a Perder, aliás, muito melhor que o filme do Jair.
A suspeita que paira em relação ao recebimento do dinheiro é que ele foi usado para bancar os passeios de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, pois o fundo que recebe é no Texas, onde o traidor da pátria vive em uma mansão. Em terras imperialistas ainda vivem alguns expoentes do bolsonarismo: Alexandre Ramagem, o foragido, que também não sabe como se sustenta, pois ele e sua mulher eram funcionários públicos e ambos estão sem salário; Alan dos Santos, que supostamente se sustenta com YouTube e Uber.
O caso mais curioso é o de Paulo Figueiredo, que vive de YouTube de extrema-direita e mendicância virtual. Se diz empresário de sucesso do ramo imobiliário, mas sua especialidade é fraude financeira. O neto do ex-ditador fugiu do Brasil depois da Operação Circus Maximus, que investigava corrupção na construção do LSH, hotel na Barra que recebeu grana do fundo de aposentados do BRB. Haja experiência em roubar idosos. Ele também faliu um empreendimento na Barra e deixou gente lesada. Fez o mesmo nos EUA, com um chinês supostamente exilado. Puxa o fio: ele vai aparecer colado nesse fundo do Master.
O bolsonarismo hipotético vai muito além disso. Tem o tal "a economia era maravilhosa". Não era. Mesmo antes da pandemia foi péssimo. Ele entregou em quatro anos menos que Lula em um. No governo Bolsonaro, a inflação descontrolada, a fome campeando, nos tornamos párias internacionais e subservientes aos Estados Unidos. Nenhum índice superou o governo Lula ou qualquer outro, talvez Collor.
O bolsonarismo hipotético, assim como o Neymar hipotético, é uma seita criada e alimentada por gente louca que, por ignorância e por se sentir inferiorizada a vida inteira, viu na figura do Jair um jeito de exteriorizar e validar o próprio reacionarismo. Como a seita do Neymar hipotético, eles foram parcialmente derrotados, mas os bebedores de detergente ainda são fortes, infelizmente.
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!