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PT do Rio pode virar 'empresa familiar' após eleição deste domingo

O Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro vive neste domingo uma eleição que simboliza a transformação de uma das principais forças da esquerda brasileira em uma máquina clientelista.
Mais de 35 mil petistas fluminenses vão às urnas para escolher a nova direção estadual, mas o que deveria ser um processo democrático se tornou uma disputa entre quem tem mais recursos para comprar fidelidades e "garrafas" eleitorais.
A polarização está cristalizada entre Diego Zeidan, atual secretário de Habitação do Rio e filho do prefeito de Maricá, Washington Quaquá, e o deputado federal Reimont, apoiado por lideranças históricas como Benedita da Silva, Lindbergh Farias e André Ceciliano.
Como declarou Reimont: "O PT não tem dono. Ele precisa ser governado num diálogo permanente com o coletivo que o compõe." Uma frase que ecoa como um grito de resistência contra a mercantilização da política interna petista.
O esquema montado pelo grupo de Quaquá é de uma simplicidade assustadora: dezenas de dirigentes do PT de todo o estado estão empregados na prefeitura de Maricá sem nunca terem pisado na cidade.
A única obrigação desses "funcionários fantasmas" é recrutar filiados de ocasião - as famosas "garrafas" - para votar em quem o prefeito determinar. Esse sistema não é segredo para a velha guarda do partido, mas eles se sentem impotentes diante da engrenagem financeira que se instalou no coração da legenda.
A estratégia de Zeidan apostou na filiação em massa sem critério ideológico, concentrando esforços principalmente em Maricá, onde o dinheiro público garante a lealdade dos novos membros.
Enquanto isso, militantes históricos que construíram o PT através dos movimentos estudantil, sindical e de base se afastaram desse processo que consideram uma traição aos princípios fundadores do partido. A ironia é cruel: a legenda que nasceu para combater a corrupção e o clientelismo agora reproduz essas práticas em suas próprias eleições internas.
O resultado dessa mercantilização se reflete nos resultados pífios do PT nas eleições municipais e no empobrecimento do debate político interno. Onde antes havia discussões ideológicas profundas sobre os rumos da esquerda brasileira, hoje predomina um pragmatismo raso e despolitizado, focado apenas na manutenção do poder e dos cargos. Como observou um militante histórico:
"Quaquá envergonha os militantes raiz que fizeram parte da construção do partido. O PT virou aquilo que sempre combateu - um partido da boquinha."
Um vereador denunciou que o ex-prefeito mantinha um verdadeiro "cabide de empregos" em seu gabinete, com mais de 105 funcionários sendo pagos sem a devida comprovação de trabalho efetivo. O montante assustador ultrapassa R$ 13 milhões anuais, um verdadeiro desrespeito ao dinheiro público.
A votação acontece em mais de 150 locais espalhados pelo estado, com resultado previsto para ser divulgado a partir das 21h. Se as estimativas se confirmarem, o grupo de Zeidan deverá obter maioria, garantindo o controle também sobre o futuro Executivo do diretório.
Essa vitória representaria uma derrota simultânea de todas as forças oponentes, consolidando o domínio do "PT de Maricá" sobre a legenda estadual e enterrando de vez os ideais que um dia fizeram do partido uma esperança de transformação social no Brasil.
Na capital, a polarização se repete com Alberes Lima, do grupo de Quaquá, enfrentando o vereador Leonel de Esquerda, que integra o campo de oposição interna. A expectativa entre aliados de Alberes é de vitória com margem folgada, confirmando o controle do grupo de Quaquá também na cidade do Rio de Janeiro.
A votação será aberta a todos os filiados em situação regular no partido, bastando levar documento oficial com foto, e será encerrada no próprio domingo, com apuração descentralizada.
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