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Um acidente durante uma competição de motocross causou lesão medular grave em um capixaba de 27 anos. Após perder os movimentos das pernas (paraplegia), o piloto conseguiu, através de liminar na justiça, a administração da medicação, que foi aplicada no último dia 13. Luiz Fernando Mozer se tornou o primeiro paciente no mundo a receber a medicação através de decisão judicial.
A polilaminina é uma proteína desenvolvida a partir da placenta humana e vem sendo estudada por pesquisadores da UFRJ há mais de 20 anos. Como a substância ainda não possui autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), só pode ser aplicada a partir de pedidos feitos na Justiça. Luiz Fernando sofreu o acidente no dia 7 e a aplicação da proteína foi feita no domingo (13), no Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Cachoeiro de Itapemirim, onde o paciente estava internado desde o acidente. Todo o procedimento foi realizado de forma voluntária pelos médicos Olavo Borges Franco, pesquisador da UFRJ, e Bruno Alexandre Cortes, chefe do serviço de neurocirurgia do Hospital Souza Aguiar.
De acordo com o médico Olavo Borges, que faz parte da equipe da pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), quem desenvolveu o método da polilaminina, o acidente causou uma desestruturação anatômica que rompeu totalmente a medula e a coluna vertebral do paciente.
A medicação de dose única foi aplicada no local da lesão, em um procedimento que durou 25 minutos. No dia seguinte, Luiz já teve alta e começou a fisioterapia. Cerca de 2 dias depois da aplicação, Luiz demonstra estar retomando a sensibilidade em partes dos membros inferiores, segundo a equipe médica que o acompanha na Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro do Itapemirim.

A polilaminina é uma versão da laminina, criada em laboratório. A laminina é uma proteína importante para o desenvolvimento embrionário e colabora para que os neurônios se conectem. A expectativa é que, aplicada no ponto da lesão, ela estimule os nervos a criarem novas rotas de inervação e reestabeleçam parte dos movimentos. Estudos em cães e em pequenos grupos de pacientes brasileiros, em caráter experimental e dentro de protocolos acadêmicos, já foram realizados. Segundo os pesquisadores, alguns voluntários que haviam perdido completamente os movimentos abaixo da lesão, recuperaram parte da mobilidade. Houve relatos que variaram de pequenos movimentos a ganhos mais amplos, como controle de tronco e até passos com auxílio. Mas o número de pessoas testadas ainda é muito pequeno e os pesquisadores alertam que estudos mais amplos precisam ser realizados para confirmação dos resultados.
A Secretaria da Saúde (Sesa) informou que o medicamento denominado polilaminina está em fase de pesquisas e ainda não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para utilização com segurança.
Em testes de sensibilidade realizados no paciente de olhos vendados, ele conseguiu detectar, segundo os médicos, qual a perna estava sendo tocada, mas ainda não era capaz de dizer exatamente o local. "O paciente está com sensibilidade. Ele consegue perceber o toque, identificar onde está sendo tocado. É uma demonstração que alguma recuperação está em curso"... "Estou impressionada e, claro, otimista. Mas, ainda precisamos esperar. É um sinal de recuperação, mas precisamos conter a emoção, precisamos de uma demonstração ainda mais clara da ação da polilaminina. A regeneração das fibras motoras, que são mais grossas, pode demorar mais. As fibras de sensações são mais finas", diz a pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio.
O produto está em fase de pesquisas científicas, tendo de passar ainda por três etapas antes de ser registrado. Uma das mais importantes, a do teste clínico amplo aplicado em humanos, ainda não tem autorização da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Profª. Drª. Adriana Pedrenho
Departamento de Ciências Fisiológicas, UFRRJ
Idealizadora da Nave Química Fisiológica
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